Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View reúne estudantes de Arquitetura da UFP na OASRN

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View reúne estudantes de Arquitetura da UFP na OASRN

No passado dia 29 de abril, a sede da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com o Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Fernando Pessoa (UFP).

A sessão reuniu estudantes e docentes da UFP num momento de contacto direto com a exposição, promovendo uma reflexão crítica em torno das relações entre arquitetura, fotografia e sociedade. A visita foi conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP e membro do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), e por Maria Neto, investigadora do mesmo grupo, contando ainda com a participação de um representante da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte.

A acompanhar os estudantes estiveram Sara Sucena, Professora Associada do Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Fernando Pessoa, cuja participação contribuiu para aprofundar o debate em torno da imagem enquanto instrumento de leitura crítica da arquitetura e da cidade.

Ao longo da visita, a exposição foi apresentada como um espaço de reflexão sobre o papel da fotografia na construção de discursos críticos sobre o território e o espaço construído. Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma deslocação do olhar da arquitetura enquanto objeto autónomo para a arquitetura enquanto espaço social vivido, centrando-se nas relações humanas, nos contextos urbanos e nas condições que moldam a experiência quotidiana.

A noção de wide angle foi discutida como uma ampliação do campo de visão sobre a arquitetura, permitindo compreender de que modo a imagem pode revelar dinâmicas sociais, desigualdades territoriais e transformações urbanas frequentemente ausentes das representações convencionais da disciplina.

As fotografias e materiais apresentados — provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections — evidenciam uma abordagem visual próxima do fotojornalismo e da fotografia de rua, cruzando temas como habitação, trabalho, educação, saúde e lazer. Neste contexto, a fotografia foi abordada simultaneamente enquanto documento e construção crítica, capaz de registar a realidade e, ao mesmo tempo, de produzir novas formas de interpretação sobre a cidade contemporânea.

Ao longo do percurso expositivo foram promovidos momentos de diálogo e discussão, incentivando os estudantes a refletir sobre a atualidade das questões levantadas por Manplan, particularmente num contexto marcado pela crise da habitação, pelas desigualdades urbanas e pelas transformações sociais do território.

A sessão terminou com um debate alargado entre participantes, reforçando a importância destas iniciativas no âmbito do ensino, da investigação e da cultura arquitetónica. Ao aproximar os estudantes de práticas expositivas e curatoriais contemporâneas, a aula aberta sublinhou o papel da fotografia enquanto ferramenta de investigação, pensamento crítico e comunicação no campo da arquitetura e da cidade.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Arquiteturas Film Festival promotes photography workshop with Leon Krige in Porto

 
 
 

photography of Leon Krige

Arquiteturas Film Festival promotes photography workshop with Leon Krige in Porto

Porto for its 13th edition | July 1st to 5th, 2026, under the theme Urban Age

PT/ENG

The Arquiteturas Film Festival returns to Porto for its 13th edition, between July 1st and 5th, 2026, under the theme Urban Age. As part of this year's program, the INSTITUTO organizes the photography workshop Architecture of the Eye, led by South African photographer and architect Leon Krige, one of the leading contemporary figures in urban photography.

Registration for the workshop is open until May 31, via the form available on the festival's official website.
Rules e Registration form, via Google Forms. 

The initiative is developed in two modules — one dedicated to urban space and the other to contemporary architecture — proposing a practical approach to digital and analog photography in different lighting conditions, both day and night. The digital component prioritizes the panoramic format, while the analog aspect explores creative techniques such as multiple exposures and lens rotation.

Over five days, participants will work in several emblematic locations in the city of Porto, including the historic center, the Faculty of Architecture of the University of Porto (FAUP), the Serralves Museum, and the Casa da Música. The digital editing and analog developing sessions will take place at Casa Comum – Rectory of the University of Porto.

The workshop concludes with a public presentation of the work developed by the participants.

The use of personal equipment is not mandatory; it is possible to follow the photographer's work without a camera. However, participants may use their own equipment and experiment with the techniques covered during the sessions. The training will be conducted entirely in English.

The event is organized by the INSTITUTE, in partnership with Casa Comum – Rectorate of the University of Porto, the Architecture, Art and Image group of the Nuno Portas Studies Center of the Faculty of Architecture of the University of Porto (AAI/FAUP), the Serralves Museum, the Order of Architects – Northern Regional Section, and the Cityscopio Cultural Association, through its publishing project scopio Editions.

The collaboration between the AAI/FAUP group and the Cityscopio Cultural Association seeks to deepen the role of image and representational tools—with a special focus on contemporary photography—as instruments of critical reflection on architecture, city, and urban space. Through the scopio Editions publishing project, this partnership has been promoting new readings of contemporary architecture and urban dynamics, articulating research, artistic practice, and critical thinking.

The festival also has the support of DGArtes and the Porto City Council.

More information and registration:
Rules e Registration form, via Google Forms


https://arquiteturasfilmfestival.com

 

Arquiteturas Film Festival promove oficina de fotografia com Leon Krige no Porto

 
 
 

fotografia de Leon Krige

Arquiteturas Film Festival promove oficina de fotografia com Leon Krige no Porto

Porto para a sua 13.ª edição | 1 e 5 de julho de 2026, sob o tema Urban Age

PT/ENG

O Arquiteturas Film Festival regressa ao Porto para a sua 13.ª edição, entre 1 e 5 de julho de 2026, sob o tema Urban Age. No âmbito da programação deste ano, o INSTITUTO organiza a oficina de fotografia Architecture of the Eye, orientada pelo fotógrafo e arquiteto sul-africano Leon Krige, uma das referências contemporâneas da fotografia urbana.

As inscrições para a oficina decorrem até 31 de maio, através do formulário disponível no site oficial do festival.
Regulamento e Ficha de inscrição, via Google Forms. 

A iniciativa desenvolve-se em dois módulos — um dedicado ao espaço urbano e outro à arquitetura contemporânea — propondo uma abordagem prática à fotografia digital e analógica em diferentes condições de luz, tanto diurna como noturna. A componente digital privilegia o formato panorâmico, enquanto a vertente analógica explora técnicas criativas como múltiplas exposições e rotação de lente.

