CHAMADA ABERTA — SOPHIA JOURNAL 12 | PAISAGENS DE REPARAÇÃO / APRENDER A REPARAR - Pedagogias Situadas, Paisagens Cívicas e Práticas Visuais

 
 
 

To Reinforce - 2025 by Lars Hovland

CHAMADA ABERTA — SOPHIA JOURNAL 12 | PAISAGENS DE REPARAÇÃO / APRENDER A REPARAR - Pedagogias Situadas, Paisagens Cívicas e Práticas Visuais

Prazo para submissão de resumos: 1 JANEIRO 2027

PT/ENG

A reparação como prática situada

A Sophia Journal 12 convida a considerar os lugares de reparação como lugares de aprendizagem.

Universidades, oficinas, instituições públicas, organizações de bairro, associações cívicas e iniciativas culturais podem constituir espaços onde diferentes formas de conhecimento se encontram. Através do trabalho de campo, da fotografia, do filme, do desenho, da cartografia, da história oral, da investigação em arquivo e da experimentação coletiva, estes encontros podem gerar abordagens mais atentas à transformação arquitetónica e territorial.

A aprendizagem situada questiona a separação entre observação e intervenção. Reconhece que documentar um lugar é já uma forma de estabelecer uma relação com ele e que as imagens participam na construção do entendimento público, do valor cultural e das possibilidades de ação política.

As práticas visuais podem revelar condições negligenciadas, mas podem também contribuir para processos de escuta, comparação, memória, manutenção e imaginação coletiva. A fotografia e o filme podem registar a transformação gradual dos materiais e das paisagens, examinar a relação entre os espaços projetados e a vida quotidiana e tornar visível o trabalho através do qual edifícios, jardins e infraestruturas continuam a funcionar.

Ao mesmo tempo, as práticas visuais devem ser analisadas criticamente. Quem produz as imagens, a partir de que posição e para que públicos? Como pode a investigação visual evitar transformar a vulnerabilidade, a deterioração ou a desigualdade social em espetáculo estético? De que modo podem formas colaborativas de representação redistribuir a autoria e permitir que as comunidades participem na interpretação dos seus próprios contextos?

A reparação como prática situada

Este número dedica particular atenção às paisagens cívicas: parques, jardins, piscinas, equipamentos desportivos, escolas, conjuntos habitacionais, edifícios culturais, ruas e outras formas de infraestrutura partilhada.

Estes lugares incorporam ideias sociais e políticas sobre a vida pública, o bem-estar, a educação, o lazer e o encontro coletivo. Muitos são também lugares onde estruturas históricas, intervenções modernas, sistemas ecológicos e formas contemporâneas de ocupação coexistem.

A sua reparação não pode limitar-se à preservação da forma arquitetónica. Exige uma atenção renovada à acessibilidade, inclusão, manutenção, uso público, responsabilidade ambiental e cuidado institucional. Exige também compreender de que modo os projetos cívicos herdados podem continuar a responder a necessidades sociais em transformação sem perderem a sua relevância cultural e arquitetónica.

A Sophia Journal 12 questiona de que modo a arquitetura, a paisagem e as práticas visuais podem contribuir para esta negociação contínua entre continuidade e transformação.

Chamada para artigos e ensaios visuais

Convidamos à submissão de artigos teóricos, ensaios visuais, projetos documentais, reflexões pedagógicas e formatos experimentais de investigação que abordem a reparação enquanto processo situado e coletivo de aprendizagem.

As contribuições poderão abordar, entre outras, as seguintes questões e temáticas:

  • A reparação enquanto pedagogia da atenção, do cuidado e da responsabilidade;

  • Modelos de ensino da arquitetura baseados no trabalho de campo, interdisciplinares e transnacionais;

  • A investigação visual enquanto método de aprendizagem situada;

  • Paisagens públicas e infraestruturas cívicas enquanto espaços de vida coletiva;

  • A adaptação e a relevância social continuada do património arquitetónico moderno;

  • Manutenção, salvaguarda e práticas quotidianas de cuidado;

  • Relações entre estruturas históricas, intervenções modernas e usos contemporâneos;

  • A arquitetura e a paisagem enquanto processos materiais e ecológicos em evolução;

  • O papel da fotografia, do filme, da cartografia e dos arquivos nas práticas de reparação;

  • Formas participativas e colaborativas de representação visual;

  • Questões éticas relacionadas com a observação, a autoria e a representação da vulnerabilidade;

  • Experiências pedagógicas que estabeleçam ligações entre universidades, comunidades e instituições públicas;

  • Formas de conhecimento intergeracionais e para além do humano;

  • A reparação às escalas do detalhe arquitetónico, do edifício, do espaço público, da cidade e do território;

  • Condições institucionais que possibilitam ou dificultam práticas de cuidado a longo prazo;

  • Práticas especulativas e experimentais que imaginem futuros cívicos alternativos.

São bem-vindas contribuições de arquitetos, artistas, fotógrafos, cineastas, docentes, estudantes, investigadores, profissionais, ativistas, instituições públicas e grupos de investigação transdisciplinares.

As submissões poderão assumir a forma de artigos científicos, ensaios fotográficos ou fílmicos, relatórios críticos de trabalho de campo, entrevistas, conversas, cartografias, textos coletivos, investigação baseada em projetos ou formatos híbridos que articulem materiais escritos e visuais.

Laboratório de Reparação

A Sophia Journal 12 incluirá uma secção especial dedicada a práticas pedagógicas e de investigação situadas, desenvolvidas através de workshops, investigações de campo e formas colaborativas de ensino.

Esta secção propõe pensar o workshop não apenas como um método para aplicar conhecimentos previamente estabelecidos, mas como um laboratório onde o conhecimento é produzido através do encontro, da observação e da interpretação coletiva.

O Programa Intensivo Misto Erasmus+ (Blended Intensive Programme — BIP) The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair constituirá um contexto importante para esta reflexão. Através do seu programa transnacional, dos seus métodos de investigação visual e da investigação situada na Área Metropolitana do Porto, o BIP explorará de que modo a arquitetura, a fotografia, o filme e a cartografia narrativa podem revelar e interagir criticamente com as condições contemporâneas do espaço público, do património e da vida coletiva.

Algumas contribuições selecionadas resultantes do BIP poderão ser desenvolvidas para publicação, em diálogo com trabalhos provenientes de outros contextos pedagógicos e de investigação. A sua inclusão permitirá estabelecer um diálogo entre uma experiência situada específica e debates internacionais mais amplos sobre o ensino, a representação e a prática da reparação.

Em vez de apresentar o workshop como um modelo acabado ou exemplar, a revista acolhe reflexões críticas sobre os seus processos, limites, contradições e possibilidades.

Da visibilidade ao envolvimento

A transição da Sophia Journal 11 para a Sophia Journal 12 marca um movimento da visibilidade para o envolvimento.

Tornar visíveis as fraturas continua a ser essencial. No entanto, a visibilidade, por si só, não constitui reparação. Reparar exige atenção continuada, formas de responsabilidade, compromisso institucional e capacidade para trabalhar coletivamente com condições incertas e, por vezes, conflituais.

Como podem o ensino da arquitetura e o ensino das práticas visuais preparar estudantes e profissionais para este trabalho? De que modo pode o estudo das paisagens cívicas existentes gerar conhecimento capaz de informar a sua transformação futura? Como podem as imagens ir além da evidência e da crítica para se tornarem parte de processos mais longos de cuidado, diálogo e reflexão pública?

A Sophia Journal 12 convida à apresentação de contribuições que entendam a reparação não como a recuperação de uma condição ideal ou original, mas como uma prática aberta e continuada de aprendizagem sobre como habitar, manter e transformar um mundo partilhado.

Instruções para submissão

Para submeter uma proposta de resumo, os autores deverão enviar, até 1 de janeiro de 2027, um texto com cerca de 500 palavras, incluindo referências e um máximo de cinco imagens, acompanhado de uma breve nota biográfica de cada autor, até 70 palavras.

A submissão dos resumos deverá ser realizada através da plataforma OJS da Sophia Journal, mediante registo e submissão.

Os autores selecionados serão notificados até 28 de fevereiro de 2027 e beneficiarão da orientação editorial da Sophia Journal para o desenvolvimento de um artigo completo, entre 3.000 e 6.000 palavras, ou de um ensaio visual, com 6 a 8 páginas e um texto entre 750 e 1.500 palavras, a submeter até 1 de maio de 2027.

Os autores que não tenham submetido um resumo nesta primeira fase poderão ainda submeter diretamente um manuscrito completo até 1 de maio de 2027.

Todos os artigos teóricos serão sujeitos a revisão cega por pares. As restantes modalidades de submissão publicadas pela revista — incluindo ensaios visuais, entrevistas e recensões críticas — serão igualmente sujeitas a revisão por pares.

A aceitação de um resumo, em qualquer uma destas modalidades, não garante a posterior publicação do trabalho.

Sophia Journal International Conference 2027

A Sophia Journal 12 será articulada com a Sophia Journal International Conference 2027, dando continuidade ao ciclo anual de fóruns internacionais dedicados à exploração crítica das interseções entre imagem e arquitetura.

A conferência pretende constituir uma plataforma de encontro entre investigação, práticas visuais, pedagogia e reflexão crítica, permitindo que algumas das questões desenvolvidas neste número sejam discutidas coletivamente antes da publicação.

Os resumos das comunicações selecionadas para apresentação serão publicados num e-book de resumos, juntamente com o programa da conferência, e disponibilizados gratuitamente através da plataforma OJS da Sophia Journal.

A participação na conferência e a publicação na revista constituem processos editoriais relacionados, mas distintos. A apresentação de uma comunicação na conferência não garante a publicação do respetivo artigo ou ensaio visual na Sophia Journal, que continuará sujeito aos procedimentos editoriais e de revisão por pares da revista.

Através das suas conferências internacionais e da publicação científica sujeita a revisão por pares, a Sophia Journal procura reforçar a colaboração internacional e apoiar e disseminar investigação que explore criticamente as relações entre imagem, arquitetura, cidade e território.

Mais informaçãos:

info.sophiajournal@arq.up.pt

 

OPEN CALL: SOPHIA JOURNAL 12 | LANDSCAPES OF REPAIR | LEARNING REPAIR - SITUATED PEDAGOGIES, CIVIC LANDSCAPES AND VISUAL PRACTICES

 
 
 

To Reinforce - 2025 by Lars Hovland

OPEN CALL: SOPHIA JOURNAL 12 | LANDSCAPES OF REPAIR | LEARNING REPAIR - SITUATED PEDAGOGIES, CIVIC LANDSCAPES AND VISUAL PRACTICES

Abstract deadline: 1 JANUARY 2027

PT/ENG

Repair as a Situated Practice

Sophia Journal 12 invites contributors to consider sites of repair as sites of learning.

Universities, workshops, public institutions, neighbourhood organisations, civic associations and cultural initiatives can provide spaces in which different forms of knowledge encounter one another. Through fieldwork, photography, film, drawing, mapping, oral history, archival research and collective experimentation, these encounters may generate more attentive approaches to architectural and territorial transformation.

Situated learning challenges the separation between observation and intervention. It recognises that documenting a place is already a way of entering into a relationship with it, and that images participate in the construction of public understanding, cultural value and political possibility.

Visual practices can reveal neglected conditions, but they may also support processes of listening, comparison, memory, maintenance and collective imagination. Photography and film can record the gradual transformation of materials and landscapes, examine the relationship between designed spaces and everyday life, and make visible the labour through which buildings, gardens and infrastructures continue to function.

At the same time, visual practices must be examined critically. Who produces images, from what position and for which audiences? How can visual research avoid transforming vulnerability, deterioration or social inequality into aesthetic spectacle? How might collaborative forms of representation redistribute authorship and enable communities to participate in the interpretation of their own environments?

Civic Landscapes and Public Life

This issue is particularly interested in civic landscapes: parks, gardens, swimming pools, sports facilities, schools, housing complexes, cultural buildings, streets and other forms of shared infrastructure.

Such places embody social and political ideas concerning public life, wellbeing, education, recreation and collective encounter. Many are also sites in which historical structures, modern interventions, ecological systems and contemporary forms of occupation coexist.

Their repair cannot be limited to the preservation of architectural form. It requires renewed attention to accessibility, inclusion, maintenance, public use, environmental responsibility and institutional care. It also demands an understanding of how inherited civic projects can continue to answer changing social needs without losing their cultural and architectural significance.

Sophia Journal 12 asks how architecture, landscape and visual practices can contribute to this ongoing negotiation between continuity and transformation.

Call for Papers and Visual Essays

We invite theoretical articles, visual essays, documentary projects, pedagogical reflections and experimental research formats that investigate repair as a situated and collective process of learning.

Contributions may address, but are not limited to, the following questions and themes:

  • Repair as a pedagogy of attention, care and responsibility;

  • Field-based, interdisciplinary and transnational models of architectural education;

  • Visual research as a method of situated learning;

  • Public landscapes and civic infrastructures as spaces of collective life;

  • The adaptation and continued social relevance of modern architectural heritage;

  • Maintenance, custodianship and everyday practices of care;

  • Relations between historical structures, modern interventions and contemporary uses;

  • Architecture and landscape as evolving material and ecological processes;

  • The role of photography, film, mapping and archives in practices of repair;

  • Participatory and collaborative forms of visual representation;

  • Ethical questions concerning observation, authorship and the representation of vulnerability;

  • Pedagogical experiments connecting universities, communities and public institutions;

  • Intergenerational and more-than-human forms of knowledge;

  • Repair at the scales of the architectural detail, building, public space, city and territory;

  • Institutional conditions that enable or obstruct long-term care;

  • Speculative and experimental practices that imagine alternative civic futures.

We welcome contributions from architects, artists, photographers, filmmakers, educators, students, scholars, practitioners, activists, public institutions and transdisciplinary research groups.

