AULA ABERTA COM ÁLVARO DOMINGUES | FOTOGRAFIAS FALADAS

 
 
 

AULA ABERTA COM ÁLVARO DOMINGUES | FOTOGRAFIAS FALADAS

24 DE ABRIL (SEXTA-FEIRA) PELAS 15:00 | PAVILHÃO CARLOS RAMOS - FAUP


No âmbito do Curso de Formação Contínua 'Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano', terá lugar, no dia 24 de abril, pelas 15h00, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta orientada por Álvaro Domingues, professor da FAUP, cujo trabalho fotográfico reflete o seu olhar de geógrafo, atento às expressões visíveis das transformações do território.

Partindo desse enquadramento, a sessão abordará a fotografia enquanto prática de observação e instrumento de pensamento sobre os sentidos da paisagem e os processos de urbanização. Será dada particular atenção à relação entre imagem e texto nos seus diversos projetos editoriais e expositivos.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, reflexão e debate de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e na utilização da imagem, em particular da fotografia, como instrumentos de investigação e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidado

Álvaro Domingues

Álvaro Domingues (1959), é Geógrafo, doutorado em Geografia Humana e Prof. Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, FAUP nos cursos de Mestrado Integrado e Doutoramento, e investigador do CENP, Centro de Estudos Nuno Portas da FAUP. Entre outras obras é autor de Matosinhos - arquitectura e urbanismo em três modernidades (Afrontamento, Porto, 2025 com Teresa Ferreira e Ana Catarina Costa) Paisagem Portuguesa (FFMS, Lisboa, 2022, com Duarte Belo), Portugal Possível (Laboratório da Paisagem, Lisboa, 2022 com Duarte Belo e Rui Lage), Volta a Portugal (Contraponto, Lisboa, 2017), Território Casa Comum (com Nuno Travasso, FAUP, Porto, 2015), A Rua da Estrada (Dafne, Porto, 2010), Vida no Campo (Dafne, Porto, 2012) e Políticas Urbanas I e II (com Nuno Portas e João Cabral, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003 e 2011), Cidade e Democracia (Argumentum, Lisboa, 2006). É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa. Escreve no jornal Público.

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

 
 
 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

No passado dia 9 de abril, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com a Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO).

A sessão reuniu estudantes e docentes do curso de Fotografia, num momento de contacto direto com a exposição que evidenciou o interesse pelas interseções entre imagem, arquitetura e sociedade. A visita foi conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do Centro de Estudos Nuno Portas, contando ainda com a participação de um representante da Ordem dos Arquitetos. Estiveram igualmente presentes Olívia Marques da Silva e Sérgio Rolando, docentes da ESMAD, cujas intervenções sublinharam a relevância do ensino da fotografia na atualidade e o seu potencial enquanto dispositivo crítico de leitura da realidade.

Ao longo da visita, a exposição foi abordada não apenas enquanto objeto histórico, mas como um dispositivo ativo de reflexão, em sintonia com o espírito da série Manplan. A noção de wide angle — enquanto ampliação do campo de visão sobre a arquitetura — foi explorada como uma forma de deslocar o olhar do edifício isolado para os contextos sociais, políticos e territoriais que o enquadram.

Neste sentido, a fotografia foi discutida nos seus dois modos de intervenção. Por um lado, enquanto função documental, assumindo-se como registo visual que, embora mediado por um olhar situado, permite evidenciar e sustentar uma leitura informada da realidade, em articulação com outras ferramentas de análise, como a cartografia ou os dados estatísticos. Por outro, enquanto função discursiva, afirmando-se como linguagem autónoma capaz de construir narrativas críticas, explorar relações e questionar o real para além da sua mera representação.

A exposição evidenciou precisamente esta dupla condição da imagem: simultaneamente documento e interpretação, evidência e construção. As séries apresentadas, oriundas do arquivo da Architectural Review, revelam uma abordagem que cruza o fotojornalismo e a fotografia de rua para dar visibilidade a temas como a habitação, o trabalho ou a saúde, propondo uma leitura da arquitetura enquanto espaço social vivido.

Ao longo do percurso, foram promovidos momentos de diálogo e discussão, nos quais os estudantes foram convidados a refletir sobre a atualidade das questões levantadas por Manplan, bem como sobre o papel da fotografia na construção de uma perceção crítica das problemáticas urbanas contemporâneas, nomeadamente no contexto das desigualdades e da precariedade habitacional.

A sessão terminou com um debate alargado, confirmando o interesse suscitado e a pertinência destas iniciativas no contexto do ensino e da investigação. Ao aproximar os estudantes de práticas expositivas e curatoriais, esta aula aberta reforçou a importância da fotografia enquanto instrumento de investigação, pensamento crítico e comunicação no campo da arquitetura e da cidade.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTAEXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

 
 
 

AULA ABERTA
EXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

20 de abril, às 16h30, terá lugar NA Escola Superior Artística do Porto (ESAP) NO ESPAÇO DO SEMINÁRIO DO MESTRADO INTEGRADO DE ARQUITETURA (MIA|CEAA)

No próximo dia 20 de abril, às 17h30, terá lugar na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) no Espaço do Seminário do Mestrado Integrado de Arquitetura (MIA|CEAA) uma aula aberta intitulada Explorar a Arquitetura através da Fotografia e do Editorial, conduzida por Pedro Leão Neto (coordenador do grupo de investigação AAI / CENP-FAUP).

A sessão propõe uma reflexão sobre o papel da fotografia enquanto instrumento crítico de interpretação da arquitetura e do espaço urbano, bem como sobre o potencial do editorial enquanto plataforma de construção de discurso e produção de conhecimento no campo disciplinar.

Partindo da experiência desenvolvida no âmbito da scopio Editions, projeto editorial ligado à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e ao Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), a apresentação abordará o modo como a fotografia contemporânea — entendida não como imagem isolada, mas como série e narrativa — pode contribuir para uma leitura mais profunda, crítica e situada da arquitetura, da cidade e do território.

Será igualmente explorado o papel do editorial enquanto dispositivo agregador, capaz de articular práticas de investigação, criação e curadoria, dando origem a publicações, exposições e plataformas de disseminação que cruzam arquitetura, arte e imagem. Neste contexto, serão apresentados projetos como a Sophia Journal e a scopio Magazine, bem como diversas publicações e iniciativas que têm vindo a afirmar este ecossistema a nível nacional e internacional, nomeadamente a coleção da série de publicações Scopio Newspaper, desenvolvida no âmbito da investigação do grupo AAI e que explora a fotografia não apenas como meio de documentação, mas também como instrumento de investigação e interpretação, capaz de revelar dimensões espaciais, atmosféricas e experienciais da arquitetura.

A aula inscreve-se numa linha de apresentações anteriormente desenvolvidas em instituições como o Royal Institute of British Architects (RIBA), em Londres, e a ETSAB – Escola de Arquitetura de Barcelona, onde estas temáticas foram discutidas num contexto internacional alargado, envolvendo investigadores, curadores e fotógrafos de referência.

Mais do que uma apresentação de projetos, esta sessão propõe-se como um espaço de reflexão crítica sobre a relação entre imagem e arquitetura, evidenciando o modo como a fotografia pode atuar como um verdadeiro catalisador para o pensamento, o discurso e a ideação em arquitetura.

A entrada é livre.

Biografias

Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

AAI - CEAU / FAUP

 

AULA ABERTA COM VIRGINIA DE DIEGO | CCORRA

 
 
 

AULA ABERTA COM VIRGINIA DE DIEGO | CCORRA

17 DE ABRIL (SEXTA-FEIRA) PELAS 14:30 | PAVILHÃO CARLOS RAMOS - FAUP

No contexto do curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano”, realiza-se no dia 17 de Abril, pelas14h30, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta com a artista Virginia de Diego.


A sessão centra-se no projeto fotográfico CCORRA, desenvolvido na cidade do Porto, no qual a autora explora a relação entre imagem, edição e objeto enquanto ferramentas de leitura do espaço urbano. Partindo da noção de “falha de raccord”, o projeto propõe um método de observação baseado na identificação de descontinuidades visuais e materiais na cidade: fragmentos arquitetónicos, repetições, deslocamentos e situações de instabilidade perceptiva.