Ao longo de cinco dias, os participantes irão trabalhar em vários locais emblemáticos da cidade do Porto, incluindo o centro histórico, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), o Museu de Serralves e a Casa da Música. As sessões de edição digital e revelação analógica decorrerão na Casa Comum – Reitoria da Universidade do Porto.

A oficina termina com uma apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos pelos participantes.

Não é obrigatória a utilização de equipamento próprio, sendo possível acompanhar o trabalho do fotógrafo sem câmara fotográfica. Ainda assim, os participantes poderão utilizar o seu próprio material e experimentar as técnicas abordadas durante as sessões. A formação será integralmente lecionada em inglês.

A organização é do INSTITUTO, em parceria com a Casa Comum – Reitoria da Universidade do Porto, o grupo Arquitetura, Arte e Imagem do Centro de Estudos Nuno Portas da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (AAI/FAUP), o Museu de Serralves, a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte e a Associação Cultural Cityscopio, através do seu projeto editorial scopio Editions.

A colaboração entre o grupo AAI/FAUP e a Associação Cultural Cityscopio procura aprofundar o papel da imagem e das ferramentas de representação — com especial enfoque na fotografia contemporânea — enquanto instrumentos de reflexão crítica sobre arquitetura, cidade e espaço urbano. Através do projeto editorial scopio Editions, esta parceria tem vindo a promover novas leituras da arquitetura contemporânea e das dinâmicas urbanas, articulando investigação, prática artística e pensamento crítico.

O festival conta ainda com o apoio da DGArtes e da Câmara Municipal do Porto.

Mais informações e inscrições:
Regulamento e Ficha de inscrição, via Google Forms

https://arquiteturasfilmfestival.com

 

Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril

 
 
 

Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 29 de MAIO, 18h00

Mesa-redonda e conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”.

No dia 29 de maio, sexta-feira, pelas 18:00, realiza-se uma mesa redonda “Ampliar o Campo de Visão: imagem, território e sociedade — de Manplan aos 50 anos do 25 de Abril”, na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para estudantes, investigadores, arquitetos, fotógrafos e público em geral interessado nas relações entre arquitetura, imagem, território e sociedade contemporânea.

Apresentação

Esta sessão propõe estabelecer um diálogo entre a exposição Wide-Angle View e o projeto de investigação científica “50 anos do 25 de abril: as geografias das 50 dinâmicas sociais, económicas e políticas”, explorando o modo como a fotografia pode ser um dispositivo de análise e questionamento do passado e do presente que nos ajuda a repensar o futuro, contribuindo para compreender e comunicar as transformações sociais e territoriais das últimas décadas. 

Publicada entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan constituiu um momento singular na cultura arquitetónica ao deslocar o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as condições sociais da vida quotidiana. Através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo, Manplan abordou temas como habitação, saúde, trabalho, educação, transportes e lazer, colocando as pessoas no centro da representação da arquitetura e da cidade.

Mais de meio século depois, esta abordagem revela-se surpreendentemente atual. Num contexto marcado por novas desigualdades territoriais, pela crise da habitação e por profundas transformações urbanas, a exposição Wide-Angle View revisita esse legado crítico como um dispositivo de leitura do presente, sublinhando o papel da imagem enquanto ferramenta de pensamento e investigação sobre o espaço social.

Em paralelo, o projeto “50 anos do 25 de abril”, desenvolvido no âmbito do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), procura mapear e interpretar as transformações sociais, económicas e políticas ocorridas em Portugal desde a Revolução de 1974. Através de uma combinação de análise cartográfica, investigação científica e recolha de testemunhos, o projeto propõe uma leitura plural das geografias do Portugal democrático, entendendo a memória do passado como um instrumento ativo para compreender o presente e imaginar futuros possíveis.

·      A conversa propõe, assim, um encontro entre estas duas perspetivas:
por um lado, a reflexão crítica inaugurada por Manplan sobre a arquitetura enquanto espaço social vivido;

·      por outro, a análise das dinâmicas territoriais e sociais que marcaram Portugal ao longo dos últimos cinquenta anos.

Partindo da pergunta como representar e comunicar as transformações da sociedade através da imagem, a sessão reunirá arquitetos, geógrafos, investigadores e fotógrafos para discutir o papel da fotografia, da cartografia e de outros dispositivos visuais na construção de narrativas críticas sobre a cidade e o território.

Mais do que uma reflexão histórica, esta iniciativa pretende também interrogar a atualidade do gesto de Manplan: que novas formas de representação seriam hoje necessárias para documentar e compreender as realidades urbanas contemporâneas? Como pode a imagem contribuir para revelar desigualdades, tornar visíveis processos invisíveis e ampliar o debate público sobre o direito à cidade e à habitação?

Entre arquivo e contemporaneidade, entre investigação científica e cultura visual, “Ampliar o Campo de Visão” propõe um espaço de diálogo interdisciplinar sobre o papel das imagens na construção de conhecimento e na leitura crítica das transformações sociais e territoriais.

Participantes
Abertura:

Avelino Oliveira (Ordem dos Arquitetos)

Moderação: 

Pedro Leão Neto e Maria Neto (CITYSCOPIO / CEAU-FAUP / Sophia Journal)

Mesa

Adriana Floret (OA - Secção Regional Norte)
Teresa Sá Marques (FLUP / CEGOT)

Olívia Marques da Silva (ESMAD-IPP / Fotógrafa)

Attilio Fiumarella (Fotógrafo)

Público-alvo
Estudantes, investigadores, arquitetos, fotógrafos e público em geral interessado nas relações entre arquitetura, imagem, território e sociedade contemporânea.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA COM ÁLVARO DOMINGUES | FOTOGRAFIAS FALADAS

 
 
 

AULA ABERTA COM ÁLVARO DOMINGUES | FOTOGRAFIAS FALADAS

24 DE ABRIL (SEXTA-FEIRA) PELAS 15:00 | PAVILHÃO CARLOS RAMOS - FAUP


No âmbito do Curso de Formação Contínua 'Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano', terá lugar, no dia 24 de abril, pelas 15h00, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta orientada por Álvaro Domingues, professor da FAUP, cujo trabalho fotográfico reflete o seu olhar de geógrafo, atento às expressões visíveis das transformações do território.