Submissions may take the form of scholarly articles, photographic or filmic essays, critical field reports, interviews, conversations, mappings, collective texts, project-based research or hybrid formats combining written and visual material.

The Repair Laboratory

Sophia Journal 12 will include a special section dedicated to situated pedagogical and research practices developed through workshops, field investigations and collaborative forms of teaching.

This section will consider the workshop not simply as a method for applying established knowledge, but as a laboratory in which knowledge is produced through encounter, observation and collective interpretation.

The Erasmus+ Blended Intensive Programme The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair will provide one important context for this enquiry. Through its transnational programme, visual research methods and situated investigation in the Porto Metropolitan Area, the BIP will explore how architecture, photography, film and narrative mapping can reveal and engage with contemporary conditions of public space, heritage and collective life.

Selected contributions arising from the BIP may be developed for publication alongside work from other pedagogical and research contexts. Their inclusion will establish a dialogue between a specific situated experience and broader international debates concerning the teaching, representation and practice of repair.

Rather than presenting the workshop as a finished or exemplary model, the journal welcomes critical reflection on its processes, limits, contradictions and possibilities.

From Visibility to Engagement

The transition from Sophia Journal 11 to Sophia Journal 12 marks a movement from visibility towards engagement.

Making fractures visible remains essential. Yet visibility alone does not constitute repair. Repair requires sustained attention, forms of responsibility, institutional commitment and the capacity to work collectively with uncertain and sometimes conflicting conditions.

How can architectural and visual education prepare students and practitioners for this work? How might the study of existing civic landscapes generate knowledge capable of informing their future transformation? How can images move beyond evidence and critique to become part of longer processes of care, dialogue and public reflection?

Sophia Journal 12 invites contributions that understand repair not as the recovery of an ideal or original condition, but as an open-ended practice of learning how to inhabit, maintain and transform a shared world.

Submission instructions

To submit your abstract proposal, please send a 500-word text (including references and a maximum of five images) and a short bio for each author (up to 70 words each) by the 1st of January, 2027.

Submission of abstracts is done through our OJS platform by registering and submitting at: https://www.up.pt/revistas/index.php/sophia/index    

Selected authors will be notified by the 28 of February 2027  and will benefit from Sophia´s Editorial orientation and instructions in order to deliver a full paper (between 3000 to 6000 words) or a visual essay (length between 6 to 8 pages, plus text between 750 to 1500 words) by the 1 of May 2027. 

Authors who have not sent in this first stage their abstract can still send a full manuscript until the 1 of May 2027. 

Please note that all theoretical papers will be subject to blind peer review. The other modalities of submissions we publish (visual essays, interviews, and critical reviews) are subjected to peer review.

Full paper submission: 1 May 2027

Conference dates (TBC): 24–25 July 2027
Publication (TBC): December 2027                                                                      

Acceptance of an abstract in any of these modalities does not guarantee publication. 

Sophia Journal International Conference

Sophia Journal International conference "The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair” will take place at FAUP - Faculty of Architecture of the University of Porto, continuing the successful annual cycle of international forums dedicated to the critical exploration of the intersections between image and architecture.

The conference emerges as a dynamic platform for addressing descriptive, analytical, and interpretative projects that offer a unique perception and new knowledge about how can visual and spatial practices once again confront the invisible pressures shaping contemporary cities, and how might they contribute to acts of repair—material, social, ecological—capable of lightening their weight?

Abstracts for conference presentation will be published in the e-book of abstracts, which will have also the program and will be accessible and free to download through Sophia Journal OJS platform at the time of the event.

Subsequent publication of the most relevant (expanded – full manuscripts) contributions will be published in Sophia Journal - Volume 12, No. 1 - Landscapes of Repair: Lerning Repair - Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices

The international conferences enhance our global outreach and foster deeper international collaboration, and are closely aligned with Sophia's peer-reviewed publication. Sophia supports and disseminates scientific research by publishing theoretical articles and visual essays that critically explore the intersections between image and architecture.

For any queries:

Please contact our Editors at info.sophiajournal@arq.up.pt

 

Paisagens de Reparação — Um Dia de Investigação, Imagens e Discussão Partilhada no Porto

 

By Joana Graça | OASRN

 
 

Paisagens de Reparação — Um Dia de Investigação, Imagens e Discussão Partilhada no Porto

O programa científico da 11.ª Conferência Internacional da Sophia Journal reuniu diferentes abordagens à fotografia, à arquitetura e à reparação, criando um espaço vivo de partilha, debate e novos encontros.

PT/ENG

Book of abstracts

No dia 25 de setembro de 2026, a Ordem dos Arquitectos — Secção Regional do Norte (OASRN), no Porto, acolheu o programa científico da 11.ª Conferência Internacional da Sophia Journal — Landscapes of Repair: The Invisible City — Manplan and Contemporary Forms of Repair.

Reunindo investigadores, arquitetos, fotógrafos e profissionais das práticas visuais provenientes de diferentes contextos geográficos e disciplinares, a conferência explorou o modo como a arquitetura e as práticas visuais nos podem ajudar a reconhecer condições que frequentemente permanecem à margem das formas convencionais de representação — desde espaços quotidianos pouco observados e memórias ameaçadas até processos de transformação, deterioração, adaptação, manutenção e cuidado.

Tomando como ponto de partida o legado crítico de Manplan, publicado pela The Architectural Review entre 1969 e 1970, o programa regressou, ao longo do dia, a uma questão que permanece surpreendentemente atual: o que se torna visível quando a representação arquitetónica desvia a sua atenção do edifício isolado e se aproxima da experiência humana, da vida quotidiana e das realidades sociais, políticas e culturais mais amplas através das quais os lugares são habitados?

A manhã foi aberta por Pedro Leão Neto, coordenador da conferência, que deu as boas-vindas aos presentes e a todos os que acompanhavam o programa online, antes de passar a palavra a José Pedro Sousa, em representação da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). José Pedro Sousa refletiu sobre o significado e a continuidade do ciclo de conferências internacionais da Sophia Journal, um percurso que se desenvolve há já mais de uma década.

Pedro Leão Neto regressou depois para apresentar e desenvolver o lançamento oficial da chamada para a Sophia Journal Vol. 12 — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices. Concebido como uma continuação do trabalho desenvolvido através de Landscapes of Repair, o novo volume propõe uma transição gradual da visibilidade crítica para a investigação situada: de uma reflexão sobre a forma como vemos, representamos e tornamos visíveis realidades frequentemente ignoradas, para uma abordagem que considera os próprios lugares de reparação como lugares de aprendizagem.

Com o avançar da manhã, Bruno Marques, Presidente do Conselho Diretivo Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, que devido a um imprevisto não tinha conseguido estar presente na abertura, chegou à conferência e, após a primeira pausa, dirigiu algumas palavras de boas-vindas e reconhecimento aos participantes e às instituições envolvidas na organização.

O programa científico prosseguiu com Valeria Carullo, Curadora de Fotografia do Royal Institute of British Architects (RIBA), e a sua conferência Revisiting Manplan: Archive, Visibility and Public Responsibility. A sua intervenção revisitou Manplan a partir das relações entre os arquivos fotográficos, as questões da visibilidade e a responsabilidade pública inerente à representação da arquitetura. Deu também continuidade a um diálogo desenvolvido através de colaborações anteriores entre o RIBA e o AAI — Architecture, Art and Image / CENP, entre as quais a exposição Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, apresentada na OASRN no início de 2026.

A partir daí, a conferência desenvolveu-se através de quatro painéis: Making the Invisible City Visible: Memory, Image and the Politics of Representation; Repairing the Built: Heritage, Memory and Practices of Re-inscription; Critical Cartographies: Peripheries, Ordinary Spaces and Hybrid Territories; e Reparative Practices: Care, Cohabitation and Possible Futures.

Ao longo do dia, a diversidade de autores, lugares, metodologias de investigação e formas de prática visual fez da conferência um espaço particularmente vivo de encontro e debate. Comunicações científicas entraram em diálogo com ensaios visuais e investigação baseada na prática; arquivos fotográficos cruzaram-se com modos contemporâneos de produção de imagens; e questões relacionadas com património e memória encontraram-se com territórios periféricos e quotidianos, processos de reinscrição e práticas de cuidado, coabitação e adaptação.

As discussões que se seguiram a cada grupo de apresentações constituíram uma parte importante desta partilha. Em vez de deixar as diferentes intervenções isoladas enquanto estudos de caso, permitiram revelar aproximações, relações e diferenças entre investigadores que trabalham em contextos distintos, mas que frequentemente se confrontam com questões relacionadas. A fotografia, o filme, a cartografia e o ensaio visual surgiram ao longo do dia não apenas como meios de documentar ou ilustrar a investigação, mas como formas de investigar, por direito próprio, a arquitetura, as cidades e os territórios.

Neste sentido, o programa científico deu forma concreta a uma das ambições expressas na sua abertura: criar um espaço de encontro entre arquitetura e fotografia, investigação e cultura visual, e entre diferentes formas de produzir, comunicar e partilhar conhecimento. As quatro ações propostas no início do dia — ver, interpretar, reparar e comunicar — foram-se progressivamente afirmando como fios condutores capazes de estabelecer relações entre contributos muito distintos.

O programa terminou com uma síntese coletiva que reuniu os editores convidados Cristina Gastón e Hugh Campbell, as editoras Ana Miriam Rebelo, Maria Neto e Raquel Paulino e o coordenador da conferência, Pedro Leão Neto. Mais do que procurar encerrar as questões levantadas ao longo dos quatro painéis, a discussão final refletiu sobre as relações que foram emergindo e sobre a forma como estas poderão ter continuidade nas próximas etapas do ciclo da Sophia Journal.

Nas suas palavras de encerramento, Pedro Leão Neto regressou também a uma dimensão mais fundamental do valor dos encontros presenciais. Reuniões científicas desta natureza não são apenas ocasiões para apresentar investigação já concluída. Oferecem a possibilidade de conhecer diretamente investigadores que partilham interesses próximos, discutir trabalhos e ideias, descobrir afinidades inesperadas e encontrar colegas com quem poderão vir a desenvolver-se futuras conversas e colaborações. Criam também algo mais difícil de reproduzir à distância: tempo para a conversa informal, para o convívio e para a partilha social.

Esta dimensão pareceu particularmente relevante numa conferência dedicada à reparação, à visibilidade e ao cuidado. A investigação fortalece-se através da discussão crítica, mas também através das relações pelas quais o conhecimento é partilhado e questionado. Criar espaços onde as pessoas possam encontrar-se, escutar-se e entrar em contacto com diferentes experiências pode contribuir, ainda que de forma modesta, para uma compreensão mais atenta e humanizada das realidades que habitamos.

O primeiro dia terminou, assim, não com uma conclusão definitiva, mas com as conversas ainda em aberto — prolongando-se informalmente para além do auditório e preparando a transição para o programa público e editorial de 26 de setembro.

 

LFA Talks — Publicar um Prémio, Prolongar um Legado: Fotografia, Arquitetura e a Vida Cultural de um Prémio

 

By Gabriela Poças | Centro de Cultura U.T. Porto

 
 

LFA Talks — Publicar um Prémio, Prolongar um Legado: Fotografia, Arquitetura e a Vida Cultural de um Prémio

IIntegradas no programa paralelo da 11.ª Conferência Internacional da Sophia Journal, as LFA Talks reuniram diferentes vozes em torno da fotografia de arquitetura, da edição e das possibilidades de transformar um prémio internacional numa plataforma cultural mais ampla

PT/ENG

Luis Ferreira Alves International Photography Competition | A Contemporary Look at Architecture 2026

No dia 26 de setembro, a 11.ª Conferência Internacional da Sophia Journal — Landscapes of Repair: The Invisible City — Manplan and Contemporary Forms of Repair deslocou-se para o Centro de Cultura da Universidade Técnica do Porto — UTP, onde decorreu o seu programa paralelo, alargando a conferência para além das discussões de carácter mais diretamente científico do dia anterior e abrindo-a a questões relacionadas com a edição, a circulação pública das imagens e a construção da memória e do legado.

No centro da manhã esteve uma nova sessão das LFA Talks — Publicar um Prémio, Prolongar um Legado, desenvolvida a partir da primeira edição do Luis Ferreira Alves International Photography Competition | A Contemporary Look at Architecture e da publicação que dela resultou.

A sessão foi antecedida por uma breve apresentação da segunda edição do Prémio por Pedro Leão Neto, que recordou que o projeto nasceu como uma homenagem a Luis Ferreira Alves, mas nunca pretendeu ter um carácter exclusivamente retrospetivo. A sua ambição passa também por prolongar uma determinada cultura do olhar sobre a arquitetura, incentivando os fotógrafos não apenas a produzir imagens de arquitetura formalmente conseguidas, mas a construir séries fotográficas coerentes e autorais, capazes de propor uma leitura própria de um edifício, de um conjunto de obras ou de uma determinada condição arquitetónica.

A dimensão alcançada pela primeira edição — 1.495 submissões provenientes de 99 países, das quais resultaram dez séries finalistas, prémios e menções, uma exposição e uma publicação — constituiu um importante ponto de partida para a conversa. A segunda edição mantém esta dimensão internacional, com um novo júri constituído por Paolo Rosselli, Valeria Carullo e João Pedro Serôdio, introduzindo simultaneamente o Prémio de Fotografia Emergente Portuguesa.

Mas a apresentação procurou também dar particular destaque a algo que ultrapassa o próprio concurso: a rede de pessoas e instituições que torna possível um projeto desta natureza.

