Exposição “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” inaugura na Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Wide-Angle View: A ARQUITETURA COMO ESPAÇO SOCIAL NA SÉRIE MANPLAN 1969–70

Inauguração DA EXPOSIÇÃO na Ordem dos Arquitetos Secção Regional Norte NO DIA 27 de fevereiro, pelas 18h30

VISITA GUIADA por Valeria Carullo (curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects - RIBA)

PT/ENG

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos acolhe, no próximo dia 27 de fevereiro de 2025, pelas 18h30, uma mostra inédita em Portugal, que revisita a série de fotografias “Manplan” publicada pelo periódico The Architectural Review em 1969–1970, e que marcou profundamente a forma como arquitetura, planeamento e sociedade passaram a ser representados visualmente.

Resultado de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitetos (SR-NRT), a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal, a exposição propõe uma leitura crítica sobre a forma como a arquitetura, a cidade e a vida quotidiana foram — e continuam a ser — representadas e pensadas.

Produzida num contexto de crise das promessas do pós-guerra, a série Manplan marcou uma rutura profunda na cultura editorial da arquitetura ao deslocar o foco do edifício enquanto objeto para a arquitetura enquanto espaço social vivido. Através de narrativas visuais sequenciais, inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua, Manplan abordou temas fundamentais como a habitação, a saúde, o trabalho, a educação ou o lazer, colocando as pessoas e os seus contextos no centro da reflexão arquitetónica.

A exposição Wide-Angle View apresenta uma seleção de fotografias e materiais originais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, impressos digitalmente para esta mostra, incluindo imagens que nem todas chegaram a ser publicadas. O título remete para a utilização da lente grande-angular enquanto dispositivo técnico e conceptual, simbolizando uma forma de olhar que amplia o campo de visão e aproxima o observador da realidade social da cidade.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea, particularmente relevante num momento marcado pela crise da habitação, pela mercantilização do espaço urbano e pelas desigualdades sociais. Ao estabelecer pontes entre o legado crítico da Manplan e as investigações atuais desenvolvidas no âmbito da FAUP e de Sophia Journal, a mostra sublinha o papel da fotografia e da imagem como instrumentos de pensamento crítico e de questionamento disciplinar.

A inauguração contará com intervenções institucionais, seguidas de uma visita guiada pela curadora Valeria Carullo, curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects (RIBA), e da apresentação de uma futura conferência internacional associada ao projeto Sophia Journal. A exposição estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte até maio de 2026, sendo acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a arquitetos, estudantes, investigadores e ao público em geral.

Ao acolher Wide-Angle View, a Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte reafirma o seu papel enquanto espaço ativo de reflexão crítica e de diálogo entre arquitetura, imagem e sociedade, sublinhando a atualidade e a urgência do pensamento inaugurado pela Manplan.

Programa da Exposição

Parceiros | Organização

  • SR-NRT – Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte

  • RIBA – Royal Institute of British Architects

  • Cityscopio Associação Cultural (CCA)

  • CENP–FAUP — Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação AAI, e Sophia Journal

Programa da inauguração

27 de fevereiro de 2025 — Sede da SR-NRT

18h30 — Sessão de abertura
Intervenções:
- Andreia Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos

- Avelino Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos

– José Pedro Sousa, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto
– Pedro Leão Neto, Associação Cultural Cityscopio

19h00 — Visita guiada
Por Valeria Carullo, curadora de fotografia no RIBA

Permanência e atividades paralelas

De março a maio de 2026, a SR-NRT acolherá:

  • visitas guiadas temáticas

  • conversas com investigadores e curadores

  • atividades educativas

Público-alvo

Estudantes, profissionais e público interessado em:
Arquitetura, fotografia, urbanismo, artes visuais, história da cidade, estudos culturais e políticas urbanas.

Entrada livre.
Mais informações em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.