Partindo desse enquadramento, a sessão abordará a fotografia enquanto prática de observação e instrumento de pensamento sobre os sentidos da paisagem e os processos de urbanização. Será dada particular atenção à relação entre imagem e texto nos seus diversos projetos editoriais e expositivos.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, reflexão e debate de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e na utilização da imagem, em particular da fotografia, como instrumentos de investigação e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidado

Álvaro Domingues

Álvaro Domingues (1959), é Geógrafo, doutorado em Geografia Humana e Prof. Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, FAUP nos cursos de Mestrado Integrado e Doutoramento, e investigador do CENP, Centro de Estudos Nuno Portas da FAUP. Entre outras obras é autor de Matosinhos - arquitectura e urbanismo em três modernidades (Afrontamento, Porto, 2025 com Teresa Ferreira e Ana Catarina Costa) Paisagem Portuguesa (FFMS, Lisboa, 2022, com Duarte Belo), Portugal Possível (Laboratório da Paisagem, Lisboa, 2022 com Duarte Belo e Rui Lage), Volta a Portugal (Contraponto, Lisboa, 2017), Território Casa Comum (com Nuno Travasso, FAUP, Porto, 2015), A Rua da Estrada (Dafne, Porto, 2010), Vida no Campo (Dafne, Porto, 2012) e Políticas Urbanas I e II (com Nuno Portas e João Cabral, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003 e 2011), Cidade e Democracia (Argumentum, Lisboa, 2006). É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa. Escreve no jornal Público.

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

 
 
 

Entre documento e discurso: a fotografia como campo crítico na leitura da arquitetura

No passado dia 9 de abril, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com a Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO).

A sessão reuniu estudantes e docentes do curso de Fotografia, num momento de contacto direto com a exposição que evidenciou o interesse pelas interseções entre imagem, arquitetura e sociedade. A visita foi conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do Centro de Estudos Nuno Portas, contando ainda com a participação de um representante da Ordem dos Arquitetos. Estiveram igualmente presentes Olívia Marques da Silva e Sérgio Rolando, docentes da ESMAD, cujas intervenções sublinharam a relevância do ensino da fotografia na atualidade e o seu potencial enquanto dispositivo crítico de leitura da realidade.

Ao longo da visita, a exposição foi abordada não apenas enquanto objeto histórico, mas como um dispositivo ativo de reflexão, em sintonia com o espírito da série Manplan. A noção de wide angle — enquanto ampliação do campo de visão sobre a arquitetura — foi explorada como uma forma de deslocar o olhar do edifício isolado para os contextos sociais, políticos e territoriais que o enquadram.

Neste sentido, a fotografia foi discutida nos seus dois modos de intervenção. Por um lado, enquanto função documental, assumindo-se como registo visual que, embora mediado por um olhar situado, permite evidenciar e sustentar uma leitura informada da realidade, em articulação com outras ferramentas de análise, como a cartografia ou os dados estatísticos. Por outro, enquanto função discursiva, afirmando-se como linguagem autónoma capaz de construir narrativas críticas, explorar relações e questionar o real para além da sua mera representação.

A exposição evidenciou precisamente esta dupla condição da imagem: simultaneamente documento e interpretação, evidência e construção. As séries apresentadas, oriundas do arquivo da Architectural Review, revelam uma abordagem que cruza o fotojornalismo e a fotografia de rua para dar visibilidade a temas como a habitação, o trabalho ou a saúde, propondo uma leitura da arquitetura enquanto espaço social vivido.

Ao longo do percurso, foram promovidos momentos de diálogo e discussão, nos quais os estudantes foram convidados a refletir sobre a atualidade das questões levantadas por Manplan, bem como sobre o papel da fotografia na construção de uma perceção crítica das problemáticas urbanas contemporâneas, nomeadamente no contexto das desigualdades e da precariedade habitacional.

A sessão terminou com um debate alargado, confirmando o interesse suscitado e a pertinência destas iniciativas no contexto do ensino e da investigação. Ao aproximar os estudantes de práticas expositivas e curatoriais, esta aula aberta reforçou a importância da fotografia enquanto instrumento de investigação, pensamento crítico e comunicação no campo da arquitetura e da cidade.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTAEXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

 
 
 

AULA ABERTA
EXPLORAR A ARQUITETURA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E DO EDITORIAL

20 de abril, às 16h30, terá lugar NA Escola Superior Artística do Porto (ESAP) NO ESPAÇO DO SEMINÁRIO DO MESTRADO INTEGRADO DE ARQUITETURA (MIA|CEAA)

No próximo dia 20 de abril, às 17h30, terá lugar na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) no Espaço do Seminário do Mestrado Integrado de Arquitetura (MIA|CEAA) uma aula aberta intitulada Explorar a Arquitetura através da Fotografia e do Editorial, conduzida por Pedro Leão Neto (coordenador do grupo de investigação AAI / CENP-FAUP).

A sessão propõe uma reflexão sobre o papel da fotografia enquanto instrumento crítico de interpretação da arquitetura e do espaço urbano, bem como sobre o potencial do editorial enquanto plataforma de construção de discurso e produção de conhecimento no campo disciplinar.

Partindo da experiência desenvolvida no âmbito da scopio Editions, projeto editorial ligado à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e ao Centro de Estudos Nuno Portas (CENP), a apresentação abordará o modo como a fotografia contemporânea — entendida não como imagem isolada, mas como série e narrativa — pode contribuir para uma leitura mais profunda, crítica e situada da arquitetura, da cidade e do território.

Será igualmente explorado o papel do editorial enquanto dispositivo agregador, capaz de articular práticas de investigação, criação e curadoria, dando origem a publicações, exposições e plataformas de disseminação que cruzam arquitetura, arte e imagem. Neste contexto, serão apresentados projetos como a Sophia Journal e a scopio Magazine, bem como diversas publicações e iniciativas que têm vindo a afirmar este ecossistema a nível nacional e internacional, nomeadamente a coleção da série de publicações Scopio Newspaper, desenvolvida no âmbito da investigação do grupo AAI e que explora a fotografia não apenas como meio de documentação, mas também como instrumento de investigação e interpretação, capaz de revelar dimensões espaciais, atmosféricas e experienciais da arquitetura.

A aula inscreve-se numa linha de apresentações anteriormente desenvolvidas em instituições como o Royal Institute of British Architects (RIBA), em Londres, e a ETSAB – Escola de Arquitetura de Barcelona, onde estas temáticas foram discutidas num contexto internacional alargado, envolvendo investigadores, curadores e fotógrafos de referência.