A Câmara Municipal do Porto e a Cityscopio — Associação Cultural são as entidades promotoras do LFA Award, enquanto a sua estrutura organizativa reúne as entidades promotoras, a FAUP e a Casa da Arquitectura. Em torno deste núcleo existe uma rede mais ampla de patrocinadores e parceiros estratégicos e institucionais, que inclui o BPI / Fundação “la Caixa”, J. Soares Correia, CCDR-N, Metro do Porto, AMAG, panoramah!, Ordem dos Arquitectos, Instituto Marques da Silva e Fundação de Serralves.

Como Pedro Leão Neto sublinhou na sua introdução, esta dimensão colaborativa é fundamental: um legado desta natureza não pode ser construído por uma única instituição. Pelo contrário, o Prémio vai progressivamente ganhando forma através das relações que estabelece entre fotografia, arquitetura, investigação, edição e diferentes instituições culturais.

Foi precisamente a partir deste entendimento mais amplo que se desenvolveu a sessão Publicar um Prémio, Prolongar um Legado.

Moderada por Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto, a conversa reuniu Hugh Campbell, Cristina Gastón, Judit Taberna Torres e Gabriel Hernández, cujas diferentes experiências académicas, editoriais e críticas permitiram cruzar perspetivas particularmente ricas sobre fotografia, arquitetura e edição. Desde o início, a intenção não foi organizar uma sucessão de apresentações individuais, mas criar uma verdadeira conversa em torno da mesa.

Jorge Sobrado imprimiu à sessão um ritmo vivo e envolvente. Movendo-se com naturalidade entre o humor e questões mais exigentes, criou um ambiente informal em que os investigadores e autores convidados puderam sentir-se à vontade e, simultaneamente, ser desafiados a abordar temas por vezes difíceis. As suas perguntas funcionaram mais como pontos de partida do que como conclusões, circulando entre os diferentes participantes e abrindo-se a trocas mais amplas em torno da mesa. O resultado foi uma conversa dinâmica, que acabou também por envolver o público nas questões em discussão.

Algumas perguntas aparentemente simples revelaram-se particularmente produtivas. Que perfil poderá hoje definir melhor um fotógrafo de arquitetura? O que distingue alguém que fotografa arquitetura de um autor que utiliza a fotografia para interrogar a arquitetura? E o que acontece quando a interpretação do fotógrafo deixa de coincidir com a imagem que a arquitetura — ou o arquiteto — gostaria de projetar?

A partir daqui, a discussão avançou para o universo autónomo e crítico da fotografia. A fotografia de arquitetura não tem necessariamente de confirmar o discurso da própria arquitetura. Pode introduzir distância, ambiguidade e até desconforto. Precisamente porque a fotografia constrói o seu próprio ponto de vista, pode revelar usos, contradições, condições sociais e relações inesperadas que a representação arquitetónica poderá preferir deixar fora do enquadramento. Nesse sentido, a fotografia pode, por vezes, incomodar tanto a arquitetura como os arquitetos — mas é também através dessa independência que pode dar um contributo mais significativo para a cultura arquitetónica.

Este tornou-se um dos fios condutores mais interessantes da conversa: a fotografia não apenas como meio de comunicar a arquitetura, mas como forma de pensar a arquitetura de outro modo.

Foi precisamente neste campo alargado que o LFA Award foi discutido. Em vez de terminar com a seleção dos vencedores, o projeto tem vindo progressivamente a gerar outras formas através das quais as fotografias e as ideias podem continuar a circular: a publicação, as exposições, os podcasts, as LFA Talks, o trabalho de arquivo e outras iniciativas editoriais e públicas. Em conjunto, estas diferentes componentes começam a constituir uma plataforma cultural na qual o concurso representa um momento de um processo mais longo de investigação, discussão e disseminação.

A publicação LFA Award: A Contemporary Look at Architecture constituiu, por isso, um importante ponto de partida para a conversa, mas não o seu limite. O livro permitiu colocar a questão do que acontece a um prémio depois de terminado o momento competitivo: como podem os trabalhos fotográficos selecionados permanecer ativos; de que modo a edição pode estabelecer novas relações entre eles; e como pode um prémio gerar progressivamente um arquivo, debate crítico, circulação internacional e continuidade cultural.

É também neste ponto que a ideia de prolongar um legado adquiriu um significado mais amplo. O legado de Luis Ferreira Alves não é entendido apenas através da preservação e do estudo da sua obra fotográfica, por mais importantes que sejam, mas também através da possibilidade de ativar as questões que essa obra continua a suscitar e de criar condições para que novos fotógrafos desenvolvam formas independentes de olhar para a arquitetura, a cidade e o território.

Como Pedro Leão Neto sugeriu no início da sessão, existe uma continuidade entre prémio, publicação, arquivo e território: diferentes formas, interligadas entre si, de construir, preservar e, sobretudo, ativar um legado.

A manhã prosseguiu com Cidade de Todos | Ver Fotografia, com os fotógrafos Aníbal Lemos e José Manuel Rodrigues, numa conversa moderada por Olívia Marques da Silva. Complementando as questões levantadas durante as LFA Talks, esta segunda mesa-redonda orientou-se mais diretamente para a fotografia enquanto forma de compreender a experiência humana no interior da arquitetura e da cidade.

Através do trabalho e da reflexão dos fotógrafos, a atenção deslocou-se da arquitetura enquanto objeto autónomo para as formas como as pessoas habitam, se apropriam e atribuem significado aos espaços. A fotografia surgiu, uma vez mais, como algo que ultrapassa a representação: como um meio de aproximação à vida quotidiana, à memória e às relações através das quais a arquitetura passa a fazer parte da experiência individual e coletiva.

Em conjunto, as duas conversas conferiram ao programa paralelo o seu carácter particular. Partindo de diferentes posições perante a fotografia, partilharam uma convicção de fundo: a de que a fotografia pode fazer mais do que descrever a arquitetura. Pode interrogá-la, interpretá-la, tornar visíveis outras realidades e criar um espaço onde a arquitetura possa ser discutida de forma mais aberta e aprofundada.

Para o LFA Award, esta poderá ser, em última análise, uma das dimensões mais importantes do projeto: não apenas reconhecer trabalhos fotográficos relevantes, mas construir progressivamente uma plataforma cultural através da qual a arquitetura possa ser vista, interrogada e discutida de forma diferente através da fotografia.

 

Da Conferência aos Arquivos e ao Território

 
 
 

Da Conferência aos Arquivos e ao Território

Visita ao Arquivo Fotográfico de Luis Ferreira Alves e à Quinta da Conceição

PT/ENG

Durante a tarde de 26 de setembro, a 11.ª Conferência Internacional da Sophia Journal saiu do auditório para se deslocar a dois contextos muito diferentes, mas estreitamente relacionados: primeiro, ao Arquivo Fotográfico de Luis Ferreira Alves, na Casa da Arquitectura, e depois à Quinta da Conceição, em Matosinhos.

Esta transição foi pensada como algo mais do que uma simples mudança de lugar. Procurou prolongar as questões levantadas ao longo dos dois dias da conferência, passando da reflexão teórica e visual para o contacto direto com dois campos de investigação complementares: o arquivo fotográfico e o território vivido.

Entrar no arquivo

A visita ao Arquivo Fotográfico de Luis Ferreira Alves permitiu aos participantes entrar em contacto direto com o legado material de um fotógrafo cuja obra desempenhou um papel significativo na construção da memória visual da arquitetura moderna e contemporânea em Portugal.

Depois de uma conferência em que as questões do arquivo, da visibilidade, da representação e da memória cultural foram sendo abordadas de diferentes formas — começando pela revisitação de Manplan proposta por Valeria Carullo —, entrar no arquivo proporcionou uma outra forma de encontro com a fotografia.

Negativos, folhas de contacto, provas, sequências e outros materiais de arquivo recordam-nos que uma fotografia de arquitetura não existe apenas enquanto imagem final e autónoma. Faz parte de um processo mais amplo de olhar, selecionar, ordenar e interpretar. O arquivo torna esse processo visível, preservando simultaneamente as relações entre fotografias, edifícios, encomendas, momentos históricos e a transformação dos lugares ao longo do tempo.

Visto desta perspetiva, o arquivo não é apenas um repositório do passado. Pode tornar-se um espaço ativo de investigação, permitindo interrogar novamente imagens existentes, relacioná-las com novas formas de conhecimento e devolvê-las à circulação contemporânea.

Esta dimensão assume particular significado no contexto de uma conferência centrada na reparação. Preservar um arquivo é também cuidar das condições que permitem manter acessível a memória cultural; ativá-lo é permitir que essa memória participe em novas conversas.

Do arquivo ao território

Da Casa da Arquitectura, a conferência prosseguiu para a Quinta da Conceição, passando da memória fotográfica para a observação direta de uma paisagem em uso.

Aqui, a proposta foi compreender a Quinta da Conceição não apenas como um conjunto patrimonial constituído por importantes elementos históricos e modernos, mas como uma paisagem cívica viva — um lugar onde arquitetura, espaço público, vegetação, água, práticas quotidianas, manutenção e formas de uso em transformação interagem continuamente. Esta abordagem integrou-se no movimento mais amplo da conferência, que procurou passar de uma reflexão sobre a visibilidade crítica para uma observação situada.

A visita permitiu, assim, tornar visível uma outra dimensão da reparação. Os edifícios e as paisagens perduram não apenas através de grandes intervenções de restauro, mas também por meio de processos contínuos de adaptação, manutenção, apropriação e cuidado. O que merece atenção não é apenas o objeto arquitetónico, mas também as relações que permitem que um lugar continue a ser habitado, partilhado e significativo.

O percurso da imagem ao arquivo, e do arquivo ao território, permitiu igualmente reconsiderar a própria fotografia. Depois de dois dias a discutir de que modo as imagens constroem formas de visibilidade, os participantes foram convidados a voltar a olhar a partir do interior da própria paisagem: a observar distâncias, vestígios, transformações, usos e relações que nem sempre podem ser plenamente compreendidos apenas através das imagens.

A conferência terminou no próprio lugar, na Quinta da Conceição. Mais do que funcionar simplesmente como um encerramento, este encontro final abriu caminho para o próximo ciclo temático da Sophia Journal — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices — e para uma questão que foi gradualmente emergindo ao longo dos dois dias: como poderemos aprender a reparar, aprendendo a olhar com maior atenção para os lugares, as imagens, as memórias e as relações através das quais os nossos ambientes comuns são continuamente construídos e reconstruídos?

 

LFA Talks — Publishing an Award, Extending a Legacy: Photography, Architecture and the Cultural Life of an Award

 

By Gabrieal Poças | Centro de Cultura U.T. Porto

 
 

LFA Talks — Publishing an Award, Extending a Legacy: Photography, Architecture and the Cultural Life of an Award

Integrated into the parallel programme of the 11th Sophia Journal International Conference, the LFA Talks brought together different voices around architectural photography, publishing and the possibilities of transforming an international award into a wider cultural platform.

PT/ENG

Luis Ferreira Alves International Photography Competition | A Contemporary Look at Architecture 2026

On 26 September, the 11th Sophia Journal International Conference — Landscapes of Repair: The Invisible City — Manplan and Contemporary Forms of Repair moved to the Culture Centre of the Technical University of Porto — UTP for its parallel programme, opening the conference beyond the more directly scientific discussions of the previous day towards publishing, the public circulation of images, and the construction of memory and legacy.

At the centre of the morning was a new session of LFA Talks — Publishing an Award, Extending a Legacy, developed around the first edition of the Luis Ferreira Alves International Photography Competition | A Contemporary Look at Architecture and the publication that emerged from it.

The session was preceded by a brief presentation of the Award's second edition by Pedro Leão Neto, who recalled that the project was created as a tribute to Luis Ferreira Alves, but was never intended to be solely retrospective. Its ambition is also to extend a particular culture of looking at architecture, encouraging photographers not simply to produce accomplished architectural images, but to construct coherent and authorial photographic series capable of proposing their own reading of a building, a group of works or a particular architectural condition.

The scale reached by the first edition — 1,495 submissions from 99 countries, leading to ten finalist series, prizes and mentions, an exhibition and a publication — provided an important background to the conversation. The second edition maintains this international dimension with a new jury composed of Paolo Rosselli, Valeria Carullo and João Pedro Serôdio, while also introducing the Portuguese Emerging Photography Award.

But the presentation also placed particular emphasis on something that extends beyond the competition itself: the network of people and institutions that makes such a project possible.

The Porto City Council and Cityscopio — Associação Cultural are the promoting bodies of the LFA Award, while its organisational structure brings together the promoting bodies with FAUP and Casa da Arquitectura. Around this core is a wider network of sponsors and strategic and institutional partners, including BPI / “la Caixa” Foundation, J. Soares Correia, CCDR-N, Metro do Porto, AMAG, panoramah!, the Portuguese Architects’ Association, the Marques da Silva Foundation Institute and the Serralves Foundation.

As Pedro Leão Neto underlined in his introduction, this collaborative dimension is fundamental: a legacy of this nature cannot be constructed through a single institution. DISCURSO_A5_DIA_26_V04_24_09_20… Instead, the Award is gradually taking shape through relationships between photography, architecture, research, publishing and different cultural institutions.

It was precisely from this broader understanding that Publishing an Award, Extending a Legacy developed.

Moderated by Jorge Sobrado, Porto City Councillor for Culture and Heritage, the conversation brought together Hugh Campbell, Cristina Gastón, Judit Taberna Torres and Gabriel Hernández, whose different academic, editorial and critical experiences created a particularly rich combination of perspectives on photography, architecture and publishing. The intention from the outset was not to stage a succession of individual presentations, but to create a genuine conversation around the table.

Jorge Sobrado gave the session an energetic and engaging rhythm. Moving easily between humour and more demanding questions, he created an informal atmosphere in which the invited researchers and authors could feel at ease while being challenged to address sometimes difficult issues. His questions became starting points rather than endpoints, moving between individual participants and opening into wider exchanges around the table. The result was a lively conversation that also drew the audience into the questions being discussed.