Através da fotografia e da montagem, o trabalho organiza estas ocorrências como um sistema de relações, permitindo pensar a cidade como uma estrutura em transformação contínua, marcada por processos de desaparecimento, substituição e reconfiguração.

A aula abordará o desenvolvimento do projeto, o papel do fotolivro enquanto dispositivo de investigação e as possibilidades da imagem enquanto instrumento crítico para a leitura da arquitetura, da cidade e do território.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, debate e reflexão de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com um enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e a utilização da imagem com especial incidência pela fotografia como instrumentos de pesquisa e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidada

Virginia de Diego (Madrid, 1983) é artista visual e curadora. Doutora cum laude em Belas-

Artes pela Universidad Complutense de Madrid, com a tese “La Ruina como réplica: el instante proto-contemporáneo”, combina atualmente a sua prática artística e curatorial com a docência na Universidade do Porto.

O seu trabalho tem sido apoiado por diversas instituições internacionais, entre as quais Bildrecht e Wien Kultur (Áustria), Vilniaus Dailės Akademija (Lituânia), o Ministerio de Cultura (Espanha) e The Wassaic Project (EUA). Apresentou projetos em museus, galerias e festivais como MUMOK, Improper Walls e GB* Gallerie (Áustria), CentroCentro, La Casa Encendida, Museo Huarte e Sala de Arte Joven da Comunidad de Madrid (Espanha), bem como PHOTOWIEN (Áustria) e PHotoESPAÑA (Espanha).

Enquanto curadora, foi selecionada para o programa Se Busca Comisario (Comunidad de Madrid, 2018). Em 2020, fundou a galeria-janela PRESENTE, onde desenvolve o programa expositivo POST/PROTO, centrado na noção de proto-contemporâneo, explorada na sua investigação doutoral. Em 2024, o projeto foi apoiado pelo Ministerio de Cultura (Espanha), aecid, Cooperación Internacional e Instituto Cervantes de Lisboa.

Em 2025, o projeto Jeans from Today foi finalista da open call Gulbenkian x Cité des Arts (França). No mesmo ano, fundou DORIAN LOCI, uma plataforma curatorial que explora a materialidade e a temporalidade do confetti enquanto meio artístico contemporâneo, com apresentações em Portugal e Espanha.

 

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

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AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - UFP

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 29 de ABRIL, 12h30

Sessão realizada em colaboração com A Universidade fernando pessoa (ufp) - Arquitetura (MI)

No dia 29 de abril, quinta-feira, pelas 12:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes do Mestrado Integrado em • Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita será acompanhada por Sara Sucena, Professora Associada do Mestrado Integrado em Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP), bem como por outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A iniciativa é aberta a todos os interessados, com especial atenção a estudantes, investigadores e profissionais que se dedicam ao estudo das relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - ESMAD

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 9 de ABRIL, 10h30

Sessão realizada em colaboração com A Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO)

No dia 9 de abril, quinta-feira, pelas 10:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita contará com a presença de Olívia Marques da Silva, docente e investigadora da ESMAD e será acompanhado por Sérgio Rolando, docente responsável por diversas turmas de fotografia no 1º e 2+ ano da Licenciatura em Fotografia da ESMAD, bem como a participação de outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A visita é aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

No passado dia 12 de março, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com o Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

A sessão contou com uma forte adesão por parte de várias turmas do curso de Fotografia, evidenciando o interesse dos estudantes pelas relações entre arquitetura, imagem e sociedade. Ao longo da visita, tornou-se evidente o entusiasmo dos participantes, particularmente perante a forma clara e crítica como os diferentes temas da exposição foram apresentados, bem como pelo potencial da fotografia enquanto instrumento de interpretação e questionamento do espaço construído.

Conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP, a visita proporcionou uma leitura aprofundada da exposição, articulando dimensões históricas e contemporâneas. A presença de um representante da Ordem dos Arquitetos contribuiu igualmente para enriquecer o enquadramento institucional e disciplinar da mostra.

Ao longo do percurso expositivo, foram criados vários momentos de diálogo, incentivando a participação ativa dos estudantes. As questões colocadas revelaram uma reflexão crítica sobre a pertinência dos temas abordados — desde a habitação às dinâmicas sociais urbanas — e sobre a atualidade do projeto Manplan, cuja abordagem continua a ecoar nos desafios contemporâneos das cidades.

No final da sessão, o debate prolongou-se de forma espontânea, confirmando o interesse suscitado pela exposição e a sua capacidade de gerar discussão em torno do papel da arquitetura enquanto prática social e política. A iniciativa reforçou, assim, a importância de aproximar os estudantes de contextos expositivos e curatoriais, promovendo uma compreensão mais alargada e crítica da cultura arquitetónica e visual contemporânea..

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA COM ANNA VOLNAIA | “HERE_NO_T_HERE”

 
 
 

AULA ABERTA COM ANNA VOLNAIA | “HERE_NO_T_HERE”

No contexto do curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano”, realiza-se no dia 13 de Março, pelas 15h00, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta com a artista Anna Volnaia.

A aula é dedicada ao projeto fotográfico “Here_no_t_here” desenvolvido em Vila D’Este, Vila Nova de Gaia. O projeto propõe um olhar atento sobre o espaço e a escala, através da repetição intensa que constrói a sua presença arquitetónica.

Ao longo de vários meses, a autora aproximou-se deste território observando a vida quotidiana — não a partir de uma perspetiva de análise urbanística, mas através da experiência da luz, da matéria e do ritmo dos seus espaços. A fotografia torna-se um meio de fixar o instante revelando aquilo que permanece: vestígios, atmosferas, sinais de existência mesmo quando as pessoas não estão visíveis.

Paralelamente, foi lançado aos moradores um convite à participação — registando o seu quotidiano dentro dos limites do bairro. Juntas, essas imagens criam uma história em uníssono — dois olhares que se encontram no mesmo território.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, debate e reflexão de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com um enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e a utilização da imagem com especial incidência pela fotografia como instrumentos de pesquisa e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidada

Anna Volnaia S. Lopes é estudante da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e integrou o programa Project Rooms na Bienal de Fotografia do Porto, em 2025. O seu trabalho adota uma abordagem fenomenológica, explorando o espaço urbano através da luz, sombra e ritmo arquitetónico, organizando uma reflexão para tempos e espaços que não se misturam com a experiência do momento. Trabalhando em contextos periféricos e territórios satélite, como o bairro Vila D’Este, em Vila Nova de Gaia, observa a presença da vida quotidiana mesmo na ausência dos habitantes, estabelecendo dialéticas indiretas com a comunidade local, convidando-os a documentar o seu próprio espaço.

 

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

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AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 12 de março, 10h00

Sessão realizada em colaboração com o Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP)

No dia 12 de março, quinta-feira, pelas 10:00, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes do Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, sendo acompanhado por Alexandra TrevisanFátima Sales, Helena Maia e Henrique Muga docentes e investigadores do CEAA - Centro de Estudos Arnaldo Araújo (ESAP), e Franklin Morais docente do MIA (ESAP) e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Participam ainda a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A visita é aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Opening of the exhibition “Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70” brings together architects, researchers and students at the Order of Architects

 

Fotografia ©Egídio Santos/ SR-NRT

 
 

Opening of the exhibition “Wide-Angle View

Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70” brings together architects, researchers and students at the Order of Architects

PT/ENG

The opening of the exhibition Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, which took place on February 27th at the headquarters of the Northern Regional Section of the Order of Architects (OASRN), brought together a large and diverse audience, confirming the interest that the initiative has been generating in the academic, professional and cultural community.

Among architects, researchers, institutional partners and the general public, the strong presence of students stood out. They followed attentively the different moments of the opening session and, in particular, the guided tour led by Valeria Carullo, Curator of Photography at the Royal Institute of British Architects (RIBA) and responsible for the exhibition’s curatorial framework. This moment became one of the highlights of the inauguration, generating a dynamic and engaged dialogue with students, who actively participated by raising questions and discussing the critical issues explored in the Manplan series, while gaining direct insight into RIBA’s curatorial approach and collections.