Mais do que uma apresentação de projetos, esta sessão propõe-se como um espaço de reflexão crítica sobre a relação entre imagem e arquitetura, evidenciando o modo como a fotografia pode atuar como um verdadeiro catalisador para o pensamento, o discurso e a ideação em arquitetura.

A entrada é livre.

Biografias

Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

AAI - CEAU / FAUP

 

AULA ABERTA COM VIRGINIA DE DIEGO | CCORRA

 
 
 

AULA ABERTA COM VIRGINIA DE DIEGO | CCORRA

17 DE ABRIL (SEXTA-FEIRA) PELAS 14:30 | PAVILHÃO CARLOS RAMOS - FAUP

No contexto do curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano”, realiza-se no dia 17 de Abril, pelas14h30, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta com a artista Virginia de Diego.


A sessão centra-se no projeto fotográfico CCORRA, desenvolvido na cidade do Porto, no qual a autora explora a relação entre imagem, edição e objeto enquanto ferramentas de leitura do espaço urbano. Partindo da noção de “falha de raccord”, o projeto propõe um método de observação baseado na identificação de descontinuidades visuais e materiais na cidade: fragmentos arquitetónicos, repetições, deslocamentos e situações de instabilidade perceptiva.

Através da fotografia e da montagem, o trabalho organiza estas ocorrências como um sistema de relações, permitindo pensar a cidade como uma estrutura em transformação contínua, marcada por processos de desaparecimento, substituição e reconfiguração.

A aula abordará o desenvolvimento do projeto, o papel do fotolivro enquanto dispositivo de investigação e as possibilidades da imagem enquanto instrumento crítico para a leitura da arquitetura, da cidade e do território.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, debate e reflexão de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com um enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e a utilização da imagem com especial incidência pela fotografia como instrumentos de pesquisa e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidada

Virginia de Diego (Madrid, 1983) é artista visual e curadora. Doutora cum laude em Belas-

Artes pela Universidad Complutense de Madrid, com a tese “La Ruina como réplica: el instante proto-contemporáneo”, combina atualmente a sua prática artística e curatorial com a docência na Universidade do Porto.

O seu trabalho tem sido apoiado por diversas instituições internacionais, entre as quais Bildrecht e Wien Kultur (Áustria), Vilniaus Dailės Akademija (Lituânia), o Ministerio de Cultura (Espanha) e The Wassaic Project (EUA). Apresentou projetos em museus, galerias e festivais como MUMOK, Improper Walls e GB* Gallerie (Áustria), CentroCentro, La Casa Encendida, Museo Huarte e Sala de Arte Joven da Comunidad de Madrid (Espanha), bem como PHOTOWIEN (Áustria) e PHotoESPAÑA (Espanha).

Enquanto curadora, foi selecionada para o programa Se Busca Comisario (Comunidad de Madrid, 2018). Em 2020, fundou a galeria-janela PRESENTE, onde desenvolve o programa expositivo POST/PROTO, centrado na noção de proto-contemporâneo, explorada na sua investigação doutoral. Em 2024, o projeto foi apoiado pelo Ministerio de Cultura (Espanha), aecid, Cooperación Internacional e Instituto Cervantes de Lisboa.

Em 2025, o projeto Jeans from Today foi finalista da open call Gulbenkian x Cité des Arts (França). No mesmo ano, fundou DORIAN LOCI, uma plataforma curatorial que explora a materialidade e a temporalidade do confetti enquanto meio artístico contemporâneo, com apresentações em Portugal e Espanha.

 

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

...

 

 

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - UFP

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 29 de ABRIL, 12h30

Sessão realizada em colaboração com A Universidade fernando pessoa (ufp) - Arquitetura (MI)

No dia 29 de abril, quinta-feira, pelas 12:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes do Mestrado Integrado em • Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita será acompanhada por Sara Sucena, Professora Associada do Mestrado Integrado em Arquitetura (MI) da Universidade Fernando Pessoa (UFP), bem como por outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A iniciativa é aberta a todos os interessados, com especial atenção a estudantes, investigadores e profissionais que se dedicam ao estudo das relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE - ESMAD

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 9 de ABRIL, 10h30

Sessão realizada em colaboração com A Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD / P.PORTO)

No dia 9 de abril, quinta-feira, pelas 10:30, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, e a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

A visita contará com a presença de Olívia Marques da Silva, docente e investigadora da ESMAD e será acompanhado por Sérgio Rolando, docente responsável por diversas turmas de fotografia no 1º e 2+ ano da Licenciatura em Fotografia da ESMAD, bem como a participação de outros colegas docentes e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

Inspirada na série Manplan, publicada pela revista The Architectural Review entre 1969 e 1970, a exposição propõe uma leitura crítica da arquitetura enquanto espaço social vivido, deslocando o foco da disciplina do edifício enquanto objeto para as relações humanas, os contextos urbanos e as condições sociais que moldam a vida quotidiana.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A visita é aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View” mobilizam estudantes na Ordem dos Arquitetos

No passado dia 12 de março, a sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte acolheu uma aula aberta e visita guiada à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, numa iniciativa realizada em colaboração com o Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

A sessão contou com uma forte adesão por parte de várias turmas do curso de Fotografia, evidenciando o interesse dos estudantes pelas relações entre arquitetura, imagem e sociedade. Ao longo da visita, tornou-se evidente o entusiasmo dos participantes, particularmente perante a forma clara e crítica como os diferentes temas da exposição foram apresentados, bem como pelo potencial da fotografia enquanto instrumento de interpretação e questionamento do espaço construído.

Conduzida por Pedro Leão Neto, docente e investigador da FAUP, e por Maria Neto, investigadora do grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP, a visita proporcionou uma leitura aprofundada da exposição, articulando dimensões históricas e contemporâneas. A presença de um representante da Ordem dos Arquitetos contribuiu igualmente para enriquecer o enquadramento institucional e disciplinar da mostra.

Ao longo do percurso expositivo, foram criados vários momentos de diálogo, incentivando a participação ativa dos estudantes. As questões colocadas revelaram uma reflexão crítica sobre a pertinência dos temas abordados — desde a habitação às dinâmicas sociais urbanas — e sobre a atualidade do projeto Manplan, cuja abordagem continua a ecoar nos desafios contemporâneos das cidades.