Some apparently simple questions proved particularly productive. What kind of profile might best characterise an architectural photographer today? What distinguishes someone who photographs architecture from an author who uses photography to question architecture? And what happens when the photographer's interpretation no longer coincides with the image that architecture — or the architect — might wish to project?

From there, the discussion moved towards the autonomous and critical universe of photography. Architectural photography does not necessarily have to confirm architecture's own discourse. It can introduce distance, ambiguity and even discomfort. Precisely because photography constructs its own point of view, it can reveal uses, contradictions, social conditions and unexpected relationships that architectural representation may prefer to leave outside the frame. In this sense, photography can sometimes make both architecture and architects uneasy — but it is also through that independence that the medium can contribute most meaningfully to architectural culture.

This became one of the most interesting threads running through the conversation: photography not simply as a means of communicating architecture, but as a way of thinking architecture differently.

The LFA Award was discussed within precisely this expanded field. Rather than ending with the selection of winners, the project has progressively generated other forms through which photographs and ideas can circulate: the publication, exhibitions, podcasts, LFA Talks, archival work and other editorial and public initiatives. Together, these different components are beginning to constitute a cultural platform in which the competition is one moment within a longer process of research, discussion and dissemination.

The publication LFA Award: A Contemporary Look at Architecture was therefore an important point of departure for the conversation, but not its limit. The book raised the question of what happens to an award after the competitive moment has passed: how selected photographic works can remain active; how publishing can establish new relationships between them; and how an award can gradually generate an archive, critical debate, international circulation and cultural continuity.

This is also where the idea of extending a legacy acquired a wider meaning. The legacy of Luis Ferreira Alves is not understood only through the preservation and study of his photographic work, important as that is, but through the possibility of activating the questions it continues to raise and creating conditions for new photographers to develop independent ways of looking at architecture, the city and territory.

As Pedro Leão Neto suggested at the beginning of the session, there is a continuity between award, publication, archive and territory: different but interconnected ways of constructing, preserving and, above all, activating a legacy.

The morning continued with A City for Everyone | Seeing Photography, with photographers Aníbal Lemos and José Manuel Rodrigues, moderated by Olívia Marques da Silva. Complementing the questions raised during the LFA Talks, this second round-table turned more directly towards photography as a way of understanding human experience within architecture and the city.

Through the photographers' work and discussion, attention shifted from architecture as an autonomous object towards the ways people inhabit, appropriate and give meaning to spaces. Photography appeared once again as more than representation: as a means of approaching everyday life, memory and the relationships through which architecture becomes part of individual and collective experience.

Together, the two conversations gave the parallel programme its particular character. They approached photography from different positions but shared an underlying conviction: that photography can do more than describe architecture. It can question it, interpret it, bring other realities into view and create a space in which architecture can be discussed more openly and profoundly.

For the LFA Award, this may ultimately be one of the most important dimensions of the project: not simply recognising significant photographic work, but gradually creating a cultural platform through which architecture can be seen, questioned and discussed differently through photography.

 

Landscapes of Repair — A Day of Research, Images and Shared Discussion in Porto)

 

By Joana Graça | OASRN

 
 

Landscapes of Repair — A Day of Research, Images and Shared Discussion in Porto

The scientific programme of the 11th Sophia Journal International Conference brought together different approaches to photography, architecture and repair, creating a lively space for exchange, debate and new encounters.

PT/ENG

Book of abstracts

On 25 September 2026, the Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section (OASRN), in Porto, hosted the scientific programme of the 11th Sophia Journal International Conference — Landscapes of Repair: The Invisible City — Manplan and Contemporary Forms of Repair.

Bringing together researchers, architects, photographers and visual practitioners from different geographical and disciplinary contexts, the conference explored how architecture and visual practices can help us recognise conditions that frequently remain outside conventional forms of representation — from overlooked everyday spaces and threatened memories to processes of transformation, deterioration, adaptation, maintenance and care.

Taking the critical legacy of Manplan, published by The Architectural Review between 1969 and 1970, as a point of departure, the day returned repeatedly to a question that remains remarkably current: what becomes visible when architectural representation turns its attention away from the isolated building and towards human experience, everyday life and the wider social, political and cultural realities through which places are inhabited?

The morning was opened by Pedro Leão Neto, coordinator of the conference, who welcomed those present and those following online before giving the floor to José Pedro Sousa, representing the Faculty of Architecture of the University of Porto (FAUP). José Pedro Sousa reflected on the significance and continuity of the Sophia Journal cycle of international conferences, a journey that has now developed over more than a decade. DISCURSO_A5_V04_24_09_2026

Pedro Leão Neto then returned to the stage to introduce and expand on the official launch of the call for Sophia Journal Vol. 12 — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices. Conceived as a continuation of the work developed through Landscapes of Repair, the new volume proposes a gradual shift from critical visibility towards situated research: from asking how we see, represent and bring overlooked realities into view, towards considering places of repair themselves as places of learning. DISCURSO_A5_V04_24_09_2026

As the morning progressed, Bruno Marques, President of the Northern Regional Board of the Portuguese Architects’ Association, who had been unexpectedly delayed and was unable to join the opening, arrived at the conference and, following the first break, offered a brief welcome and words of recognition to the participants and organising institutions.

The scientific programme continued with Valeria Carullo, Photographs Curator at the Royal Institute of British Architects (RIBA), and her keynote, Revisiting Manplan: Archive, Visibility and Public Responsibility. Her contribution revisited Manplan through the relationship between photographic archives, questions of visibility and the public responsibility involved in architectural representation. It also continued a dialogue developed through previous collaborations between RIBA and AAI — Architecture, Art and Image / CENP, including the exhibition Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, presented at OASRN earlier in 2026. DISCURSO_A5_V04_24_09_2026

From there, the conference unfolded through four panels: Making the Invisible City Visible: Memory, Image and the Politics of Representation; Repairing the Built: Heritage, Memory and Practices of Re-inscription; Critical Cartographies: Peripheries, Ordinary Spaces and Hybrid Territories; and Reparative Practices: Care, Cohabitation and Possible Futures.

Across the day, the diversity of authors, places, research methods and forms of visual practice made the conference a particularly lively space of encounter and debate. Scientific papers entered into dialogue with visual essays and practice-based research; photographic archives met contemporary image-making; and questions of heritage and memory intersected with peripheral and ordinary territories, processes of re-inscription, and practices of care, cohabitation and adaptation.

The discussions that followed each group of presentations were an important part of this exchange. Rather than leaving individual contributions as separate case studies, they allowed connections and differences to emerge between researchers working in distinct contexts but often confronting related questions. Photography, film, mapping and the visual essay appeared throughout the day not simply as means of documenting or illustrating research, but as ways of investigating architecture, cities and territories in their own right.

In this sense, the scientific programme gave concrete form to one of the ambitions expressed at its opening: to create a space for encounter between architecture and photography, research and visual culture, and between different ways of producing, communicating and sharing knowledge. DISCURSO_A5_V04_24_09_2026 The four actions proposed at the beginning of the day — seeing, interpreting, repairing and communicating — gradually became threads connecting otherwise very different contributions. DISCURSO_A5_V04_24_09_2026

The programme concluded with a collective synthesis involving guest editors Cristina Gastón and Hugh Campbell, editors Ana Miriam Rebelo, Maria Neto and Raquel Paulino, and conference coordinator Pedro Leão Neto. Rather than attempting to close the questions raised during the four panels, the final discussion reflected on the connections that had emerged and on how these might continue through the next stages of the Sophia Journal cycle.

In his closing remarks, Pedro Leão Neto also returned to something more fundamental about the value of meeting in person. Scientific gatherings such as this are not only occasions for presenting completed research. They offer the possibility of encountering at first hand researchers who share related interests, discussing work and ideas directly, discovering unexpected affinities, and meeting colleagues with whom future conversations and collaborations may develop. They also create something that is harder to reproduce at a distance: time for informal conversation, conviviality and social exchange.

This dimension seemed particularly relevant to a conference concerned with repair, visibility and care. Research is strengthened by critical discussion, but also by the relationships through which knowledge is shared and questioned. Creating spaces in which people can meet, listen to one another and engage with different experiences can contribute, in its own modest way, to a more attentive and humanised understanding of the realities we inhabit.

The first day therefore ended not with a definitive conclusion, but with conversations still open — continuing informally beyond the auditorium and preparing the transition to the public and editorial programme of 26 September.

 

From the Conference to the Archives and Territory

 
 
 

From the Conference to the Archives and Territory

Visiting the Luis Ferreira Alves Photography Archive and Quinta da Conceição

PT/ENG

During the afternoon of 26 September, the 11th Sophia Journal International Conference left the auditorium and moved into two very different but closely related contexts: first, the Luis Ferreira Alves Photography Archive at Casa da Arquitectura, and then Quinta da Conceição, in Matosinhos.

The transition was conceived as more than a change of venue. It extended the questions raised over the two days of the conference from theoretical and visual reflection towards direct encounters with two complementary fields of investigation: the photographic archive and the inhabited territory.

Entering the archive

The visit to the Luis Ferreira Alves Photography Archive brought participants into direct contact with the material legacy of a photographer whose work has played a significant role in constructing the visual memory of modern and contemporary architecture in Portugal.

After a conference in which questions of archives, visibility, representation and cultural memory had been repeatedly addressed — beginning with Valeria Carullo's reconsideration of Manplan — entering the archive offered a different form of encounter with photography.

Negatives, contact sheets, prints, sequences and other archival materials remind us that an architectural photograph does not exist only as a final autonomous image. It belongs to a larger process of looking, selecting, ordering and interpreting. The archive makes that process visible, while also preserving relationships between photographs, buildings, commissions, historical moments and the transformation of places over time.

Seen in this context, the archive is not simply a repository of the past. It can become an active research space, allowing existing images to be questioned again, connected to new forms of knowledge and returned to contemporary circulation.

This dimension is particularly meaningful within a conference concerned with repair. To preserve an archive is also to care for the conditions through which cultural memory can remain accessible; to activate it is to allow that memory to enter new conversations.

From the archive to the territory

From Casa da Arquitectura, the conference continued to Quinta da Conceição, shifting from photographic memory to the direct observation of a landscape in use.

Here, the proposal was to understand Quinta da Conceição not simply as a heritage ensemble composed of significant historical and modern elements, but as a living civic landscape — one in which architecture, public space, vegetation, water, everyday practices, maintenance and changing patterns of use continuously interact. This approach formed part of the conference's wider transition from critical visibility towards situated observation.

The visit therefore brought another meaning of repair into view. Buildings and landscapes endure not only through major acts of restoration, but through continuous processes of adaptation, maintenance, appropriation and care. What deserves attention is not only the architectural object but also the relationships that allow a place to remain inhabited, shared and meaningful.

Moving from image to archive, and from archive to territory, also made it possible to reconsider photography itself. After two days of discussing how images construct visibility, participants were invited to look again from within the landscape: to observe distances, traces, transformations, uses and relationships that cannot necessarily be understood through images alone.

The conference concluded on site at Quinta da Conceição. Rather than functioning simply as an ending, this final encounter opened towards the next thematic cycle of Sophia Journal — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices — and towards a question that had gradually emerged across the two days: how might we learn to repair by learning to look more attentively at the places, images, memories and relationships through which our shared environments are continually made and remade?

 

Sophia Journal Announces the Programme for the 11th International Conference — Landscapes of Repair

 
 
 

Sophia Journal Announces the Programme for the 11th International Conference — Landscapes of Repair

The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair
Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section (OASRN) | 25–26 September 2026 

PT/ENG

CONFERENCE LIVE STREAMING YOUTUBE . FAUP
https://www.youtube.com/live/Zvsnrhaf4cg?si=fjc65NuZ1nU72eN7

Book of abstracts

ORGANISATION

Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section (OASRN)

Faculty of Architecture, University of Porto (FAUP) | CENP — Nuno Portas Centre for Architectural Studies

Culture Centre, Technical University of Porto — UTP / FMAD / ID+

COORDINATION

Pedro Leão Neto — FAUP

GUEST EDITORS

Cristina Gastón — ETSAB–UPC

Hugh Campbell — University College Dublin

EDITORS

Ana Miriam Rebelo — FAUP

Maria Neto — FAUP

Raquel Paulino — FAUP

PARALLEL PROGRAMME

Olívia Marques da Silva — Culture Centre, Technical University of Porto — UTP / FMAD / ID+

Jorge Sobrado — Councillor for Culture and Heritage, Porto City Council

The 11th Sophia Journal International Conference — Landscapes of Repair: The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair will take place in Porto on 25 and 26 September 2026, with an in-person programme and online streaming.

On 25 September, the scientific programme will be held at the Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section (OASRN). On 26 September, the parallel programme will take place at the Culture Centre, Technical University of Porto — UTP, followed in the afternoon by a visit to Quinta da Conceição, in Matosinhos.

Across the two days, the conference will bring together researchers, architects, photographers, artists, editors and other professionals to explore the relationships between architecture, image, the city and contemporary forms of repair.

Part of the fourth thematic cycle of Sophia Journal, the conference proposes a broad understanding of repair. Rather than being understood solely as a technical intervention on buildings, infrastructures or landscapes, repair is approached as an ethical, social, cultural, ecological and imaginative practice, capable of recognising vulnerabilities, bringing often overlooked conditions into view, and renewing relationships between people, places and institutions.

The conference takes as its starting point the critical legacy of Manplan, the series published by The Architectural Review between 1969 and 1970. By confronting the promises of architecture and planning with the realities of everyday life, Manplan shifted the focus of architectural representation away from the isolated building and towards human experience and the social, political and economic systems that shape the conditions of inhabitation.