The exhibition results from an international collaboration led by RIBA, which curated the exhibition and brought forward its collections, in close partnership with Porto-based institutions, including the Northern Regional Section of the Order of Architects, the Cityscopio Cultural Association, and CENP/FAUP — Nuno Portas Center for Studies, through the Architecture, Art and Image (AAI) research group and the Sophia Journal project. This collaboration highlights the central role of RIBA in fostering international dialogue, while strengthening connections with local academic and cultural institutions, creating a platform that bridges research, curatorial practice and public engagement.

Originally produced between 1969 and 1970 by The Architectural Review, the Manplan series is here revisited through RIBA’s curatorial lens, drawing on the richness of its collections to reframe the material for contemporary audiences. By foregrounding photography as a critical medium and placing people — rather than buildings — at the centre of the narrative, the exhibition reflects RIBA’s ongoing commitment to expanding architectural discourse and making its collections accessible and relevant to wider audiences through international partnerships such as this one in Porto.

In this sense, the concept of wide-angle view emerges not only as a technical resource of photography, but as a critical device and an ethical stance towards architecture. Broadening the field of vision means recognizing that each spatial decision has concrete consequences for ways of living, quality of life, and the future possibilities of cities. In a context marked by a profound housing crisis and increasing processes of urban fragmentation, this critical perspective proves particularly relevant—and urgent.

The exhibition also takes on special significance in the context of architectural education and, in particular, in the role of photography in the curricula of architecture schools, as is the case at the Faculty of Architecture of the University of Porto (FAUP). More than a simple recording instrument, photography is understood here as a tool for thought, capable of analyzing, questioning, and reinterpreting visible realities. The image thus becomes a space for investigation that crosses disciplinary boundaries and allows us to understand—and potentially transform—reality.

More than an exercise in historical revisitation, Wide-Angle View proposes itself as an active device for interpreting the present. In this sense, it also establishes a direct dialogue with the open call and international conference of the Sophia Journal, scheduled for September of this year, dedicated to the theme “Landscapes of Repair | The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair,” deepening the critical issues raised by the exhibition.

The exhibition will remain on display at the headquarters of the Association of Architects – Northern Regional Section until May, accompanied by a parallel program that will include new guided tours, debates, and roundtables dedicated to the different themes raised by the exhibition. These initiatives will seek to extend the reflection begun at the opening and broaden the debate on the role of architecture, image, and the city in contemporary society.

MANIFESTO

From Manplan to the housing crisis: broadening the field of vision

Architecture has never been neutral. It has never been merely form, technique, or style. It is a field of forces where social conflicts, political choices, and worldviews are inscribed. The Manplan series (1969–1970) made this condition explicit at a time when the promises of modernism were in crisis and urban reality was inevitably exposing the flaws of an incomplete social project. Fifty years later, this critical lucidity has not lost its relevance—it has become urgent.

Today, faced with a global housing crisis, the financialization of territory, increasing exclusion, and the fragmentation of cities, it is important to recover and update Manplan's radical gesture: to look at architecture from the perspective of life, and not the other way around. To place people at the center of architectural representation and thought. To recognize that every spatial decision produces real effects on bodies, relationships, inequalities, and possibilities for the future. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” SR-NRT, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the influential Manplan series, asserts itself within this territory of critical continuity.

Not as a nostalgic exhibition, but as a device for interpreting the present. The archive here is not a closed space, but an active field of investigation, capable of illuminating contemporary tensions. Manplan's images—raw, intimate, unsettling—continue to challenge us because they reveal a persistent truth: the city is lived before it is designed, and housing is a right before it is a product.

The wide-angle lens that gives the exhibition its title is more than a technical resource. It is an ethical and political stance. Expanding the field of vision means rejecting simplistic readings of urban reality, rejecting quick fixes for structural problems, and confronting the discipline with the social consequences of its own actions. It means accepting that architecture actively participates in the production of inequality, but also that it can—and should—be an instrument of reparation.

Between Manplan and the present lies a line of continuity: the understanding of architecture as an inevitably political practice. The housing crisis is not an accident, but the result of accumulated choices—economic models, legislation, planning, and disciplinary culture. Given this, it is not enough to design more buildings; it is necessary to rethink ways of living, property regimes, forms of cooperation, and the urban imaginaries that sustain the contemporary city.

Wide-Angle View calls upon architects, students, researchers, and citizens to take a stand. To look at the archive not as a formal repertoire, but as critical memory. To recognize in photography not only a means of representation, but a form of thought. To understand that every image is a stance—and that all architecture communicates, even when it intends to silence its effects.

This manifesto affirms that Manplan's relevance lies precisely in his refusal of indifference. In his ability to expose discomfort, to make visible the flaws of the system, and to insist that quality of life is a collective issue. Today, as then, architecture only makes sense if it is conceived from concrete life, its fragilities, and its urgencies.

Expanding one's field of vision is, therefore, a commitment to the present. An invitation to critical action. A demand for disciplinary responsibility. Between archive and present, between image and project, between architecture and society, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT argues that there is no habitable future without an attentive, informed, and profoundly human look at the city we build.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP and CCA channels.

 

Exposição “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” inaugura na Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos (Copy)

 

Fotografia ©Egídio Santos/ SR-NRT

 
 

Inauguração da exposição “Wide-Angle View

A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70” reúne arquitetos, investigadores e estudantes na Ordem dos Arquitectos

PT/ENG

A inauguração da exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70, que teve lugar no passado dia 27 de fevereiro, na sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN), reuniu um público numeroso e diversificado, confirmando o interesse que a iniciativa tem vindo a suscitar junto da comunidade académica, profissional e cultural.

Entre arquitetos, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, destacou-se particularmente a forte presença de estudantes, que acompanharam com grande atenção os diferentes momentos da sessão de abertura e, sobretudo, a visita guiada realizada pela curadora de fotografia do Royal Institute of British Architects (RIBA), Valeria Carullo. A visita revelou-se um dos momentos altos da inauguração, tendo gerado um diálogo vivo com os estudantes, que participaram de forma ativa, colocando diversas questões e debatendo as problemáticas levantadas pela série Manplan.

Entre arquitetos, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, destacou-se a forte presença de estudantes. Acompanharam atentamente os diferentes momentos da sessão de abertura e, em particular, a visita guiada conduzida por Valeria Carullo, curadora de fotografia do Royal Institute of British Architects (RIBA) e responsável pela curadoria da exposição. Este momento tornou-se um dos pontos altos da inauguração, gerando um diálogo dinâmico e participativo com os estudantes, que se envolveram ativamente, levantando questões e debatendo os temas críticos explorados na série Manplan, ao mesmo tempo que obtinham uma visão direta da abordagem curatorial e das coleções do RIBA.

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição assume igualmente um significado especial no contexto do ensino da arquitetura e, em particular, no papel da fotografia nos currículos das escolas de arquitetura, como acontece na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Mais do que um simples instrumento de registo, a fotografia é aqui entendida como uma ferramenta de pensamento, capaz de analisar, questionar e reinterpretar as realidades visíveis. A imagem torna-se, assim, um espaço de investigação que atravessa fronteiras disciplinares e permite compreender — e potencialmente transformar — a realidade.

Mais do que um exercício de revisitação histórica, Wide-Angle View propõe-se como um dispositivo ativo de leitura do presente. Nesse sentido, estabelece também um diálogo direto com a chamada aberta e a conferência internacional do Sophia Journal, prevista para setembro deste ano, dedicada ao tema “Paisagens de Reparação | A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação”, aprofundando as questões críticas levantadas pela exposição.