No final da sessão, o debate prolongou-se de forma espontânea, confirmando o interesse suscitado pela exposição e a sua capacidade de gerar discussão em torno do papel da arquitetura enquanto prática social e política. A iniciativa reforçou, assim, a importância de aproximar os estudantes de contextos expositivos e curatoriais, promovendo uma compreensão mais alargada e crítica da cultura arquitetónica e visual contemporânea..

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição apresenta assim uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, com origem na série publicada pela revista The Architectural Review produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas. Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

AULA ABERTA COM ANNA VOLNAIA | “HERE_NO_T_HERE”

 
 
 

AULA ABERTA COM ANNA VOLNAIA | “HERE_NO_T_HERE”

No contexto do curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano”, realiza-se no dia 13 de Março, pelas 15h00, no Pavilhão Carlos Ramos, uma aula aberta com a artista Anna Volnaia.

A aula é dedicada ao projeto fotográfico “Here_no_t_here” desenvolvido em Vila D’Este, Vila Nova de Gaia. O projeto propõe um olhar atento sobre o espaço e a escala, através da repetição intensa que constrói a sua presença arquitetónica.

Ao longo de vários meses, a autora aproximou-se deste território observando a vida quotidiana — não a partir de uma perspetiva de análise urbanística, mas através da experiência da luz, da matéria e do ritmo dos seus espaços. A fotografia torna-se um meio de fixar o instante revelando aquilo que permanece: vestígios, atmosferas, sinais de existência mesmo quando as pessoas não estão visíveis.

Paralelamente, foi lançado aos moradores um convite à participação — registando o seu quotidiano dentro dos limites do bairro. Juntas, essas imagens criam uma história em uníssono — dois olhares que se encontram no mesmo território.

Esta Aula Aberta integra o Ciclo de Conferências e Debates Arquitectura, Arte e Imagem (AAI) aberto a toda a comunidade académica da U. Porto, com especial interesse para os alunos das unidades curriculares e unidades de formação contínua da FAUP em torno do universo da Fotografia e Arquitetura.

Através da realização destas aulas abertas pretende-se contribuir para a criação de um espaço de exploração, debate e reflexão de ideias em torno de novos caminhos de investigação sobre o espaço público, com um enfoque em dinâmicas emergentes de transformação urbana e a utilização da imagem com especial incidência pela fotografia como instrumentos de pesquisa e comunicação.

A aula é aberta ao público em geral e a entrada é gratuita.

 

Biografias resumidas de convidados e responsáveis pelo curso

Convidada

Anna Volnaia S. Lopes é estudante da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e integrou o programa Project Rooms na Bienal de Fotografia do Porto, em 2025. O seu trabalho adota uma abordagem fenomenológica, explorando o espaço urbano através da luz, sombra e ritmo arquitetónico, organizando uma reflexão para tempos e espaços que não se misturam com a experiência do momento. Trabalhando em contextos periféricos e territórios satélite, como o bairro Vila D’Este, em Vila Nova de Gaia, observa a presença da vida quotidiana mesmo na ausência dos habitantes, estabelecendo dialéticas indiretas com a comunidade local, convidando-os a documentar o seu próprio espaço.

 

Ana Miriam Rebelo

Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP). 

A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Pedro Leão Neto

 Pedro Leão Neto é professor e investigador na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde lecciona as unidades curriculares Fotografia e Comunicação no Projecto Arquitectónico (FCPA I e II) e Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território (FACT). É igualmente coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Exerce funções de editor-chefe das revistas científicas Sophia Journal of Architecture, Art and Image, no âmbito das publicações scopio. Participa em diversos projectos de investigação financiados por concursos competitivos, quer como investigador, quer como investigador principal (PI). Nesta área, é autor e co-autor de cerca de 40 livros e de mais de 100 artigos científicos.

...

 

 

 

AULA ABERTA: VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO “WIDE-ANGLE VIEW NA ORDEM DOS ARQUITETOS – SECÇÃO REGIONAL NORTE

 
 
 

Aula aberta e visita guiada à exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70

Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte | 12 de março, 10h00

Sessão realizada em colaboração com o Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP)

No dia 12 de março, quinta-feira, pelas 10:00, realiza-se uma visita guiada / aula aberta à exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, patente na Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte (OASRN), com especial enfoque para os estudantes do Departamento de Arquitectura (DARQ) da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

Esta iniciativa integra-se no programa de visitas guiadas / aulas abertas dirigido a toda a comunidade académica e ao público, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

A visita será conduzida por Pedro Leão Neto, investigador e docente da FAUP, associado ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) do CENP – Centro de Estudos Nuno Portas, sendo acompanhado por Alexandra TrevisanFátima Sales, Helena Maia e Henrique Muga docentes e investigadores do CEAA - Centro de Estudos Arnaldo Araújo (ESAP), e Franklin Morais docente do MIA (ESAP) e envolve uma leitura crítica da exposição enquanto dispositivo de reflexão sobre as relações entre arquitetura, cidade, imagem e sociedade.

Participam ainda a investigadora Maria Neto grupo de investigação AAI / CENP e um membro da OASRN, que contribuirão com perspetivas complementares sobre imagem, território e arquitetura.

Através destas sessões pretende-se criar um espaço de exploração, debate e reflexão em torno de novas abordagens à fotografia de arquitetura e às representações visuais da cidade, sublinhando o papel da imagem — e em particular da fotografia — enquanto instrumento de investigação, interpretação crítica e comunicação do espaço construído.

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

Estas sessões públicas pretendem igualmente estimular o contacto direto dos estudantes com exposições e projetos curatoriais relevantes no campo da arquitetura e da fotografia, permitindo compreender os modos como a imagem participa na construção de discursos críticos sobre a cidade e o território.

A visita é aberta a toda a comunidade académica e ao público em geral, sendo particularmente dirigida a estudantes, investigadores e profissionais interessados nas relações entre fotografia, arquitetura e cultura visual contemporânea.

Programa da Exposição Wide-Angle View

A exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70” apresenta uma seleção de fotografias e materiais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, revisitando a influente série publicada pela revista The Architectural Review no final da década de 1960.