More than fifty years later, this perspective remains particularly relevant in the face of urban inequalities, housing precarity, deteriorating infrastructures, environmental pressures, the invisibility of maintenance work and other, sometimes less apparent, forms of collective wear and exhaustion.

Making the Invisible City Visible

The Invisible City does not refer here to an absent territory, but rather to a set of experiences, relationships, practices and tensions that tend to remain outside dominant regimes of visibility: ordinary uses of space, informal forms of adaptation, threatened memories, urban voids and interstices, material traces and networks of care that sustain collective life.

Making these realities visible also requires us to reflect on the forms of representation themselves: who produces the images, who is represented, through which languages and framings, and with what consequences.

It is in this sense that photography, film, critical cartography and the visual essay are understood by Sophia Journal not simply as means of documentation, but as instruments of research and knowledge production. They can reveal inequalities and transformations, follow processes of deterioration or abandonment, bring different temporalities into relation and, at the same time, contribute to imagining other forms of care, repair and transformation.

The conference brings together research papers and visual essays that explore these questions through case studies situated in different cities, landscapes, buildings and communities.

From the Legacy of Manplan to Contemporary Practices of Repair

The 11th International Conference continues the programme Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, developed at OASRN throughout 2026.

The Wide-Angle View exhibition, which opened on 27 February, revisited the influential photographic series Manplan and was accompanied, between March and May, by a programme of guided visits, public conversations, educational activities and round tables that sought to bring the critical memory of this editorial experiment into dialogue with contemporary questions surrounding housing, the city, public space and representation.

The conference does not bring this process to a close. On the contrary, it extends it, bringing the legacy of Manplan into dialogue with contemporary practices of visual research, representation and intervention, while asking how looking, documenting and making visible may themselves constitute a first form of repair.

25 September — Scientific Programme

The first day forms the scientific core of the conference and will take place in the auditorium of the Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section.

Following the institutional opening by the Portuguese Architects’ Association — Northern Regional Section, José Pedro Sousa, representing FAUP, will give a brief introduction to the Sophia Journal cycle at FAUP. Pedro Leão Neto will then officially launch the call for Sophia Journal Vol. 12 — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices, thus carrying forward the reflection initiated through Landscapes of Repair.

This will be followed by a keynote lecture by Valeria Carullo, Curator of Photography at the Royal Institute of British Architects — RIBA, focusing on the Manplan archive, the politics of visibility and the public responsibility of architectural representation.

Valeria Carullo’s participation continues the collaboration developed through Wide-Angle View, whose Porto exhibition emerged from a dialogue with the curatorial research previously undertaken at the RIBA.

Throughout the day, four thematic panels will bring together research papers and visual essays addressing memory and archives, heritage and reuse, critical cartographies, and practices of care, maintenance and repair.

Programme

09:15 — Reception and Registration

09:30–09:40 — Institutional Opening

Bruno Marques

President of the Northern Regional Board of the Portuguese Architects’ Association

09:40–09:50 — Introduction to the Sophia Journal Cycle at FAUP

José Pedro Sousa

representing FAUP

09:50–10:00 — Official Launch of the Call for Sophia Journal Vol. 12

Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices

Pedro Leão Neto

representing CENP

10:00–10:45 — KEYNOTE

Valeria Carullo

Revisiting Manplan: Archive, Visibility and Public Responsibility

10:45–11:05 — Coffee Break

11:05–12:45 — PANEL 1

Making the Invisible City Visible: Memory, Image and the Politics of Representation

Guiding question

What can images make visible that conventional architectural representation leaves unseen — and when can visibility itself become a form of repair?

Chairs: Hugh Campbell & Cristina Gastón

Papers

Sunyoung Park

Photosculpture as a Form of Care and Repair: Re-materialising the Invisible City after Manplan

Ljubica Miric

Remembering the Future City: From Imagination to the Urban Condition

Jared Fantasia & João Soares

Lessons from the Ground: An Architectural Essay on Robert Smithson and the Reclamation of the Post-Industrial Landscape

Visual Essay

Aislinn McCarthy & Evelyn Ågren — A Visual Account of Home as a Situated Place of Resistance

Adrian Aleson & Fernanda del Villar — [Re]Building a Wall

Discussion

12:45–13:45 — Lunch Break

13:45–15:15 — PANEL 2

Repairing the Built: Heritage, Memory and Practices of Re-inscription

Guiding question

How can architecture intervene in what remains without erasing the histories, memories and absences through which the built environment has acquired meaning?

Chair: Ana Miriam Rebelo

Papers

Ana Sofia Pinto & João Pedro Bragança

Back to What Never Was: The Re-inscription of the Monastery of Santa Maria do Mar

Andrea Crudeli

Adaptive Reuse as Critical Repair: The Case of Massimo Carmassi in Pisa

Ana João Costa e Silva

Preserve the Pozzuoli Cathedral: Between Safeguarding the Remaining and Perpetuating the Vanished

Visual Essay

Diana Nichita

Visibility as Repair: Reading Bucharest’s Hidden Layer

Discussion

15:15–15:30 — Coffee Break

15:30–17:10 — PANEL 3

Critical Cartographies: Peripheries, Ordinary Spaces and Hybrid Territories

Guiding question

How can alternative forms of mapping and visual inquiry make peripheral, informal and ordinary territories legible without reducing the complexity of the lives, practices and systems that produce them?

Chair: Maria Neto

Papers

Paulo Moreira

Counter-Mapping as Reparative Practice: Introducing 3D Voice and the Politics of Spatial Representation in Stjwetla, Johannesburg

Francisca Machado & Eduardo Fernandes

Repairing with Memory: Informal Practices and the Rehabilitation of the Ilha da Bela Vista

Francisco Côrte

Food and Leisure: Visual Practices for Mending the City/Countryside Relationship

Visual Essays

Ana Brandão & João Cunha Borges

Mapping Ordinary Public Spaces: A Visual Investigation of Lisbon’s Suburbs

Tomita da Silva

Layers in Motion: Visualizing Hybrid Landscapes on Porto Metropolitan Area’s Northern Seaboard

Discussion

17:10–17:20 — Short Break

17:20–18:45 — PANEL 4

Reparative Practices: Care, Cohabitation and Possible Futures

Guiding question

What does it mean to practise repair — not as the restoration of a previous condition, but as the creation of new relations of care, recognition, cohabitation and possibility?

Chair: Raquel Paulino

Papers

Mounira Zennia

“Public Use” – Strategies of Repair in Cameron Rowland’s Amt 45 i

Filipe Lourenço

Architecture as Identity Repair: Visibility, Practice, and Post-Independence Algeria (1962–1979)

António Olivera

Speculative Repair and Urban Dysfunction: A Wittgensteinian Reading of the Contemporary City through Lisbon

Visual Essay

Anna Positano / Corpi Idrici / Gaia Cambiaggi

Underground Habitats and Post-Industrial Ecosystems

Discussion

18:45–19:00 — Closing Remarks and Final Synthesis

Cristina Gastón & Hugh Campbell

Guest Editors

Ana Miriam Rebelo, Maria Neto & Raquel Paulino

Editors

26 September — Parallel Programme: From Research to the Public and Editorial Realm

On the second day, the conference, held in the auditorium of the Culture Centre, Technical University of Porto — UTP, opens up to a more editorial, professional and public dimension, extending the scientific discussions through two encounters dedicated to photography, architecture, publishing and the construction of cultural legacies.

The morning begins with LFA Talks — Publishing an Award, Extending a Legacy, dedicated to the publication LFA Award: A Contemporary Look at Architecture and to the ways in which an international photography award can move beyond the competitive moment to generate an archive, publishing projects, critical debate and cultural continuity.

Moderated by Jorge Sobrado, the conversation will bring together Hugh Campbell, Cristina Gastón, Judit Taberna Torres and Gabriel Hernández.

This will be followed by A City for Everyone | Seeing Photography, with Aníbal Lemos and José Manuel Rodrigues, in a conversation devoted to the relationships between photography, architecture, society and the human experience of the city, with Olívia Marques da Silva proposed as moderator.

Programme

09:30–09:35 — Opening of the Parallel Programme

Olívia Marques da Silva

Culture Centre, Technical University of Porto — UTP / FMAD / ID+

A brief introduction to the programme for the conference’s second day and its relationship to the public, editorial and cultural dimensions of Landscapes of Repair.

09:35–09:45 — LFA Award 2026–27 | Presentation of the 2nd Edition

Pedro Leão Neto

Presentation of the 2nd edition of the Luis Ferreira Alves Photography Award — A Contemporary Look at Architecture, whose Open Call officially launched on 25 September 2026, introducing the award’s international framework and objectives, the new cycle of submissions, and the associated programme of prizes, exhibition, publication and dissemination.

09:45–11:10 — LFA Talks — Publishing an Award, Extending a Legacy

Moderator: Jorge Sobrado

Guests:

Hugh Campbell

Cristina Gastón

Judit Taberna Torres

Gabriel Hernández

11:10–11:30 — Coffee Break

11:30–13:00 — A City for Everyone | Seeing Photography

Aníbal Lemos and José Manuel Rodrigues

Proposed moderator: Olívia Marques da Silva

13:00–14:30 — Lunch Break

From the Conference to the ARCHIVES AND Territory — Visit TO the PHOTOGRAPHY Archive of LUIS FERREIRA ALVESAND to Quinta da Conceição

During the afternoon, the conference moves from the Culture Centre to the Photography Archive of Luis ferreira Alves and Quinta da Conceição, in Matosinhos, shifting the discussion from theoretical and visual reflection towards the archive and the situated observation of the territory.

14:30 - 15:30 | Visit to the PHOTOGRAPHY Archive of LUIS FERREIRA ALVES - House of Architecture

16:00 - 17:00 | GUIDED TOUR OF QUINTA DA CONCEIÇÃO | FROM HERITAGE TO CIVIL LANDSCAPE

17:30 — Closing of the Conference on Site

The visit proposes an understanding of Quinta da Conceição not simply as a heritage ensemble, but as a living civic landscape, where historic heritage, modern architecture, public space, vegetation, water, everyday uses and processes of maintenance continually intersect.

By concluding in the field, the conference establishes a direct relationship between critical visibility and experience, while also anticipating some of the questions that will structure the next thematic cycle of Sophia Journal: how might we learn to repair through attentiveness to place, visual research, situated pedagogies and a collective responsibility towards the spaces we inhabit?

Sophia Journal: Research, Image and International Debate

Sophia Journal has increasingly established itself as an international forum for research and critical debate at the intersections between architecture, photography, film and other visual practices.

Its international conferences reinforce this dimension, creating opportunities for encounters between researchers, architects, artists, photographers, students and professionals from different geographical and disciplinary contexts, in a dialogue closely connected to the journal’s academic and editorial programme.

The abstracts of the contributions presented at the conference will be brought together in an e-book of abstracts, which will also include the conference programme and will be made freely available through the Sophia Journal OJS platform.

Subsequently, the contributions considered most relevant, developed and expanded as full research papers or visual essays and subject to the appropriate editorial and peer-review processes, will be published in:

Sophia Journal — Volume 11, No. 1

Landscapes of Repair: The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair

Through this 11th International Conference, Sophia Journal seeks to create a space in which critical memory, visual research and design imagination can converge around an increasingly urgent question: how can we recognise what needs to be repaired, and how might architecture and images contribute to new forms of attention, care and collective responsibility?

For further information:

info.sophiajournal@arq.up.pt

 

Sophia Journal Vol. 11 anuncia conferência internacional na OASRN em torno de Paisagens de Reparação

 
 
 

Sophia Journal Vol. 11 anuncia conferência internacional na OASRN em torno de Paisagens de Reparação

A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação
Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte (OASRN) |25-26 SETEMBRO 2026
 

PT/ENG

CONFERENCE LIVE STREAMING YOUTUBE . FAUP
https://www.youtube.com/live/Zvsnrhaf4cg?si=fjc65NuZ1nU72eN7

Book of abstracts

ORGANIZAÇÃO
Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte (OASRN)
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) | CENP — Centro de Estudos Nuno Portas
Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP / FMAD / ID+

COORDENAÇÃO
Pedro Leão Neto — FAUP

EDITORES CONVIDADOS
Cristina Gastón — ETSAB–UPC
Hugh Campbell — University College Dublin

EDITORAS
Ana Miriam Rebelo — FAUP
Maria Neto — FAUP
Raquel Paulino — FAUP

PROGRAMA PARALELO
Olívia Marques da Silva — Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP / FMAD / ID+

Jorge Sobrado - Vereador da Cultura e do Património da Câmara Municipal do Porto

A 11.ª Conferência Internacional Sophia Journal — Paisagens de Reparação: A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação realiza-se nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, no Porto, com um programa presencial e com transmissão online.

No dia 25 de setembro, o programa científico terá lugar na Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte (OASRN). No dia 26 de setembro, o programa paralelo decorrerá no Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP, seguindo-se, durante a tarde, uma visita à Quinta da Conceição, em Matosinhos.

Ao longo dos dois dias, a conferência reunirá investigadores, arquitetos, fotógrafos, artistas, editores e outros profissionais em torno das relações entre arquitetura, imagem, cidade e formas contemporâneas de reparação.

Integrada no quarto ciclo temático da Sophia Journal, a conferência propõe uma compreensão alargada da reparação. Mais do que uma intervenção técnica sobre edifícios, infraestruturas ou paisagens, esta é entendida como uma prática simultaneamente ética, social, cultural, ecológica e imaginativa, capaz de reconhecer vulnerabilidades, tornar visíveis situações frequentemente negligenciadas e reativar relações entre pessoas, lugares e instituições.

A conferência toma como ponto de partida o legado crítico de Manplan, a série publicada por The Architectural Review entre 1969 e 1970. Ao confrontar as promessas da arquitetura e do planeamento com as condições concretas da vida quotidiana, Manplan deslocou o centro da representação arquitetónica do edifício isolado para a experiência humana e para os sistemas sociais, políticos e económicos que condicionam o habitar.