A mostra permanecerá patente na sede da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte até maio, sendo acompanhada por um programa paralelo que incluirá novas visitas guiadas, debates e mesas-redondas dedicadas às diferentes temáticas levantadas pela exposição. Estas iniciativas procurarão prolongar a reflexão iniciada na inauguração e ampliar o debate sobre o papel da arquitetura, da imagem e da cidade na sociedade contemporânea.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Plans for the 2026 Conference-a-Thon Join the Conversation

 
 
 

Women in Photography: 2026 Conference-a-Thon

Join the Conversation

Celebrating International Women’s Day 2026

A 24-Hour Conference-a-Thon

To mark International Women’s Day on 8 March 2026, and building on the success of our 2025 conference-a-thon, we invited scholars, practitioners and enthusiasts to submit abstracts for participation in a free, online, global 24-hour symposium celebrating the contributions of women to the medium of photography — from its public announcement in 1839 to the present day.

This distinctive free event will feature 72 speakers and aims to showcase the diverse and far-reaching work of women and female-identifying photographers, as well as researchers, curators and practitioners engaging with photography. Participants will represent countries, continents, cultures and time zones across the globe — all without the financial or environmental costs of travel or registration fees.

A full schedule is available under the “2026 Conference Schedule” tab at the top or bottom of this page. Please note that all times are listed in UTC+0. We recommend using this time zone converter (which automatically adjusts for Daylight Saving Time in the United States):
https://www.timeanddate.com/worldclock/meeting.html

To attend, please register here:
https://tamu.zoom.us/webinar/register/WN_ypAanQ2uQQurrTxMOjW60A

Join us in celebrating the vibrant, transformative and globally significant work of women in photography.

Women in Photography: A 24-Hour Conference-a-Thon

Celebrating International Women’s Day 2026

Co-Convenors:
Dr Kris Belden-Adams, Associate Professor of Art History, Texas A&M University
Dr Rose Teanby, Fellow of the Royal Photographic Society, UK

Key Dates

  • Deadline for submission of presentation videos: 15 February 2026

  • Conference-a-thon: 8 March 2026

To revisit the 2025 Conference-a-Thon, please see:

https://egrove.olemiss.edu/womenofphotography/2025/

 

Exhibition “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” opens at the Northern Regional Section of the Order of Architects

 
 
 

Wide-Angle View: ARCHITECTURE AS SOCIAL SPACE IN THE MANPLAN SERIES 1969–70

Opening of the Exhibition at the Association of Architects, Northern Regional Section, on February 27th at 6:30 PM

Guided tour by Valeria Carullo (photography curator at the Royal Institute of British Architects - RIBA)

PT/ENG

The Northern Regional Section of the Order of Architects will host, on February 27, 2025, at 6:30 PM, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the Manplan series of photographs published by The Architectural Review in 1969–1970, which profoundly influenced how architecture, planning, and society came to be visually represented.

The result of an international partnership between the Royal Institute of British Architects (RIBA), the Northern Regional Section of the Order of Architects (SR-NRT), the Cityscopio Cultural Association (CCA), and CENP/FAUP – Nuno Portas Center for Studies, through the Architecture, Art and Image (AAI) research group and the Sophia Journal editorial and scientific project, the exhibition proposes a critical reading of how architecture, the city, and daily life were—and continue to be—represented and conceived.

Produced in a context of crisis surrounding post-war promises, the Manplan series marked a profound rupture in the editorial culture of architecture by shifting the focus from the building as an object to architecture as a lived social space. Through sequential visual narratives, inspired by photojournalism and street photography, Manplan addressed fundamental themes such as housing, health, work, education, and leisure, placing people and their contexts at the center of architectural reflection.

The exhibition Wide-Angle View presents a selection of photographs and original materials from the Architectural Press / RIBA Collections archive, digitally printed for this show, including images that have not all been published. The title refers to the use of the wide-angle lens as a technical and conceptual device, symbolizing a way of looking that broadens the field of vision and brings the observer closer to the social reality of the city.

More than a historical exhibition, Wide-Angle View asserts itself as a device for contemporary reflection, particularly relevant at a time marked by the housing crisis, the commodification of urban space, and social inequalities. By establishing bridges between Manplan's critical legacy and current research developed within FAUP and the Sophia Journal, the exhibition highlights the role of photography and image as instruments of critical thinking and disciplinary questioning.

The opening will include institutional interventions, followed by a guided tour by curator Valeria Carullo, photography curator at the Royal Institute of British Architects (RIBA), and the presentation of a future international conference associated with the Sophia Journal project. The exhibition will be on display at the headquarters of the Association of Architects of the Northern Regional Section until May 2026, accompanied by a parallel program of guided tours, public talks, and educational activities aimed at architects, students, researchers, and the general public.

By hosting Wide-Angle View, the Association of Architects of the Northern Regional Section reaffirms its role as an active space for critical reflection and dialogue between architecture, image, and society, highlighting the relevance and urgency of the thinking inaugurated by Manplan.

Exhibition Program

Partners | Organization

  • SR-NRT – Order of Architects of the Northern Regional Section

  • RIBA – Royal Institute of British Architects

  • Cityscopio Cultural Association (CCA)

  • CENP–FAUP — Nuno Portas Studies Center, through the AAI research group, and Sophia Journal

Inauguration Program

February 27, 2025 — SR-NRT Headquarters

6:30 PM — Opening

Session Interventions:

- Andreia Oliveira, President of the Northern Regional Council of the Association of Architects

- Avelino Oliveira, President of the National Board of Directors of the Order of Architects

- José Pedro Sousa, Faculty of Architecture of the University of Porto

- Pedro Leão Neto, Cityscopio Cultural Association

7:00 PM — Guided Tour

By Valeria Carullo, photography curator of RIBA

Permanent and Parallel Activities

From March to May 2026, the SR-NRT will host:

  • guided tours Themes

  • Conversations with researchers and curators

  • Educational activities

Target audience

Students, professionals, and the general public interested in: Architecture, photography, urbanism, visual arts, city history, cultural studies, and urban policies.

Free admission.

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP, and CCA channels.

MANIFESTO

From Manplan to the housing crisis: broadening the field of vision

Architecture has never been neutral. It has never been merely form, technique, or style. It is a field of forces where social conflicts, political choices, and worldviews are inscribed. The Manplan series (1969–1970) made this condition explicit at a time when the promises of modernism were in crisis and urban reality was inevitably exposing the flaws of an incomplete social project. Fifty years later, this critical lucidity has not lost its relevance—it has become urgent.

Today, faced with a global housing crisis, the financialization of territory, increasing exclusion, and the fragmentation of cities, it is important to recover and update Manplan's radical gesture: to look at architecture from the perspective of life, and not the other way around. To place people at the center of architectural representation and thought. To recognize that every spatial decision produces real effects on bodies, relationships, inequalities, and possibilities for the future. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” SR-NRT, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the influential Manplan series, asserts itself within this territory of critical continuity.

Not as a nostalgic exhibition, but as a device for interpreting the present. The archive here is not a closed space, but an active field of investigation, capable of illuminating contemporary tensions. Manplan's images—raw, intimate, unsettling—continue to challenge us because they reveal a persistent truth: the city is lived before it is designed, and housing is a right before it is a product.

The wide-angle lens that gives the exhibition its title is more than a technical resource. It is an ethical and political stance. Expanding the field of vision means rejecting simplistic readings of urban reality, rejecting quick fixes for structural problems, and confronting the discipline with the social consequences of its own actions. It means accepting that architecture actively participates in the production of inequality, but also that it can—and should—be an instrument of reparation.

Between Manplan and the present lies a line of continuity: the understanding of architecture as an inevitably political practice. The housing crisis is not an accident, but the result of accumulated choices—economic models, legislation, planning, and disciplinary culture. Given this, it is not enough to design more buildings; it is necessary to rethink ways of living, property regimes, forms of cooperation, and the urban imaginaries that sustain the contemporary city.

Wide-Angle View calls upon architects, students, researchers, and citizens to take a stand. To look at the archive not as a formal repertoire, but as critical memory. To recognize in photography not only a means of representation, but a form of thought. To understand that every image is a stance—and that all architecture communicates, even when it intends to silence its effects.