Produzida num contexto de profundas transformações sociais e urbanas, Manplan marcou uma rutura na cultura editorial da arquitetura ao colocar as pessoas e os contextos sociais no centro da representação arquitetónica, abordando temas como habitação, saúde, trabalho, educação e lazer através de narrativas visuais inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua.

A exposição resulta de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea sobre as relações entre arquitetura e sociedade, particularmente relevante num contexto marcado pela crise da habitação, pelas transformações do espaço urbano e pelas desigualdades territoriais.

Durante o período em que estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, a exposição será acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a estudantes, investigadores, arquitetos e ao público em geral.

Estas iniciativas procuram promover novas leituras críticas sobre a cidade contemporânea, sublinhando o papel da fotografia e da imagem enquanto instrumentos fundamentais de pensamento e investigação sobre o espaço arquitetónico e urbano.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Opening of the exhibition “Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70” brings together architects, researchers and students at the Order of Architects

 

Fotografia ©Egídio Santos/ SR-NRT

 
 

Opening of the exhibition “Wide-Angle View

Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70” brings together architects, researchers and students at the Order of Architects

PT/ENG

The opening of the exhibition Wide-Angle View: Architecture as Social Space in the Manplan Series 1969–70, which took place on February 27th at the headquarters of the Northern Regional Section of the Order of Architects (OASRN), brought together a large and diverse audience, confirming the interest that the initiative has been generating in the academic, professional and cultural community.

Among architects, researchers, institutional partners and the general public, the strong presence of students stood out. They followed attentively the different moments of the opening session and, in particular, the guided tour led by Valeria Carullo, Curator of Photography at the Royal Institute of British Architects (RIBA) and responsible for the exhibition’s curatorial framework. This moment became one of the highlights of the inauguration, generating a dynamic and engaged dialogue with students, who actively participated by raising questions and discussing the critical issues explored in the Manplan series, while gaining direct insight into RIBA’s curatorial approach and collections.

The exhibition results from an international collaboration led by RIBA, which curated the exhibition and brought forward its collections, in close partnership with Porto-based institutions, including the Northern Regional Section of the Order of Architects, the Cityscopio Cultural Association, and CENP/FAUP — Nuno Portas Center for Studies, through the Architecture, Art and Image (AAI) research group and the Sophia Journal project. This collaboration highlights the central role of RIBA in fostering international dialogue, while strengthening connections with local academic and cultural institutions, creating a platform that bridges research, curatorial practice and public engagement.

Originally produced between 1969 and 1970 by The Architectural Review, the Manplan series is here revisited through RIBA’s curatorial lens, drawing on the richness of its collections to reframe the material for contemporary audiences. By foregrounding photography as a critical medium and placing people — rather than buildings — at the centre of the narrative, the exhibition reflects RIBA’s ongoing commitment to expanding architectural discourse and making its collections accessible and relevant to wider audiences through international partnerships such as this one in Porto.

In this sense, the concept of wide-angle view emerges not only as a technical resource of photography, but as a critical device and an ethical stance towards architecture. Broadening the field of vision means recognizing that each spatial decision has concrete consequences for ways of living, quality of life, and the future possibilities of cities. In a context marked by a profound housing crisis and increasing processes of urban fragmentation, this critical perspective proves particularly relevant—and urgent.

The exhibition also takes on special significance in the context of architectural education and, in particular, in the role of photography in the curricula of architecture schools, as is the case at the Faculty of Architecture of the University of Porto (FAUP). More than a simple recording instrument, photography is understood here as a tool for thought, capable of analyzing, questioning, and reinterpreting visible realities. The image thus becomes a space for investigation that crosses disciplinary boundaries and allows us to understand—and potentially transform—reality.

More than an exercise in historical revisitation, Wide-Angle View proposes itself as an active device for interpreting the present. In this sense, it also establishes a direct dialogue with the open call and international conference of the Sophia Journal, scheduled for September of this year, dedicated to the theme “Landscapes of Repair | The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair,” deepening the critical issues raised by the exhibition.

The exhibition will remain on display at the headquarters of the Association of Architects – Northern Regional Section until May, accompanied by a parallel program that will include new guided tours, debates, and roundtables dedicated to the different themes raised by the exhibition. These initiatives will seek to extend the reflection begun at the opening and broaden the debate on the role of architecture, image, and the city in contemporary society.

MANIFESTO

From Manplan to the housing crisis: broadening the field of vision

Architecture has never been neutral. It has never been merely form, technique, or style. It is a field of forces where social conflicts, political choices, and worldviews are inscribed. The Manplan series (1969–1970) made this condition explicit at a time when the promises of modernism were in crisis and urban reality was inevitably exposing the flaws of an incomplete social project. Fifty years later, this critical lucidity has not lost its relevance—it has become urgent.

Today, faced with a global housing crisis, the financialization of territory, increasing exclusion, and the fragmentation of cities, it is important to recover and update Manplan's radical gesture: to look at architecture from the perspective of life, and not the other way around. To place people at the center of architectural representation and thought. To recognize that every spatial decision produces real effects on bodies, relationships, inequalities, and possibilities for the future. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” SR-NRT, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the influential Manplan series, asserts itself within this territory of critical continuity.

Not as a nostalgic exhibition, but as a device for interpreting the present. The archive here is not a closed space, but an active field of investigation, capable of illuminating contemporary tensions. Manplan's images—raw, intimate, unsettling—continue to challenge us because they reveal a persistent truth: the city is lived before it is designed, and housing is a right before it is a product.

The wide-angle lens that gives the exhibition its title is more than a technical resource. It is an ethical and political stance. Expanding the field of vision means rejecting simplistic readings of urban reality, rejecting quick fixes for structural problems, and confronting the discipline with the social consequences of its own actions. It means accepting that architecture actively participates in the production of inequality, but also that it can—and should—be an instrument of reparation.

Between Manplan and the present lies a line of continuity: the understanding of architecture as an inevitably political practice. The housing crisis is not an accident, but the result of accumulated choices—economic models, legislation, planning, and disciplinary culture. Given this, it is not enough to design more buildings; it is necessary to rethink ways of living, property regimes, forms of cooperation, and the urban imaginaries that sustain the contemporary city.