Mais de cinquenta anos depois, este olhar permanece particularmente atual perante as desigualdades urbanas, a precariedade habitacional, a deterioração das infraestruturas, as pressões ambientais, a invisibilidade do trabalho de manutenção e outras formas, por vezes menos evidentes, de desgaste coletivo.

Tornar visível a cidade invisível

A Cidade Invisível não designa aqui um território ausente, mas antes um conjunto de experiências, relações, práticas e tensões que tendem a permanecer fora dos regimes dominantes de visibilidade: os usos ordinários do espaço, as formas informais de adaptação, as memórias ameaçadas, os vazios e interstícios urbanos, os vestígios materiais e as redes de cuidado que sustentam a vida coletiva.

Tornar estas realidades visíveis implica também refletir sobre as próprias formas de representação: quem produz as imagens, quem é representado, através de que linguagens e enquadramentos e com que consequências.

É neste sentido que a fotografia, o filme, a cartografia crítica e o ensaio visual são entendidos pela Sophia Journal não apenas enquanto meios de documentação, mas enquanto instrumentos de investigação e produção de conhecimento. Estes podem revelar desigualdades e transformações, acompanhar processos de desgaste ou abandono, relacionar diferentes temporalidades e, simultaneamente, contribuir para imaginar outras formas de cuidado, reparação e transformação.

A conferência reúne artigos e ensaios visuais que exploram estas questões através de casos de estudo situados em diferentes cidades, paisagens, edifícios e comunidades.

Do legado de Manplan às práticas contemporâneas de reparação

A 11.ª Conferência Internacional dá continuidade ao programa Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70, desenvolvido na OASRN ao longo de 2026.

A exposição Wide-Angle View, inaugurada a 27 de fevereiro, revisitou a influente série fotográfica Manplan e foi acompanhada, entre março e maio, por um programa de visitas, conversas públicas, ações educativas e mesas-redondas que procuraram colocar a memória crítica desta experiência editorial em diálogo com questões contemporâneas relacionadas com a habitação, a cidade, o espaço público e a representação.

A conferência não encerra esse processo. Pelo contrário, amplia-o, aproximando o legado de Manplan de práticas contemporâneas de investigação visual, representação e intervenção e interrogando de que modo olhar, documentar e tornar visível pode constituir já uma primeira forma de reparação.

25 de setembro — Programa científico

O primeiro dia concentra o núcleo científico da conferência e terá lugar no auditório da . Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte.

Depois da abertura institucional pela Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte, José Pedro Sousa em representação da FAUP fará uma breve introdução ao Ciclo Sophia Journal na FAUP e, em seguida, Pedro Leão Neto apresentará oficialmente a chamada para a Sophia Journal Vol. 12 — Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices, dando assim continuidade à reflexão iniciada em Landscapes of Repair.

Segue-se a keynote de Valeria Carullo, curadora de fotografia do Royal Institute of British Architects — RIBA, com uma intervenção centrada no arquivo Manplan, nas políticas de visibilidade e na responsabilidade pública da representação arquitetónica.

A participação de Valeria Carullo prolonga a colaboração desenvolvida no âmbito de Wide-Angle View, cuja exposição no Porto resultou de um diálogo com a investigação curatorial anteriormente realizada no RIBA.

Ao longo do dia terão lugar quatro painéis temáticos, articulando artigos científicos e ensaios visuais em torno da memória e do arquivo, do património e da reutilização, das cartografias críticas e das práticas de cuidado, manutenção e reparação.

Programa — 25 de setembro de 2026

09h15 — Receção e Registo

09h30–09h40 — Abertura Institucional

Bruno Marques

Presidente do Conselho Diretivo Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos

09h40–09h50 — Introdução ao Ciclo Sophia Journal na FAUP

José Pedro Sousa

em representação da FAUP

09h50–10h00 — Lançamento Oficial da Chamada para o Sophia Journal Vol. 12

Learning Repair: Situated Pedagogies, Civic Landscapes and Visual Practices

Pedro Leão Neto

em representação do CENP

10h00–10h45 — CONFERÊNCIA PRINCIPAL | KEYNOTE

Valeria Carullo

Revisiting Manplan: Archive, Visibility and Public Responsibility

 

10h45–11h05 — Pausa para Café

 

11h05–12h45 — PAINEL 1

Tornar Visível a Cidade Invisível: Memória, Imagem e Políticas da Representação

Pergunta orientadora

O que podem as imagens tornar visível que a representação arquitetónica convencional deixa por ver — e em que circunstâncias pode a própria visibilidade tornar-se uma forma de reparação?

Moderação: Hugh Campbell & Cristina Gastón

Comunicações

Sunyoung Park

Photosculpture as a Form of Care and Repair: Re-materialising the Invisible City after Manplan

Ljubica Miric

Remembering the Future City: From Imagination to the Urban Condition

Jared Fantasia & João Soares

Lessons from the Ground: An Architectural Essay on Robert Smithson and the Reclamation of the Post-Industrial Landscape

Ensaio Visual

Aislinn McCarthy & Evelyn Ågren

A Visual Account of Home as a Situated Place of Resistance

Adrian Aleson & Fernanda del Villar

[Re]Building a Wall

Discussão

 

12h45–13h45 — Pausa para Almoço

 

13h45–15h15 — PAINEL 2

Reparar o Construído: Património, Memória e Práticas de Reinscrição

Pergunta orientadora

Como pode a arquitetura intervir sobre aquilo que permanece sem apagar as histórias, memórias e ausências através das quais o ambiente construído adquiriu significado?

Moderação: Ana Miriam Rebelo

Comunicações

Ana Sofia Pinto & João Pedro Bragança

Back to What Never Was: The Re-inscription of the Monastery of Santa Maria do Mar

Andrea Crudeli

Adaptive Reuse as Critical Repair: The Case of Massimo Carmassi in Pisa

Ana João Costa e Silva

Preserve the Pozzuoli Cathedral: Between Safeguarding the Remaining and Perpetuating the Vanished

Ensaio Visual

Diana Nichita

Visibility as Repair: Reading Bucharest’s Hidden Layer

Discussão

 

15h15–15h30 — Pausa para Café

 

15h30–17h10 — PAINEL 3

Cartografias Críticas: Periferias, Espaços Comuns e Territórios Híbridos

Pergunta orientadora

Como podem formas alternativas de cartografia e investigação visual tornar legíveis territórios periféricos, informais e comuns sem reduzir a complexidade das vidas, práticas e sistemas que os produzem?

Moderação: Maria Neto

Comunicações

Paulo Moreira

Counter-Mapping as Reparative Practice: Introducing 3D Voice and the Politics of Spatial Representation in Stjwetla, Johannesburg

Francisca Machado & Eduardo Fernandes

Repairing with Memory: Informal Practices and the Rehabilitation of the Ilha da Bela Vista

Francisco Côrte

Food and Leisure: Visual Practices for Mending the City/Countryside Relationship

Ensaios Visuais

Ana Brandão & João Cunha Borges

Mapping Ordinary Public Spaces: A Visual Investigation of Lisbon’s Suburbs

Tomita da Silva

Layers in Motion: Visualizing Hybrid Landscapes on Porto Metropolitan Area’s Northern Seaboard

Discussão

 

17h10–17h20 — Breve Intervalo

 

17h20–18h45 — PAINEL 4

Práticas Reparadoras: Cuidado, Coabitação e Futuros Possíveis

Pergunta orientadora

O que significa praticar a reparação — não como restabelecimento de uma condição anterior, mas como criação de novas relações de cuidado, reconhecimento, coabitação e possibilidade?

Moderação: Raquel Paulino

Comunicações

Mounira Zennia

“Public Use” – Strategies of Repair in Cameron Rowland’s Amt 45 i

Filipe Lourenço

Architecture as Identity Repair: Visibility, Practice, and Post-Independence Algeria (1962–1979)

António Olivera

Speculative Repair and Urban Dysfunction: A Wittgensteinian Reading of the Contemporary City through Lisbon

Ensaio Visual

Anna Positano / Corpi Idrici / Gaia Cambiaggi

Underground Habitats and Post-Industrial Ecosystems

Discussão

 

18h45–19h00 — Considerações Finais e Síntese

Cristina Gastón & Hugh Campbell

Editores Convidados

Ana Miriam Rebelo, Maria Neto & Raquel Paulino

Editoras

26 de setembro — Programa paralelo: Da investigação à dimensão pública e editorial

No segundo dia, a conferência que terá lugar no auditório do Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP abre-se a uma dimensão mais editorial, profissional e pública, prolongando os temas científicos através de dois encontros dedicados à fotografia, à arquitetura, à publicação e à construção de legados culturais.

A manhã começa com a sessão LFA Talks — Publicar um Prémio, prolongar um legado, dedicada à publicação LFA Award: A Contemporary Look at Architecture e à forma como um prémio internacional de fotografia pode ultrapassar o momento competitivo, gerando arquivo, edição, debate crítico e continuidade cultural.

Moderada por Jorge Sobrado, a conversa contará com Hugh Campbell, Cristina Gastón, Judit Taberna Torres e Gabriel Hernández

Segue-se Cidade de Todos | Ver Fotografia, com Aníbal Lemos e José Manuel Rodrigues, numa conversa dedicada às relações entre fotografia, arquitetura, sociedade e experiência humana da cidade, com moderação proposta de Olívia Marques da Silva.

Programa — 26 de setembro de 2026

09h30–09h35 — Abertura do Programa Paralelo

Olívia Marques da Silva
Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP / FMAD / ID+

Breve enquadramento do programa do segundo dia da conferência e da sua articulação com as dimensões pública, editorial e cultural de Paisagens de Reparação.

09h35–09h45 — LFA Award 2026–27 | Apresentação da 2.ª edição

Pedro Leão Neto

Apresentação da 2.ª edição do Luis Ferreira Alves Photography Award — Um Olhar Contemporâneo sobre a Arquitetura, cuja Open Call abriu oficialmente a 25 de setembro de 2026, dando a conhecer o enquadramento internacional do prémio, os seus objetivos, o novo ciclo de candidaturas e o programa associado de prémios, exposição, publicação e divulgação.

09h45–11h10 — LFA Talks — Publicar um Prémio, prolongar um legado

Moderação: Jorge Sobrado

Convidados:
Hugh Campbell
Cristina Gastón
Judit Taberna Torres
Gabriel Hernández

11h10–11h30 — Pausa para café

11h30–13h00 — Cidade de Todos | Ver Fotografia

Aníbal Lemos e José Manuel Rodrigues

Moderação proposta: Olívia Marques da Silva

13h00–14h30 — Pausa para almoço

Da conferência para o território — visita à Quinta da Conceição

Durante a tarde, a conferência desloca-se do Centro de Cultura para a Quinta da Conceição, em Matosinhos, propondo uma passagem da discussão teórica e visual para a observação situada do território.

14h30 — Partida para a Quinta da Conceição

15h00–17h30 — Visita de estudo — Quinta da Conceição | Do objeto patrimonial à paisagem cívica: arquitetura, uso, manutenção e reparação

17h30 — Encerramento da conferência no local

A visita propõe uma leitura da Quinta da Conceição não apenas enquanto conjunto patrimonial, mas como uma paisagem cívica viva, onde património histórico, arquitetura moderna, espaço público, vegetação, água, usos quotidianos e processos de manutenção se cruzam continuamente.

Ao terminar no terreno, a conferência estabelece uma relação direta entre visibilidade crítica e experiência, antecipando simultaneamente algumas das questões que irão estruturar o próximo ciclo da Sophia Journal: como aprender a reparar através da atenção aos lugares, da investigação visual, de pedagogias situadas e de uma responsabilidade coletiva perante os espaços que habitamos.

Sophia Journal: investigação, imagem e debate internacional

A Sophia Journal tem vindo a afirmar-se como um fórum internacional dedicado à investigação e ao debate crítico nas interseções entre arquitetura, fotografia, cinema e outras práticas visuais.

As suas conferências internacionais reforçam esta dimensão, criando oportunidades de encontro entre investigadores, arquitetos, artistas, fotógrafos, estudantes e profissionais de diferentes contextos geográficos e disciplinares, num diálogo estreitamente articulado com a publicação científica e editorial da revista.

Os resumos das comunicações apresentadas na conferência serão reunidos num e-book de abstracts, que incluirá igualmente o programa e ficará disponível gratuitamente através da plataforma OJS da Sophia Journal.

Posteriormente, as contribuições consideradas mais relevantes, desenvolvidas e aprofundadas na forma de artigos científicos ou ensaios visuais completos e sujeitas aos correspondentes processos editoriais e de revisão por pares, integrarão a edição:

Sophia Journal — Volume 11, No. 1
Landscapes of Repair: The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair

Com esta 11.ª Conferência Internacional, Sophia Journal procura, assim, criar um espaço onde memória crítica, investigação visual e imaginação projetual possam convergir em torno de uma questão cada vez mais urgente: como reconhecer aquilo que precisa de ser reparado e como construir, através da arquitetura e das imagens, novas formas de atenção, cuidado e responsabilidade coletiva.

Para mais informações:
info.sophiajournal@arq.up.pt

 

Sophia Journal Vol. 11 Announces International Conference at OASRN on Landscapes of Repair

 
 
 

Sophia Journal Vol. 11 Announces International Conference at OASRN on Landscapes of Repair

Order of Architects – Northern Regional Section (OASRN) | September 25-26, 2026

Abstract deadline: 31 JANUARY 2026

PT/ENG

ORGANIZATION

OASRN

FAUP | CENP | AAI

UTP / FMAD / ID+

COORDINATION

Pedro Leão Neto (FAUP)

ORGANIZING COMMITTEE / EDITORS

Ana Miriam Rebelo (FAUP)

Maria Neto (FAUP/UBI)

Raquel Paulino (FAUP)

Cristina Gastón (ETSAB-UPC) - Guest Editor

Hugh Campbell (UCD) - Guest Editor

Parallel Program

Olívia Marques da Silva (Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP / FMAD / ID+)

The international conference Sophia Journal Vol. 11 — Landscapes of Repair. The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair will take place in September 2026 at the Order of Architects – Northern Regional Section, on September 25th (morning and afternoon) and September 26th (morning).