This manifesto affirms that Manplan's relevance lies precisely in his refusal of indifference. In his ability to expose discomfort, to make visible the flaws of the system, and to insist that quality of life is a collective issue. Today, as then, architecture only makes sense if it is conceived from concrete life, its fragilities, and its urgencies.

Expanding one's field of vision is, therefore, a commitment to the present. An invitation to critical action. A demand for disciplinary responsibility. Between archive and present, between image and project, between architecture and society, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT argues that there is no habitable future without an attentive, informed, and profoundly human look at the city we build.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP and CCA channels.

 

Exposição “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” inaugura na Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Wide-Angle View: A ARQUITETURA COMO ESPAÇO SOCIAL NA SÉRIE MANPLAN 1969–70

Inauguração DA EXPOSIÇÃO na Ordem dos Arquitetos Secção Regional Norte NO DIA 27 de fevereiro, pelas 18h30

VISITA GUIADA por Valeria Carullo (curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects - RIBA)

PT/ENG

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos acolhe, no próximo dia 27 de fevereiro de 2025, pelas 18h30, uma mostra inédita em Portugal, que revisita a série de fotografias “Manplan” publicada pelo periódico The Architectural Review em 1969–1970, e que marcou profundamente a forma como arquitetura, planeamento e sociedade passaram a ser representados visualmente.

Resultado de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitetos (SR-NRT), a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal, a exposição propõe uma leitura crítica sobre a forma como a arquitetura, a cidade e a vida quotidiana foram — e continuam a ser — representadas e pensadas.

Produzida num contexto de crise das promessas do pós-guerra, a série Manplan marcou uma rutura profunda na cultura editorial da arquitetura ao deslocar o foco do edifício enquanto objeto para a arquitetura enquanto espaço social vivido. Através de narrativas visuais sequenciais, inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua, Manplan abordou temas fundamentais como a habitação, a saúde, o trabalho, a educação ou o lazer, colocando as pessoas e os seus contextos no centro da reflexão arquitetónica.

A exposição Wide-Angle View apresenta uma seleção de fotografias e materiais originais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, impressos digitalmente para esta mostra, incluindo imagens que nem todas chegaram a ser publicadas. O título remete para a utilização da lente grande-angular enquanto dispositivo técnico e conceptual, simbolizando uma forma de olhar que amplia o campo de visão e aproxima o observador da realidade social da cidade.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea, particularmente relevante num momento marcado pela crise da habitação, pela mercantilização do espaço urbano e pelas desigualdades sociais. Ao estabelecer pontes entre o legado crítico da Manplan e as investigações atuais desenvolvidas no âmbito da FAUP e de Sophia Journal, a mostra sublinha o papel da fotografia e da imagem como instrumentos de pensamento crítico e de questionamento disciplinar.

A inauguração contará com intervenções institucionais, seguidas de uma visita guiada pela curadora Valeria Carullo, curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects (RIBA), e da apresentação de uma futura conferência internacional associada ao projeto Sophia Journal. A exposição estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte até maio de 2026, sendo acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a arquitetos, estudantes, investigadores e ao público em geral.

Ao acolher Wide-Angle View, a Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte reafirma o seu papel enquanto espaço ativo de reflexão crítica e de diálogo entre arquitetura, imagem e sociedade, sublinhando a atualidade e a urgência do pensamento inaugurado pela Manplan.

Programa da Exposição

Parceiros | Organização

  • SR-NRT – Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte

  • RIBA – Royal Institute of British Architects

  • Cityscopio Associação Cultural (CCA)

  • CENP–FAUP — Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação AAI, e Sophia Journal

Programa da inauguração

27 de fevereiro de 2025 — Sede da SR-NRT

18h30 — Sessão de abertura
Intervenções:
- Andreia Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos

- Avelino Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos

– José Pedro Sousa, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto
– Pedro Leão Neto, Associação Cultural Cityscopio

19h00 — Visita guiada
Por Valeria Carullo, curadora de fotografia no RIBA

Permanência e atividades paralelas

De março a maio de 2026, a SR-NRT acolherá:

  • visitas guiadas temáticas

  • conversas com investigadores e curadores

  • atividades educativas

Público-alvo

Estudantes, profissionais e público interessado em:
Arquitetura, fotografia, urbanismo, artes visuais, história da cidade, estudos culturais e políticas urbanas.

Entrada livre.
Mais informações em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Workshop com Todd Hido | Porto, fevereiro de 2026

 

Workshop com Todd Hido | Porto, fevereiro de 2026

Nos dias 5, 6, 7 e 8 de fevereiro de 2026, a Leica Akademie Portugal acolhe no Porto o workshop internacional “Critical Decisions: Perspectives on the Creative Process”, orientado por Todd Hido, um dos autores mais influentes da fotografia contemporânea.

Ao longo de quatro dias de imersão intensiva, este workshop propõe uma reflexão profunda sobre a relação entre imagem, espaço, memória e experiência humana, explorando temas como território, corpo e vida coletiva.

Reconhecido internacionalmente pela sua abordagem crítica e sensível ao ambiente construído, à paisagem suburbana, à habitação, à luz e à atmosfera emocional dos espaços, o trabalho de Todd Hido questiona a forma como habitamos, observamos e interpretamos o mundo. As suas imagens revelam dimensões invisíveis do quotidiano, tornando este workshop especialmente relevante para profissionais e estudantes ligados à arquitetura, urbanismo, planeamento, artes visuais, ciências sociais e práticas culturais.

Mais do que um workshop técnico, trata-se de um laboratório de pensamento visual, onde serão explorados: processos de decisão criativa; leitura crítica do território e do espaço construído; construção de narrativa visual; sequenciação, memória e impacto emocional da imagem; diálogo entre prática artística, pensamento crítico e contexto social.

Esta é uma oportunidade única de enriquecimento cultural e intelectual, promovendo um olhar mais atento, sensível e crítico sobre o mundo que projetamos, analisamos e cuidamos diariamente.

Mais informações e inscrições:

https://pt.leica-camera.com/loja/workshop-critical-decisions-perspectives-on-the-creative-process-com-todd-hido/

 

Recensão de Iñaki Bergera na Arquitectura Viva sublinha o alcance crítico do Prémio Luis Ferreira Alves

 
 
 

Recensão de Iñaki Bergera na Arquitectura Viva sublinha o alcance crítico do Prémio Luis Ferreira AlveS

PT/ENG

A revista Arquitectura Viva (AV) publicou recentemente a recensão Un pulso visual, assinada por Iñaki Bergera, dedicada à publicação Prémio Luis Ferreira Alves | Edição 2025. O texto oferece uma leitura crítica e informada sobre o primeiro Concurso Internacional de Fotografia Luis Ferreira Alves, contextualizando-o no panorama contemporâneo da fotografia de arquitetura e reconhecendo-o como um contributo relevante para a reflexão sobre o ambiente construído.

Partindo da necessidade de dotar a fotografia de arquitetura de um espaço próprio de reconhecimento, simultaneamente interno à disciplina e aberto ao debate cultural mais amplo, Bergera destaca a visão curatorial da scopio Editions e o modo como o prémio homenageia o legado de Luis Ferreira Alves, figura central na construção do imaginário da arquitetura portuguesa do último quarto do século XX. A recensão sublinha ainda a solidez do processo concursal, evidenciada pela composição do júri — que integrou Eduardo Souto de Moura, Hélène Binet e Paulo Catrica — e pelo número expressivo de candidaturas recebidas.

Ao analisar os trabalhos distinguidos, Bergera evidencia a diversidade geográfica, temática e conceptual das séries premiadas, salientando a forma como estas se afastam de uma lógica meramente documental para assumirem leituras holísticas, transversais e críticas do território, da cidade e da arquitetura. A fotografia emerge, assim, não como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de reflexão, capaz de revelar as tensões, fragilidades e paradoxos do mundo construído contemporâneo.

A publicação desta recensão na Arquitectura Viva reveste-se de um significado particular, não apenas pelo prestígio internacional da revista, mas também pela ligação de longa data de Iñaki Bergera à comunidade da Sophia Journal e da scopio Editions, bem como ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI), sediado no Centro de Estudos Nuno Portas (CENP) da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Ao longo dos anos, Bergera tem participado ativamente neste ecossistema académico e editorial, contribuindo para o aprofundamento do debate crítico sobre as relações entre arquitetura, fotografia e paisagem.