Wide-Angle View calls upon architects, students, researchers, and citizens to take a stand. To look at the archive not as a formal repertoire, but as critical memory. To recognize in photography not only a means of representation, but a form of thought. To understand that every image is a stance—and that all architecture communicates, even when it intends to silence its effects.

This manifesto affirms that Manplan's relevance lies precisely in his refusal of indifference. In his ability to expose discomfort, to make visible the flaws of the system, and to insist that quality of life is a collective issue. Today, as then, architecture only makes sense if it is conceived from concrete life, its fragilities, and its urgencies.

Expanding one's field of vision is, therefore, a commitment to the present. An invitation to critical action. A demand for disciplinary responsibility. Between archive and present, between image and project, between architecture and society, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT argues that there is no habitable future without an attentive, informed, and profoundly human look at the city we build.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP and CCA channels.

 

Exposição “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” inaugura na Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos (Copy)

 

Fotografia ©Egídio Santos/ SR-NRT

 
 

Inauguração da exposição “Wide-Angle View

A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70” reúne arquitetos, investigadores e estudantes na Ordem dos Arquitectos

PT/ENG

A inauguração da exposição Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na Série Manplan 1969–70, que teve lugar no passado dia 27 de fevereiro, na sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN), reuniu um público numeroso e diversificado, confirmando o interesse que a iniciativa tem vindo a suscitar junto da comunidade académica, profissional e cultural.

Entre arquitetos, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, destacou-se particularmente a forte presença de estudantes, que acompanharam com grande atenção os diferentes momentos da sessão de abertura e, sobretudo, a visita guiada realizada pela curadora de fotografia do Royal Institute of British Architects (RIBA), Valeria Carullo. A visita revelou-se um dos momentos altos da inauguração, tendo gerado um diálogo vivo com os estudantes, que participaram de forma ativa, colocando diversas questões e debatendo as problemáticas levantadas pela série Manplan.

Entre arquitetos, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, destacou-se a forte presença de estudantes. Acompanharam atentamente os diferentes momentos da sessão de abertura e, em particular, a visita guiada conduzida por Valeria Carullo, curadora de fotografia do Royal Institute of British Architects (RIBA) e responsável pela curadoria da exposição. Este momento tornou-se um dos pontos altos da inauguração, gerando um diálogo dinâmico e participativo com os estudantes, que se envolveram ativamente, levantando questões e debatendo os temas críticos explorados na série Manplan, ao mesmo tempo que obtinham uma visão direta da abordagem curatorial e das coleções do RIBA.

A exposição resulta de uma colaboração internacional liderada pelo RIBA, que foi responsável pela curadoria e pela apresentação das suas coleções, em estreita parceria com instituições sediadas no Porto, incluindo a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, a Associação Cultural Cityscopio e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto Sophia Journal. Esta colaboração destaca o papel central do RIBA na promoção do diálogo internacional, ao mesmo tempo que fortalece as ligações com as instituições académicas e culturais locais, criando uma plataforma que liga a investigação, a prática curatorial e o envolvimento do público.

Originalmente produzida entre 1969 e 1970 pela revista The Architectural Review, a série Manplan é aqui revisitada através da perspetiva curatorial do RIBA, recorrendo à riqueza das suas coleções para reformular o material para o público contemporâneo. Ao privilegiar a fotografia como meio crítico e ao colocar as pessoas – em vez dos edifícios – no centro da narrativa, a exposição reflete o compromisso contínuo do RIBA em expandir o discurso arquitetónico e tornar as suas coleções acessíveis e relevantes para um público mais vasto através de parcerias internacionais como esta, no Porto.

A exposição assume igualmente um significado especial no contexto do ensino da arquitetura e, em particular, no papel da fotografia nos currículos das escolas de arquitetura, como acontece na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Mais do que um simples instrumento de registo, a fotografia é aqui entendida como uma ferramenta de pensamento, capaz de analisar, questionar e reinterpretar as realidades visíveis. A imagem torna-se, assim, um espaço de investigação que atravessa fronteiras disciplinares e permite compreender — e potencialmente transformar — a realidade.

Mais do que um exercício de revisitação histórica, Wide-Angle View propõe-se como um dispositivo ativo de leitura do presente. Nesse sentido, estabelece também um diálogo direto com a chamada aberta e a conferência internacional do Sophia Journal, prevista para setembro deste ano, dedicada ao tema “Paisagens de Reparação | A Cidade Invisível: Manplan e Formas Contemporâneas de Reparação”, aprofundando as questões críticas levantadas pela exposição.

A mostra permanecerá patente na sede da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte até maio, sendo acompanhada por um programa paralelo que incluirá novas visitas guiadas, debates e mesas-redondas dedicadas às diferentes temáticas levantadas pela exposição. Estas iniciativas procurarão prolongar a reflexão iniciada na inauguração e ampliar o debate sobre o papel da arquitetura, da imagem e da cidade na sociedade contemporânea.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Plans for the 2026 Conference-a-Thon Join the Conversation

 
 
 

Women in Photography: 2026 Conference-a-Thon

Join the Conversation

Celebrating International Women’s Day 2026

A 24-Hour Conference-a-Thon

To mark International Women’s Day on 8 March 2026, and building on the success of our 2025 conference-a-thon, we invited scholars, practitioners and enthusiasts to submit abstracts for participation in a free, online, global 24-hour symposium celebrating the contributions of women to the medium of photography — from its public announcement in 1839 to the present day.

This distinctive free event will feature 72 speakers and aims to showcase the diverse and far-reaching work of women and female-identifying photographers, as well as researchers, curators and practitioners engaging with photography. Participants will represent countries, continents, cultures and time zones across the globe — all without the financial or environmental costs of travel or registration fees.

A full schedule is available under the “2026 Conference Schedule” tab at the top or bottom of this page. Please note that all times are listed in UTC+0. We recommend using this time zone converter (which automatically adjusts for Daylight Saving Time in the United States):
https://www.timeanddate.com/worldclock/meeting.html

To attend, please register here:
https://tamu.zoom.us/webinar/register/WN_ypAanQ2uQQurrTxMOjW60A

Join us in celebrating the vibrant, transformative and globally significant work of women in photography.