Part of the fourth thematic cycle of the Sophia Journal, dedicated to Landscapes of Repair, the conference proposes a broad reflection on the role of photography, cinema, and other visual practices in the critical reading of contemporary cities and territories. The event will continue the work developed by the Sophia Journal as an editorial and scientific platform dedicated to the relationship between architecture, art, and image, especially how visual media can contribute to the research, documentation, and transformation of built space.

This initiative also continues and reinforces the success of the parallel program and events already held within the framework of the exhibition Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, consolidating the partnership between FAUP, through the Nuno Portas Studies Center, in particular the Architecture, Art and Image research group and the Sophia Journal editorial and scientific project, and the Order of Architects – Northern Regional Section.

The Wide-Angle View exhibition, inaugurated at OASRN on February 27th, revisited the influential photographic series Manplan — originally published by The Architectural Review magazine between 1969 and 1970 — which sought to critically analyze the role of architecture in social organization and contemporary living conditions. The exhibition's parallel program, held between March 12th and May 29th, 2026, included guided tours, public talks, educational activities, and the HABITAR roundtable series. Between Project and Life: Promoting a dialogue between the critical memory of Manplan and the current challenges of the city and housing.

The Sophia Journal Vol. 11 conference delves deeper into this framework, using the Manplan series as a starting point to revisit a question that remains urgent: how can architecture, planning, and visual practices make visible the social, political, ecological, and material pressures that shape the contemporary city? More than fifty years later, Manplan's legacy continues to challenge architecture by denouncing the mismatch between project intentions and lived reality, placing people, ways of living, and urban conditions at the center of the image.

Under the title "The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Reparation," the conference will explore how photography, film, and visual essays can reveal inequalities, systemic failures, processes of urban decay, and possibilities for transformation. In the current context, marked by the climate crisis, social precarity, deteriorating infrastructure, and less visible forms of collective exhaustion, reparation emerges as a task that is simultaneously ethical, material, ecological, and imaginative.

Sophia Journal has established itself as an international forum for debate around architecture, photography, film, and visual practices. The 7th Sophia Journal International Conference, dedicated to Landscapes of Care, was held in 2022 at the Fernando Távora Auditorium, FAUP, with a program focused on the dialogue between architecture, art, and image. The launch of Sophia Journal Vol. 8, hosted by OASRN, also reinforced the importance of the journal as a meeting place for students, researchers, professionals, and international editors, highlighting the role of photography and film in valuing places, processes, and architectural and landscape heritage.

The Sophia Journal Vol. 11 No. 1 edition features Cristina Gastón (ETSAB-UPC) and Hugh Campbell (University College Dublin) as guest editors, and Ana Miriam Rebelo, Maria Neto, and Raquel Paulino (FAUP) as editors.

The conference will also include Valeria Carullo as a keynote speaker, continuing the collaboration developed within the Wide-Angle View project. A photography curator at the Royal Institute of British Architects (RIBA), Valeria Carullo accompanied the exhibition's opening at OASRN with a guided tour, reinforcing the connection between the presentation in Porto and the curatorial research.

With this new conference, Sophia Journal proposes a space for debate on the urgent need to repair a fragmented planet, questioning the contemporary city from its visible and invisible layers. Between critical memory, visual investigation, and design imagination, Landscapes of Repair invites authors, researchers, architects, artists, and image professionals to consider new forms of witnessing, attention, and coexistence.

For any queries:

Please contact our Editors at info.sophiajournal@arq.up.pt

 

Sophia Journal Vol. 11 anuncia conferência internacional na OASRN em torno de Paisagens de Reparação

 
 
 

Sophia Journal Vol. 11 anuncia conferência internacional na OASRN em torno de Paisagens de Reparação

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte (OASRN) |25-26 SETEMBRO 2026 

PT/ENG

ORGANIZAÇÃO
OASRN
FAUP | CENP | AAI
UTP / FMAD / ID+

COORDENAÇÃO
Pedro Leão Neto (FAUP)

COMISSÃO ORGANIZADORA / EDITORES
Ana Miriam Rebelo (FAUP)
Maria Neto (FAUP/UBI)
Raquel Paulino (FAUP)

Cristina Gastón (ETSAB-UPC) - Guest Editor
Hugh Campbell (UCD) - Guest Editor

Programa Paralelo
Olívia Marques da Silva (Centro de Cultura, Universidade Técnica do Porto — UTP / FMAD / ID+)

A conferência internacional Sophia Journal Vol. 11 — Paisagens de Reparação. A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação terá lugar em setembro de 2026, na Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte, decorrendo no dia 25 de setembro, de manhã e de tarde, e no dia 26 de setembro, durante a manhã.

Integrada no quarto ciclo temático da Sophia Journal, dedicado às Paisagens de Reparação, a conferência propõe uma reflexão alargada sobre o papel da fotografia, do cinema e de outras práticas visuais na leitura crítica das cidades e territórios contemporâneos. O encontro dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela Sophia Journal enquanto plataforma editorial e científica dedicada à relação entre arquitetura, arte e imagem, em particular à forma como os meios visuais podem contribuir para a investigação, documentação e transformação do espaço construído.

Esta iniciativa dá também continuidade e reforça o sucesso do programa paralelo e dos eventos já realizados no âmbito da exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70, consolidando a parceria entre a FAUP, através do Centro de Estudos Nuno Portas, em particular do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem e do projeto editorial e científico Sophia Journal, e a Ordem dos Arquitectos — Secção Regional Norte.

A exposição Wide-Angle View, inaugurada na OASRN no dia 27 de fevereiro, revisitou a influente série fotográfica Manplan — publicada originalmente pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970 —, que procurou analisar criticamente o papel da arquitetura na organização social e nas condições de vida contemporâneas. O programa paralelo da exposição, realizado entre 12 de março e 29 de maio de 2026, integrou visitas guiadas, conversas públicas, ações educativas e o ciclo de mesas-redondas HABITAR. Entre o projeto e a vida, promovendo um diálogo entre a memória crítica da Manplan e os desafios atuais da cidade e da habitação.

A conferência Sophia Journal Vol. 11 aprofunda este enquadramento, partindo da série Manplan para revisitar uma questão que permanece urgente: de que modo podem a arquitetura, o planeamento e as práticas visuais tornar visíveis as pressões sociais, políticas, ecológicas e materiais que moldam a cidade contemporânea? Mais de cinquenta anos depois, o legado da Manplan continua a interpelar a arquitetura, ao denunciar o desfasamento entre as intenções do projeto e a realidade vivida, colocando as pessoas, os modos de habitar e as condições urbanas no centro da imagem.

Sob o título A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação, a conferência procurará discutir como a fotografia, o filme e os ensaios visuais podem revelar desigualdades, falhas sistémicas, processos de desgaste urbano e possibilidades de transformação. No contexto atual, marcado pela crise climática, pela precariedade social, pela deterioração de infraestruturas e por formas menos visíveis de exaustão coletiva, a reparação surge como uma tarefa simultaneamente ética, material, ecológica e imaginativa.

A Sophia Journal tem vindo a afirmar-se como um fórum internacional de debate em torno da arquitetura, da fotografia, do cinema e das práticas visuais. A 7.ª Conferência Internacional Sophia Journal, dedicada a Landscapes of Care, realizou-se em 2022 no Auditório Fernando Távora, na FAUP, com um programa centrado no diálogo entre arquitetura, arte e imagem. Também o lançamento da Sophia Journal Vol. 8, acolhido pela OASRN, reforçou a importância da revista como espaço de encontro entre estudantes, investigadores, profissionais e editores internacionais, sublinhando o papel da fotografia e do filme na valorização dos lugares, dos processos e do património arquitetónico e paisagístico.

A edição Sophia Journal Vol. 11 No. 1 conta com Cristina Gastón — ETSAB-UPC — e Hugh Campbell — University College Dublin — como editores convidados, e com Ana Miriam Rebelo, Maria Neto e Raquel Paulino, da FAUP, como editoras.

A conferência contará ainda com a participação de Valeria Carullo como keynote speaker, dando continuidade à colaboração desenvolvida no âmbito do projeto Wide-Angle View. Curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects — RIBA, Valeria Carullo acompanhou a inauguração da exposição na OASRN com uma visita guiada, reforçando a ligação entre a apresentação no Porto e a investigação curatorial que esteve na base da exposição realizada no RIBA, em 2023. A sua presença na conferência permitirá prolongar criticamente este diálogo em torno da série Manplan, da fotografia de arquitetura e do papel das práticas visuais na leitura social do espaço construído.

Com esta nova conferência, a Sophia Journal propõe um espaço de debate sobre a necessidade urgente de reparar um planeta fragmentado, interrogando a cidade contemporânea a partir das suas camadas visíveis e invisíveis. Entre memória crítica, investigação visual e imaginação projetual, Paisagens de Reparação convida autores, investigadores, arquitetos, artistas e profissionais da imagem a pensar novas formas de testemunho, atenção e coexistência.

Para qualquer dúvida:

Contactar os Editores através de info.sophiajournal@arq.up.pt

 

Mesa-redonda promove reflexão sobre cidade, espaço público e fotografia na arquitetura

 
 
 

Mesa-redonda promove reflexão sobre cidade, espaço público e fotografia na arquitetura

conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”.

Realizou-se no passado dia 29 de maio a mesa-redonda e conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, uma iniciativa que proporcionou um espaço de reflexão e debate em torno das relações entre arquitetura, fotografia, cidade e espaço público.

A sessão teve início com a abertura oficial assegurada pela arquiteta Adriana Floret, uma vez que, por motivos de ordem particular, o presidente da Ordem dos Arquitectos, arquiteto Avelino Oliveira, não pôde estar presente.

A conversa, moderada por Pedro Leão Neto e Maria Neto, partiu do diálogo entre a exposição Wide-Angle View e o projeto de investigação científica “50 anos do 25 de Abril: as geografias das dinâmicas sociais, económicas e políticas”, procurando discutir de que forma a imagem, a arquitetura e a investigação científica podem contribuir para uma compreensão mais crítica das transformações urbanas e territoriais das últimas décadas.

Nas intervenções introdutórias, os moderadores destacaram a atualidade do legado da série Manplan, sublinhando a importância de recentrar a arquitetura na experiência quotidiana das pessoas e de compreender a cidade como um espaço social, político e democrático. A reflexão incidiu igualmente sobre o papel da fotografia enquanto instrumento crítico capaz de tornar visíveis as relações entre território, habitação, desigualdades e cidadania.

A mesa-redonda reuniu Teresa Sá Marques, Olívia Marques da Silva, Attilio Fiumarella e Adriana Floret, cujos contributos permitiram abordar o tema a partir de perspetivas complementares. A partir da geografia e do ordenamento do território, Teresa Sá Marques destacou os desafios colocados pelas profundas transformações sociais e territoriais ocorridas em Portugal nas últimas décadas, chamando a atenção para as desigualdades que persistem no acesso à habitação, aos serviços e às oportunidades urbanas.

Por seu lado, Attilio Fiumarella refletiu sobre a capacidade da fotografia de revelar dimensões frequentemente invisíveis da cidade contemporânea, defendendo a imagem como um instrumento de questionamento crítico sobre a forma como os espaços são vividos, apropriados e representados. Também Olívia Marques da Silva sublinhou a importância da fotografia documental enquanto prática de conhecimento e de construção de narrativas sobre a realidade social, destacando o seu potencial para ampliar a compreensão das experiências urbanas e dos fenómenos que tendem a permanecer fora dos discursos dominantes.

A partir da sua experiência profissional na área da reabilitação urbana e do património, Adriana Floret abordou os desafios atuais do habitar e da transformação das cidades, defendendo a necessidade de preservar a dimensão social da arquitetura e de promover intervenções capazes de conciliar memória, sustentabilidade e qualidade de vida.

Ao longo da sessão foi possível confrontar diferentes experiências, disciplinas e pontos de vista sobre a cidade e o espaço público, estabelecendo um diálogo particularmente enriquecedor entre os dois projetos que serviram de base à iniciativa. As várias intervenções convergiram na defesa de uma visão da cidade centrada nas pessoas, na importância do espaço público enquanto lugar de encontro e cidadania e na necessidade de desenvolver formas de representação capazes de tornar mais visíveis os desafios sociais e territoriais do presente.

A assistência contou com público em geral, arquitetos, investigadores, docentes e estudantes, incluindo alunos das unidades curriculares ligadas ao ensino da fotografia da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, com especial destaque para os estudantes de Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura (FCPA I e II).

O debate, aberto à participação do público, constituiu um dos momentos mais dinâmicos da sessão. Entre as diversas intervenções, destacou-se a participação dos estudantes da FAUP, que partilharam as suas experiências no desenvolvimento de projetos fotográficos realizados no âmbito das unidades curriculares de FCPA. Os testemunhos evidenciaram a importância da fotografia como instrumento de observação e interpretação da realidade urbana, permitindo uma experiência concreta da cidade e uma aproximação mais crítica às suas dinâmicas sociais, espaciais e culturais.

A qualidade das intervenções, a diversidade de perspetivas e o envolvimento dos participantes contribuíram para fazer desta conversa pública um momento particularmente rico e estimulante, reafirmando a atualidade das questões suscitadas pela série Manplan e a pertinência do diálogo entre arquitetura, fotografia, investigação e sociedade na reflexão sobre os desafios contemporâneos da cidade.