A sua leitura do Prémio Luis Ferreira Alves | Edição 2025 reforça, assim, uma afinidade intelectual e metodológica construída no tempo, marcada por uma atenção rigorosa à imagem enquanto instrumento de conhecimento, interpretação e questionamento cultural. A recensão confirma também a projeção internacional do prémio e da publicação, afirmando-os como plataformas relevantes no diálogo contemporâneo entre arquitetura e fotografia.

A obra, de caráter bilingue (português–inglês) e distribuição internacional, resulta de uma parceria editorial entre a scopio Editions e a editora espanhola Turner, consolidando a ambição de ampliar públicos, geografias e campos disciplinares, e de estimular uma leitura crítica da imagem arquitetónica no contexto global atual.

 

Review by Iñaki Bergera in Arquitetura Viva highlights the critical reach of the Luis Ferreira Alves Prize.

 
 
 

Review by Iñaki Bergera in Arquitetura Viva highlights the critical reach of the Luis Ferreira Alves Prize

PT/ENG

The magazine Arquitectura Viva (AV) recently published the review "Un pulso visual" (A Visual Pulse), written by Iñaki Bergera, dedicated to the publication of the Luis Ferreira Alves Prize | 2025 Edition. The text presents a critical and informed analysis of the first Luis Ferreira Alves International Photography Competition, situating it within the contemporary landscape of architectural photography and acknowledging it as a significant contribution to the reflection on the built environment.

Starting from the need to provide architectural photography with its own space for recognition, simultaneously internal to the discipline and open to broader cultural debate, Bergera highlights the curatorial vision of scopio Editions and the way the prize honours the legacy of Luis Ferreira Alves, a central figure in the construction of the imaginary of Portuguese architecture in the last quarter of the 20th century. The review also highlights the solidity of the competition process, evidenced by the composition of the jury—which included Eduardo Souto de Moura, Hélène Binet, and Paulo Catrica—and by the impressive number of entries received.

In analysing the winning works, Bergera emphasises the geographical, thematic, and conceptual diversity of the award-winning series, highlighting how they move away from a merely documentary logic to assume holistic, transversal, and critical readings of the territory, the city, and architecture. Photography thus emerges not as an end in itself, but as a tool for reflection, capable of revealing the tensions, fragilities, and paradoxes of the contemporary built world.

The publication of this review in Arquitectura Viva is of particular significance, not only because of the magazine's international prestige, but also because of Iñaki Bergera's long-standing connection to the Sophia Journal and scopio Editions community, as well as to the Architecture, Art and Image (AAI) research group, based at the Nuno Portas Studies Centre (CENP) of the Faculty of Architecture of the University of Porto (FAUP). Over the years, Bergera has actively participated in this academic and editorial ecosystem, contributing to the deepening of the critical debate on the relationships between architecture, photography, and landscape.

His reading of the Luis Ferreira Alves Prize | 2025 Edition thus reinforces an intellectual and methodological affinity that has been built over time, marked by a rigorous attention to the image as an instrument of knowledge, interpretation, and cultural questioning. The review also confirms the international projection of the prize and the publication, affirming them as relevant platforms in the contemporary dialogue between architecture and photography.

The work, bilingual (Portuguese-English) and with international distribution, is the result of an editorial partnership between scopio Editions and the Spanish publisher Turner, consolidating the ambition to broaden audiences, geographies, and disciplinary fields, and to stimulate a critical reading of architectural images in the current global context.

 

Candidaturas até 21 jan. 2026 | Curso 'Fotografia como Ferramenta de Investigação do Espaço Urbano'

 

Candidaturas até 21 jan. 2026 | Curso 'Fotografia como Ferramenta de Investigação do Espaço Urbano'

PT/ENG

CANDIDATURAS ONLINE [até 21 de janeiro 2026]
 - FAUP SIGARRA - Candidaturas via WEB através do url: https://sigarra.up.pt/faup/pt/cand_geral.informacao_relevante_cans_view?pv_processo_id=902683


FORMAÇÃO CONTÍNUA NA FAUP

CANDIDATURAS ONLINE

Encontram-se abertas, até 21 de janeiro de 2026, as candidaturas à unidade de formação contínua 'Fotografia como Ferramenta de Investigação do Espaço Urbano'. Esta formação pretende capacitar os formandos para a utilização da fotografia como ferramenta de investigação, interpretação e representação do espaço urbano e proporcionar um ambiente de suporte colaborativo para o desenvolvimento de projetos individuais.

Ao longo de onze sessões, serão apresentados autores e trabalhos de referência, que permitem contextualizar práticas contemporâneas que cruzam investigação e criação artística. Será proporcionado acompanhamento individualizado dos projetos em desenvolvimento, através de sessões de orientação tutorial e de momentos de discussão e análise coletiva.

A orientação pedagógica ficará a cargo da Investigadora Ana Miriam Rebelo, sendo a supervisão científica do Professor Pedro Leão Neto.

Acreditada com 4 ECTS, esta unidade de formação constitui o segundo módulo do curso de formação contínua  'Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano'.

O curso tem um custo de 150 euros para estudantes, docentes e funcionários da Universidade do Porto, 180 euros para alumni U.Porto e 200 euros para o público em geral. Acresce, em todos os casos, o valor de 2 euros correspondente ao seguro escolar.

Mais informações na página do curso 'Fotografia como ferramenta de investigação do espaço urbano'.

Formadora: Ana Miriam Rebelo
Supervisão Científica:
 Professor Doutor Pedro Leão Neto


Destinatários

O curso é destinado a uma comunidade multidisciplinar que tem na arquitetura e no espaço urbano o seu centro de interesse, seja como território de prática, como objeto de investigação ou como tema de criação artística. Assim, o curso acolhe estudantes universitários, investigadores e profissionais de diversas áreas - da arquitetura e do urbanismo às artes visuais e às ciências sociais - assim como outras pessoas interessadas em fotografia, arquitetura e espaço urbano.

Pretende-se assim promover um ambiente multidisciplinar participativo, incentivando a troca de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas de conhecimento e enriquecendo perceções sobre as dinâmicas de produção, utilização e apropriação do espaço urbano.


Módulo2 – Fotografia como ferramenta de investigação do espaço urbano

 

Conteúdos programáticos

- Fotografia e investigação: a fotografia como meio de documentação e como prática discursiva na investigação do espaço urbano

- Autores e trabalhos de referência: diferentes abordagens e estratégias entre a investigação e a prática artística

- Práticas de etnografia visual

- Estratégias de análise e exploração do espaço: a fotografia como um elemento discursivo que constrói significados sobre os espaços, a arquitetura e a sociedade

- Narrativa visual: construção de discursos fotográficos em formato digital e impresso

Carga horária: 
11 sessões | 33 horas de contacto
Calendário: 20 de fevereiro a 22 de maio de 2026
Horário: sextas-feiras
- 15h00 > 18h00
Regime: 
presencial
Língua de comunicação: 
Português (PT)

4 ECTS


Biografias

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciou-se em Belas-Artes pela École d’Enseignement Supérieur d’Art de Bordeaux (2005). É mestre em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro (2019) e doutorada em Design pela Universidade do Porto (2025), com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Presentemente, exerce funções de docência e investigação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Integra o Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo (CEAU) e o Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura (ID+). A sua produção artística e científica, apresentada em comunicações, publicações e exposições, incide sobre a produção, perceção e representação do espaço urbano, com particular ênfase nas dinâmicas informais de construção e apropriação do espaço público.

Mais informação em FAUP SIGARRA - Candidaturas via WEB 
https://sigarra.up.pt/faup/pt/cand_geral.informacao_relevante_cans_view?pv_processo_id=902683

 

PHOTOGRAPHY AS A TOOL FOR INTERPRETING AND REPRESENTING ARCHITECTURE AND URBAN SPACE (Copy)

 
 
 

FAUP | Applications until 21 JANUARY 2026 | COURSE “PHOTOGRAPHY AS A TOOL FOR INTERPRETING AND REPRESENTING ARCHITECTURE AND URBAN SPACE”

PT/ENG

ONLINE APPLICATIONS [21 jANUARY 2026]
 - FAUP SIGARRA - Applications via the WEB through the URL: https://sigarra.up.pt/faup/pt/cand_geral.informacao_relevante_cans_view?pv_processo_id=902683


CONTINUING EDUCATION AT FAUP

ONLINE APPLICATIONS

Applications are open until January 21, 2026, for the continuing education unit 'Photography as a Research Tool for Urban Space'. This training aims to empower trainees to use photography as a tool for investigating, interpreting, and representing urban space, and to provide a collaborative support environment for the development of individual projects.

Over eleven sessions, reference authors and works will be presented, allowing for the contextualization of contemporary practices that intersect research and artistic creation. Individualized support will be provided for projects under development through tutorial guidance sessions and moments of collective discussion and analysis.

Pedagogical guidance will be provided by Researcher Ana Miriam Rebelo, with scientific supervision by Professor Pedro Leão Neto.

Accredited with 4 ECTS credits, this training unit constitutes the second module of the continuing education course 'Photography as an Instrument for Interpreting and Representing Architecture and Urban Space'.

The course costs 150 euros for students, teachers and staff of the University of Porto, 180 euros for U.Porto alumni and 200 euros for the general public. In all cases, an additional 2 euros is charged for school insurance.

The course will feature guest speakers and a space for dissemination on the Scopio Network platform.

Trainer: Ana Miriam Rebelo

Scientific Supervision: Professor Pedro Leão Neto


Target audience

The course is aimed at a multidisciplinary community whose main interest lies in architecture and urban space, whether as a field of practice, a subject of research or a theme for artistic creation. The course therefore welcomes university students, researchers and professionals from various fields – from architecture and urban planning to visual arts and social sciences – as well as other people interested in photography, architecture and urban space.

The aim is to promote a participatory multidisciplinary environment, encouraging the exchange of knowledge and experiences between different areas of knowledge and enriching perceptions about the dynamics of production, use and appropriation of urban space.


Module 2 – The photographic device as an instrument for investigating urban space.

Programme content

- Photography and research: photography as a means of documentation and as a discursive practice in the investigation of urban space

- Authors and reference works: different approaches and strategies between research and artistic practice

- Visual ethnography practices

- Strategies for analysing and exploring space: photography as a discursive element that constructs meanings about spaces, architecture and society

- Visual narrative: construction of photographic discourses in digital and printed format

Workload: 11 sessions | 33 contact hours

Calendar: 20 February to 22 May 2026

Timetable: Fridays - 3pm > 6pm

Mode: face-to-face

Language of communication: Portuguese (PT)

4 ECTS


Biographies

Ana Miriam is a photographer, researcher and professor in the field of visual arts and visual culture. She graduated in Fine Arts at École d'Enseignement Supérieur d'Art de Bordeaux (2005). She holds a Master in Contemporary Artistic Creation from the University of Aveiro (2019) and a PhD in Design from the University of Porto (2025), funded by Fundação para a Ciencia e a Tecnologia. She is currently a teacher and researcher at the Faculty of Arts and Humanities of the University of Porto. She is a member of the Center for Studies in Architecture and Urbanism (CEAU) and Research Institute for Design, Media and Culture (ID+). Her artistic and scientific production, disseminated through communications, publications and exhibitions, focuses on the production, perception and representation of urban space, with an emphasis on informal dynamics of production and use of public space.

More information at FAUP SIGARRA - Applications via WEB

https://sigarra.up.pt/faup/pt/cand_geral.informacao_relevante_cans_view?pv_processo_id=902683

 

REDE EUROPEIA DE FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PARA ESPAÇOS PÚBLICOS (ECPN)

 

Vivid Stockholm Metro Station Interior from Efren Efre

EN / PT

Rede Europeia de Fotografia Contemporânea para Espaços Públicos (ECPN)

CHAMADA INTERNA ABERTA À comunidade académica (investigadores, docentes, etc.) PARA INTEGRAR A EQUIPA DE CANDIDATURA  ECPN - Projeto inovador de cooperação cultural transnacional - Europa Criativa - CREA-CULT-2026-COOP

O Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), sediado na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), convida os colegas interessados ​​a manifestarem interesse em integrar a equipa de candidatura à Rede Europeia de Fotografia Contemporânea para Espaços Públicos (ECPN) — um projeto inovador de cooperação cultural transnacional de média dimensão a submeter no âmbito do programa Europa Criativa – Cultura (CREA-CULT-2026-COOP).

O programa CREA-CULT-2025-COOP-2 (Projetos de Média Escala) apoia projetos de cooperação transfronteiriça nos setores cultural e criativo, no âmbito da vertente Cultura do Programa Europa Criativa. Aberto a organizações de todas as dimensões, o programa promove a colaboração europeia, a inovação e o valor cultural partilhado, em consonância com as prioridades da UE, como a sustentabilidade, a inclusão, a transição digital e a cooperação internacional. Os projetos de média escala requerem um consórcio de, pelo menos, cinco parceiros de cinco países elegíveis e podem receber até 1 milhão de euros de financiamento da UE (cofinanciamento máximo de 70%). A título de comparação, os projetos de pequena escala recebem financiamento até 250.000 euros, enquanto os projetos de grande escala podem receber até 3 milhões de euros. Os projetos focados exclusivamente no setor audiovisual não são elegíveis.

Este convite interno é dirigido à comunidade académica (investigadores, docentes, etc.), nomeadamente todos os colegas da UP/ESMAD/ESAP e UBI interessados ​​em contribuir para o desenvolvimento de um ambicioso projeto europeu que reúne a prática artística, a investigação académica e o envolvimento do público, posicionando a fotografia contemporânea como uma ferramenta crítica para refletir sobre os desafios urbanos, sociais, ambientais e políticos em toda a Europa.

Sobre o Projeto

A Rede Europeia de Fotografia Contemporânea para Espaços Públicos (eCPN) é uma iniciativa transnacional inovadora que transforma estações de metro, terminais de transportes e espaços públicos adjacentes em espaços culturais com grande dinâmica onde a fotografia contemporânea, a participação cívica e a reflexão urbana estão presentes de forma significativa. Concebida como um Museu Aberto e uma rede de Laboratórios Vivos, a eCPN ativa o espaço público como uma plataforma partilhada para a experimentação artística, a investigação interdisciplinar e o diálogo democrático.

O projeto opera em Portugal, Espanha, Irlanda, Finlândia e Croácia, estabelecendo fortes laços com a Ucrânia e envolvendo universidades, instituições culturais, artistas, investigadores e gestores de espaços públicos. Enraizada na cultura de investigação da FAUP e do CENP, particularmente através do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI), a eCPN baseia-se em importantes iniciativas anteriores, como o CONTRAST (DGARTES) e o Espaços Visuais de Mudança (FCT), alargando as suas metodologias e visão a um contexto europeu mais vasto.

Plataformas Culturais Europeias e Visibilidade

Uma dimensão fundamental da eCPN é a sua forte integração no ecossistema cultural e artístico europeu. O projeto irá interagir com as principais plataformas e redes internacionais de fotografia e arte mediática, para além de participar em importantes fóruns internacionais nestas áreas culturais e artísticas, que acreditamos que contribuem para a visibilidade, circulação e acessibilidade da fotografia contemporânea europeia. Em vez de duplicar as iniciativas existentes, o eCPN atua como uma plataforma complementar e geradora de novas ideias, contribuindo com novos formatos curatoriais, geografias inexploradas e vozes emergentes, ao mesmo tempo que reforça a presença cultural da Europa nos espaços públicos físicos e digitais.

Cooperação e Impacto Transfronteiriços

Na sua essência, o eCPN é um projeto de cooperação transfronteiriça, que fomenta uma rede transnacional construída sobre confiança, metodologias partilhadas e colaboração a longo prazo. Através de exposições, residências artísticas, workshops, conferências e open calls, o projeto liga instituições culturais, investigadores, artistas e cidadãos em diversos contextos europeus.