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View reúne estudantes de Arquitetura da UFP na OASRN

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View reúne estudantes de Arquitetura da UFP na OASRN

No passado dia 29 de abril, a sede da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com o Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Fernando Pessoa (UFP).

A sessão reuniu estudantes e docentes da UFP num momento de contacto direto com a exposição, promovendo uma reflexão crítica em torno das relações entre arquitetura, fotografia e sociedade. A visita foi conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP e membro do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), e por Maria Neto, investigadora do mesmo grupo, contando ainda com a participação de um representante da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte.

A acompanhar os estudantes estiveram Sara Sucena, Professora Associada do Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Fernando Pessoa, cuja participação contribuiu para aprofundar o debate em torno da imagem enquanto instrumento de leitura crítica da arquitetura e da cidade.

Ao longo da visita, a exposição foi apresentada como um espaço de reflexão sobre o papel da fotografia na construção de discursos críticos sobre o território e o espaço construído. Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma deslocação do olhar da arquitetura enquanto objeto autónomo para a arquitetura enquanto espaço social vivido, centrando-se nas relações humanas, nos contextos urbanos e nas condições que moldam a experiência quotidiana.

A noção de wide angle foi discutida como uma ampliação do campo de visão sobre a arquitetura, permitindo compreender de que modo a imagem pode revelar dinâmicas sociais, desigualdades territoriais e transformações urbanas frequentemente ausentes das representações convencionais da disciplina.

As fotografias e materiais apresentados — provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections — evidenciam uma abordagem visual próxima do fotojornalismo e da fotografia de rua, cruzando temas como habitação, trabalho, educação, saúde e lazer. Neste contexto, a fotografia foi abordada simultaneamente enquanto documento e construção crítica, capaz de registar a realidade e, ao mesmo tempo, de produzir novas formas de interpretação sobre a cidade contemporânea.

Ao longo do percurso expositivo foram promovidos momentos de diálogo e discussão, incentivando os estudantes a refletir sobre a atualidade das questões levantadas por Manplan, particularmente num contexto marcado pela crise da habitação, pelas desigualdades urbanas e pelas transformações sociais do território.

A sessão terminou com um debate alargado entre participantes, reforçando a importância destas iniciativas no âmbito do ensino, da investigação e da cultura arquitetónica. Ao aproximar os estudantes de práticas expositivas e curatoriais contemporâneas, a aula aberta sublinhou o papel da fotografia enquanto ferramenta de investigação, pensamento crítico e comunicação no campo da arquitetura e da cidade.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril

 
 
 

Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 29 de MAIO, 18h00

Mesa-redonda e conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”.

No dia 29 de maio, sexta-feira, pelas 18:00, realiza-se uma mesa redonda “Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril”, na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para estudantes, investigadores, arquitetos, fotógrafos e público em geral interessado nas relações entre arquitetura, imagem, território e sociedade contemporânea.

Apresentação

Esta sessão propõe estabelecer um diálogo entre a exposição Wide-Angle View e o projeto de investigação científica “50 anos do 25 de abril: as geografias das 50 dinâmicas sociais, económicas e políticas”, explorando o modo como a fotografia pode ser um dispositivo de análise e questionamento do passado e do presente que nos ajuda a repensar o futuro, contribuindo para compreender e comunicar as transformações sociais e territoriais das últimas décadas. 

Publicada entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan constituiu um momento singular na cultura arquitetónica ao deslocar o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as condições sociais da vida quotidiana. Através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo, Manplan abordou temas como habitação, saúde, trabalho, educação, transportes e lazer, colocando as pessoas no centro da representação da arquitetura e da cidade.

Mais de meio século depois, esta abordagem revela-se surpreendentemente atual. Num contexto marcado por novas desigualdades territoriais, pela crise da habitação e por profundas transformações urbanas, a exposição Wide-Angle View revisita esse legado crítico como um dispositivo de leitura do presente, sublinhando o papel da imagem enquanto ferramenta de pensamento e investigação sobre o espaço social.

Em paralelo, o projeto “50 anos do 25 de abril”, desenvolvido no âmbito do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), procura mapear e interpretar as transformações sociais, económicas e políticas ocorridas em Portugal desde a Revolução de 1974. Através de uma combinação de análise cartográfica, investigação científica e recolha de testemunhos, o projeto propõe uma leitura plural das geografias do Portugal democrático, entendendo a memória do passado como um instrumento ativo para compreender o presente e imaginar futuros possíveis.

·      A conversa propõe, assim, um encontro entre estas duas perspetivas:
por um lado, a reflexão crítica inaugurada por Manplan sobre a arquitetura enquanto espaço social vivido;

·      por outro, a análise das dinâmicas territoriais e sociais que marcaram Portugal ao longo dos últimos cinquenta anos.

Partindo da pergunta como representar e comunicar as transformações da sociedade através da imagem, a sessão reunirá arquitetos, geógrafos, investigadores e fotógrafos para discutir o papel da fotografia, da cartografia e de outros dispositivos visuais na construção de narrativas críticas sobre a cidade e o território.

Mais do que uma reflexão histórica, esta iniciativa pretende também interrogar a atualidade do gesto de Manplan: que novas formas de representação seriam hoje necessárias para documentar e compreender as realidades urbanas contemporâneas? Como pode a imagem contribuir para revelar desigualdades, tornar visíveis processos invisíveis e ampliar o debate público sobre o direito à cidade e à habitação?

Entre arquivo e contemporaneidade, entre investigação científica e cultura visual, “Ampliar o Campo de Visão” propõe um espaço de diálogo interdisciplinar sobre o papel das imagens na construção de conhecimento e na leitura crítica das transformações sociais e territoriais.

Participantes
Abertura:

Avelino Oliveira (Ordem dos Arquitetos)

Moderação: 

Pedro Leão Neto e Maria Neto (CITYSCOPIO / CEAU-FAUP / Sophia Journal)

Mesa

Adriana Floret (OA - Secção Regional Norte)
Teresa Sá Marques (FLUP / CEGOT)

Olívia Marques da Silva (ESMAD/P.Porto/ID+)

Attilio Fiumarella (Fotógrafo)

Público-alvo
Estudantes, investigadores, arquitetos, fotógrafos e público em geral interessado nas relações entre arquitetura, imagem, território e sociedade contemporânea.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

 
 
 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

No passado dia 9 de abril, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com a Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO).

A sessão reuniu estudantes e docentes do curso de Fotografia, num momento de contacto direto com a exposição que evidenciou o interesse pelas interseções entre imagem, arquitetura e sociedade. A visita foi conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do Centro de Estudos Nuno Portas, contando ainda com a participação de um representante da Ordem dos Arquitetos. Estiveram igualmente presentes Olívia Marques da Silva e Sérgio Rolando, docentes da ESMAD, cujas intervenções sublinharam a relevância do ensino da fotografia na atualidade e o seu potencial enquanto dispositivo crítico de leitura da realidade.

Ao longo da visita, a exposição foi abordada não apenas enquanto objeto histórico, mas como um dispositivo ativo de reflexão, em sintonia com o espírito da série Manplan. A noção de wide angle — enquanto ampliação do campo de visão sobre a arquitetura — foi explorada como uma forma de deslocar o olhar do edifício isolado para os contextos sociais, políticos e territoriais que o enquadram.

Neste sentido, a fotografia foi discutida nos seus dois modos de intervenção. Por um lado, enquanto função documental, assumindo-se como registo visual que, embora mediado por um olhar situado, permite evidenciar e sustentar uma leitura informada da realidade, em articulação com outras ferramentas de análise, como a cartografia ou os dados estatísticos. Por outro, enquanto função discursiva, afirmando-se como linguagem autónoma capaz de construir narrativas críticas, explorar relações e questionar o real para além da sua mera representação.

A exposição evidenciou precisamente esta dupla condição da imagem: simultaneamente documento e interpretação, evidência e construção. As séries apresentadas, oriundas do arquivo da Architectural Review, revelam uma abordagem que cruza o fotojornalismo e a fotografia de rua para dar visibilidade a temas como a habitação, o trabalho ou a saúde, propondo uma leitura da arquitetura enquanto espaço social vivido.

Ao longo do percurso, foram promovidos momentos de diálogo e discussão, nos quais os estudantes foram convidados a refletir sobre a atualidade das questões levantadas por Manplan, bem como sobre o papel da fotografia na construção de uma perceção crítica das problemáticas urbanas contemporâneas, nomeadamente no contexto das desigualdades e da precariedade habitacional.

A sessão terminou com um debate alargado, confirmando o interesse suscitado e a pertinência destas iniciativas no contexto do ensino e da investigação. Ao aproximar os estudantes de práticas expositivas e curatoriais, esta aula aberta reforçou a importância da fotografia enquanto instrumento de investigação, pensamento crítico e comunicação no campo da arquitetura e da cidade.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTAEXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

 
 
 

AULA ABERTA
EXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

20 de abril, às 16h30, terá lugar NA Escola Superior Artística do Porto (ESAP) NO ESPAÇO DO SEMINÁRIO DO MESTRADO INTEGRADO DE ARQUITETURA (MIA|CEAA)

No próximo dia 20 de abril, às 17h30, terá lugar na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) no Espaço do Seminário do Mestrado Integrado de Arquitetura (MIA|CEAA) uma aula aberta intitulada Explorar a Arquitetura através da Fotografia e do Editorial, conduzida por Pedro Leão Neto (coordenador do grupo de investigação AAI / CENP-FAUP).

A sessão propõe uma reflexão sobre o papel da fotografia enquanto instrumento crítico de interpretação da arquitetura e do espaço urbano, bem como sobre o potencial do editorial enquanto plataforma de construção de discurso e produção de conhecimento no campo disciplinar.

Partindo da experiência desenvolvida no âmbito da scopio Editions, projeto editorial ligado à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e ao Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), a apresentação abordará o modo como a fotografia contemporânea — entendida não como imagem isolada, mas como série e narrativa — pode contribuir para uma leitura mais profunda, crítica e situada da arquitetura, da cidade e do território.

Será igualmente explorado o papel do editorial enquanto dispositivo agregador, capaz de articular práticas de investigação, criação e curadoria, dando origem a publicações, exposições e plataformas de disseminação que cruzam arquitetura, arte e imagem. Neste contexto, serão apresentados projetos como a Sophia Journal e a scopio Magazine, bem como diversas publicações e iniciativas que têm vindo a afirmar este ecossistema a nível nacional e internacional, nomeadamente a coleção da série de publicações Scopio Newspaper, desenvolvida no âmbito da investigação do grupo AAI e que explora a fotografia não apenas como meio de documentação, mas também como instrumento de investigação e interpretação, capaz de revelar dimensões espaciais, atmosféricas e experienciais da arquitetura.

A aula inscreve-se numa linha de apresentações anteriormente desenvolvidas em instituições como o Royal Institute of British Architects (RIBA), em Londres, e a ETSAB – Escola de Arquitetura de Barcelona, onde estas temáticas foram discutidas num contexto internacional alargado, envolvendo investigadores, curadores e fotógrafos de referência.

Mais do que uma apresentação de projetos, esta sessão propõe-se como um espaço de reflexão crítica sobre a relação entre imagem e arquitetura, evidenciando o modo como a fotografia pode atuar como um verdadeiro catalisador para o pensamento, o discurso e a ideação em arquitetura.

A entrada é livre.

Biografias

Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

AAI - CEAU / FAUP

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - UFP

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 29 de ABRIL, 12h30

Sessão realizada em colaboração com A Universidade fernando pessoa (ufp) - Arquitetura (MI)

No dia 29 de abril, quinta-feira, pelas 12:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes do Mestrado Integrado em • Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita será acompanhada por Sara Sucena, Professora Associada do Mestrado Integrado em Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP), bem como por outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A iniciativa é aberta a todos os interessados, com especial atenção a estudantes, investigadores e profissionais que se dedicam ao estudo das relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - ESMAD

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 9 de ABRIL, 10h30

Sessão realizada em colaboração com A Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO)

No dia 9 de abril, quinta-feira, pelas 10:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita contará com a presença de Olívia Marques da Silva, docente e investigadora da ESMAD e será acompanhado por Sérgio Rolando, docente responsável por diversas turmas de fotografia no 1º e 2+ ano da Licenciatura em Fotografia da ESMAD, bem como a participação de outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A visita é aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

No passado dia 12 de março, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com o Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

A sessão contou com uma forte adesão por parte de várias turmas do curso de Fotografia, evidenciando o interesse dos estudantes pelas relações entre arquitetura, imagem e sociedade. Ao longo da visita, tornou-se evidente o entusiasmo dos participantes, particularmente perante a forma clara e crítica como os diferentes temas da exposição foram apresentados, bem como pelo potencial da fotografia enquanto instrumento de interpretação e questionamento do espaço construído.

Conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP, a visita proporcionou uma leitura aprofundada da exposição, articulando dimensões históricas e contemporâneas. A presença de um representante da Ordem dos Arquitetos contribuiu igualmente para enriquecer o enquadramento institucional e disciplinar da mostra.

Ao longo do percurso expositivo, foram criados vários momentos de diálogo, incentivando a participação ativa dos estudantes. As questões colocadas revelaram uma reflexão crítica sobre a pertinência dos temas abordados — desde a habitação às dinâmicas sociais urbanas — e sobre a atualidade do projeto Manplan, cuja abordagem continua a ecoar nos desafios contemporâneos das cidades.

No final da sessão, o debate prolongou-se de forma espontânea, confirmando o interesse suscitado pela exposição e a sua capacidade de gerar discussão em torno do papel da arquitetura enquanto prática social e política. A iniciativa reforçou, assim, a importância de aproximar os estudantes de contextos expositivos e curatoriais, promovendo uma compreensão mais alargada e crítica da cultura arquitetónica e visual contemporânea..

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.