Ao ativar os espaços públicos em cidades como o Porto, Vila do Conde, Fundão, Barcelona, ​​​​Dublin, Helsínquia, Zagreb e Kiev, o eCPN promove o diálogo intercultural, a troca de conhecimentos e abordagens inovadoras ao espaço público, à participação cultural e à transformação urbana. Os seus resultados (narrativas visuais, publicações de investigação, dados cartográficos e recursos digitais) são concebidos para serem replicáveis e adaptáveis, ampliando o impacto do projeto para além dos principais países parceiros e contribuindo para uma Europa mais conectada e culturalmente engajada.

Porquê aderir à Equipa de Candidaturas do eCPN?

Esta é uma oportunidade única e extremamente estimulante para:

Trabalhar numa equipa jovem, motivada e colaborativa;

Contribuir para um projeto europeu de grande escala com forte visibilidade e impacto internacional; 

Interagir com práticas artísticas e de investigação de vanguarda na intersecção da fotografia, arquitetura, estudos urbanos e ciências sociais;

Obter experiência prática na conceptualização e redação de uma candidatura ao programa Europa Criativa, incluindo pacotes de trabalho, estratégias de divulgação e quadros de impacto;

Participar num projeto intimamente alinhado com o legado pedagógico da FAUP e com a missão de investigação interdisciplinar do CENP.

Estrutura de Equipa da Candidatura

A candidatura eCPN é atualmente coordenada por:

Pedro Leão Neto – Coordenador Geral

Sérgio Miguel Magalhães – Coordenador Adjunto

Maria Neto – Coordenadora Associada

Ana Miriam Rebelo – Apoio Científico e Administrativo

A equipa opera através de uma estrutura partilhada, flexível e colaborativa, permitindo a substituição mútua e a responsabilidade coletiva, garantindo a continuidade, o ritmo e a estabilidade ao longo do processo de candidatura.

Organizações / Funções e Contributos do eCPN

Organização Coordenadora

Universidade do Porto (FAUP, Portugal)

  • Proporciona liderança académica, coordenação de investigação, desenvolvimento metodológico e acolhe exposições públicas e workshops locais;

  • Promove a circulação e a co-criação entre os artistas europeus. ;

  • Desenvolve projetos fotográficos que refletem sobre a inadequação habitacional e a vulnerabilidade social;

  • Através do projeto de investigação CONTRAST:

○ Interage com os espaços públicos e com as redes de transportes.

○ As atividades incluem exposições, debates e workshops que promovem o pensamento crítico e a inclusão.

○ Utiliza o Metro do Porto para exposições itinerantes.

Organizações Colaboradoras

BSA (Belfast, Reino Unido)

  • Desenvolve Laboratórios Vivos em Belfast em torno de temas como a gentrificação e as crises habitacionais;

  • Enfatiza as colaborações comunitárias e a curadoria de exposições. Finlândia

ESAP (Porto)

  • Foca-se no papel da fotografia na geopolítica e no território;

  • Interage com espaços urbanos abandonados no Porto;

  • Promove práticas colaborativas e interdisciplinares

ESMAD (Vila do Conde)

  • Reflexão artística multidisciplinar sobre o espaço público.

  • Aborda desafios sociais, políticos e ambientais.

  • Cada ano foca-se numa cidade diferente.

FLUP (Porto)

  • Fomenta a fertilização cruzada de conhecimentos entre as artes, as humanidades e as ciências sociais;

  • Explora o papel do artista na transição verde, no direito à habitação e na mudança das políticas urbanas.

UBI (Covilhã/Fundão) ○ Projecto ligado às "Paisagens do Cuidado e da Domesticidade".

  • Projecto ligado às "Paisagens do Cuidado e da Domesticidade” (Fundação La Caixa/FCT).

  • Forte ligação à governação local e às instituições culturais.

Instituições Parceiras

ETSAB (Barcelona, ​​​​Espanha): Especialização em estudos urbanos, programação curatorial e organização de eventos.

  • Documenta a transformação urbana em La Sagrera (Barcelona).

  • Envolve estudantes e profissionais em missões fotográficas.

  • Os resultados incluem exposições, publicações e ferramentas de envolvimento dos cidadãos. Irlanda

UCD (Dublin, Irlanda): Humanidades urbanas, investigação interdisciplinar, publicações editoriais.

  • Coordena eventos em Dublin relacionados com os Living Labs.

  • Promove palestras públicas, exposições e open calls para artistas.

  • Foca-se nas instalações site-specific e na interação com o público.

AALTO (Helsínquia, Finlândia): Cultura visual e fotografia contemporânea, coordenação dos Living Labs.

  • Realiza workshops sobre “Fotografia Infraestrutural”.

  • Os temas incluem o envolvimento sensorial, o turismo infraestrutural e a publicação experimental.

  • As atividades decorrem em estações de metro e incluem o desenvolvimento de kits de ferramentas e visitas interativas. Croácia

KUĆĆA (Zagreb, Croácia): programação curatorial, direção de residência artística, publicações editoriais

  • Investigação sobre cidades subterrâneas e percursos esquecidos.

  • Organiza residências, intervenções públicas e exposições em túneis da época da guerra.

  • Foco na revitalização de infraestruturas desativadas. Ucrânia

Parceiros Associados

Associação Europeia para a Educação em Arquitectura (EAAE)

  • Disseminação estratégica e envolvimento académico europeu.

Associação Cultural Cityscopio (CCA)

  • Consultoria em identidade visual, direção curatorial e atividades de engagement público.

  • Consultoria para subcontratação de empresa - Identidade Visual - Plataforma digital eCPN e a sua arquitetura de informação.

NAFFA (Kiev, Ucrânia):

  • Residências em rede de espaços públicos - Conferência de projeto final

Empresa especializada em subcontratação

  • Identidade gráfica Plataforma digital eCPN e a sua arquitetura de informação.

Perfil Desejado

Procuramos um(a) Investigador ou Docente com:

· Forte interesse pela fotografia contemporânea, artes visuais e comunicação.

• Motivação para trabalhar num ambiente interdisciplinar e internacional;

• Capacidade para a investigação colaborativa, pensamento crítico e escrita académica;

• Disponibilidade e empenho para participar ativamente na fase de preparação da proposta para o programa Europa Criativa.

Candidaturas / Contactos
Os interessados devem formalizar a sua candidatura, enviando o seu CV e a Carta de Motivação (até 3000 caracteres com espaços), para o seguinte correio elctrónico: info.aai@arq.up.pt

Prazo de candidatura: 1 Fevereiro 2026

Seleção

A seleção do candidato será feita pele equipa de candidatura eCPN, segundo os seguintes critérios:
CV – 50% | Motivação – 50%
Uma entrevista poderá ser requerida, para clarificação da informação transmitida pelos candidatos ou desempate.

Datas de apresentação pública do projeto eCPN

Informação sobre apresentação pública do projeto eCPN será disponibilizada em breve durante o mês de Janeiro  2026

Contexto Institucional

A FAUP e o Centro de Estudos Nuno Portas (CENP) proporcionam um ambiente de investigação estimulante, com um forte reconhecimento internacional, uma abertura interdisciplinar e um compromisso de longa data com a produção de conhecimento crítico e baseado em projetos. Integrar esta equipa de candidatura significa contribuir para um projeto que reforça o papel da FAUP como referência europeia na investigação inovadora e na cooperação cultural. 

Os(As) colegas interessados(as) em integrar a equipa de candidatura do eCPN são cordialmente encorajados(as) a manifestar o seu interesse e a fazer parte deste esforço coletivo.

Junte-se a nós na construção de uma rede cultural europeia onde o espaço público se torna um laboratório vivo para a arte, a investigação e a participação democrática.

 

Pedro Leão Neto

(em nome da equipa de candidatura eCPN)

Faculdade de Arquitectura – Universidade do Porto (FAUP)

Centro de Estudos Nuno Portas (CENP)