Women in Photography: A 24-Hour Conference-a-Thon

Celebrating International Women’s Day 2026

Co-Convenors:
Dr Kris Belden-Adams, Associate Professor of Art History, Texas A&M University
Dr Rose Teanby, Fellow of the Royal Photographic Society, UK

Key Dates

  • Deadline for submission of presentation videos: 15 February 2026

  • Conference-a-thon: 8 March 2026

To revisit the 2025 Conference-a-Thon, please see:

https://egrove.olemiss.edu/womenofphotography/2025/

 

Exhibition “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” opens at the Northern Regional Section of the Order of Architects

 
 
 

Wide-Angle View: ARCHITECTURE AS SOCIAL SPACE IN THE MANPLAN SERIES 1969–70

Opening of the Exhibition at the Association of Architects, Northern Regional Section, on February 27th at 6:30 PM

Guided tour by Valeria Carullo (photography curator at the Royal Institute of British Architects - RIBA)

PT/ENG

The Northern Regional Section of the Order of Architects will host, on February 27, 2025, at 6:30 PM, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the Manplan series of photographs published by The Architectural Review in 1969–1970, which profoundly influenced how architecture, planning, and society came to be visually represented.

The result of an international partnership between the Royal Institute of British Architects (RIBA), the Northern Regional Section of the Order of Architects (SR-NRT), the Cityscopio Cultural Association (CCA), and CENP/FAUP – Nuno Portas Center for Studies, through the Architecture, Art and Image (AAI) research group and the Sophia Journal editorial and scientific project, the exhibition proposes a critical reading of how architecture, the city, and daily life were—and continue to be—represented and conceived.

Produced in a context of crisis surrounding post-war promises, the Manplan series marked a profound rupture in the editorial culture of architecture by shifting the focus from the building as an object to architecture as a lived social space. Through sequential visual narratives, inspired by photojournalism and street photography, Manplan addressed fundamental themes such as housing, health, work, education, and leisure, placing people and their contexts at the center of architectural reflection.

The exhibition Wide-Angle View presents a selection of photographs and original materials from the Architectural Press / RIBA Collections archive, digitally printed for this show, including images that have not all been published. The title refers to the use of the wide-angle lens as a technical and conceptual device, symbolizing a way of looking that broadens the field of vision and brings the observer closer to the social reality of the city.

More than a historical exhibition, Wide-Angle View asserts itself as a device for contemporary reflection, particularly relevant at a time marked by the housing crisis, the commodification of urban space, and social inequalities. By establishing bridges between Manplan's critical legacy and current research developed within FAUP and the Sophia Journal, the exhibition highlights the role of photography and image as instruments of critical thinking and disciplinary questioning.

The opening will include institutional interventions, followed by a guided tour by curator Valeria Carullo, photography curator at the Royal Institute of British Architects (RIBA), and the presentation of a future international conference associated with the Sophia Journal project. The exhibition will be on display at the headquarters of the Association of Architects of the Northern Regional Section until May 2026, accompanied by a parallel program of guided tours, public talks, and educational activities aimed at architects, students, researchers, and the general public.

By hosting Wide-Angle View, the Association of Architects of the Northern Regional Section reaffirms its role as an active space for critical reflection and dialogue between architecture, image, and society, highlighting the relevance and urgency of the thinking inaugurated by Manplan.

Exhibition Program

Partners | Organization

  • SR-NRT – Order of Architects of the Northern Regional Section

  • RIBA – Royal Institute of British Architects

  • Cityscopio Cultural Association (CCA)

  • CENP–FAUP — Nuno Portas Studies Center, through the AAI research group, and Sophia Journal

Inauguration Program

February 27, 2025 — SR-NRT Headquarters

6:30 PM — Opening

Session Interventions:

- Andreia Oliveira, President of the Northern Regional Council of the Association of Architects

- Avelino Oliveira, President of the National Board of Directors of the Order of Architects

- José Pedro Sousa, Faculty of Architecture of the University of Porto

- Pedro Leão Neto, Cityscopio Cultural Association

7:00 PM — Guided Tour

By Valeria Carullo, photography curator of RIBA

Permanent and Parallel Activities

From March to May 2026, the SR-NRT will host:

  • guided tours Themes

  • Conversations with researchers and curators

  • Educational activities

Target audience

Students, professionals, and the general public interested in: Architecture, photography, urbanism, visual arts, city history, cultural studies, and urban policies.

Free admission.

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP, and CCA channels.

MANIFESTO

From Manplan to the housing crisis: broadening the field of vision

Architecture has never been neutral. It has never been merely form, technique, or style. It is a field of forces where social conflicts, political choices, and worldviews are inscribed. The Manplan series (1969–1970) made this condition explicit at a time when the promises of modernism were in crisis and urban reality was inevitably exposing the flaws of an incomplete social project. Fifty years later, this critical lucidity has not lost its relevance—it has become urgent.

Today, faced with a global housing crisis, the financialization of territory, increasing exclusion, and the fragmentation of cities, it is important to recover and update Manplan's radical gesture: to look at architecture from the perspective of life, and not the other way around. To place people at the center of architectural representation and thought. To recognize that every spatial decision produces real effects on bodies, relationships, inequalities, and possibilities for the future. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” SR-NRT, a groundbreaking exhibition in Portugal that revisits the influential Manplan series, asserts itself within this territory of critical continuity.

Not as a nostalgic exhibition, but as a device for interpreting the present. The archive here is not a closed space, but an active field of investigation, capable of illuminating contemporary tensions. Manplan's images—raw, intimate, unsettling—continue to challenge us because they reveal a persistent truth: the city is lived before it is designed, and housing is a right before it is a product.

The wide-angle lens that gives the exhibition its title is more than a technical resource. It is an ethical and political stance. Expanding the field of vision means rejecting simplistic readings of urban reality, rejecting quick fixes for structural problems, and confronting the discipline with the social consequences of its own actions. It means accepting that architecture actively participates in the production of inequality, but also that it can—and should—be an instrument of reparation.

Between Manplan and the present lies a line of continuity: the understanding of architecture as an inevitably political practice. The housing crisis is not an accident, but the result of accumulated choices—economic models, legislation, planning, and disciplinary culture. Given this, it is not enough to design more buildings; it is necessary to rethink ways of living, property regimes, forms of cooperation, and the urban imaginaries that sustain the contemporary city.

Wide-Angle View calls upon architects, students, researchers, and citizens to take a stand. To look at the archive not as a formal repertoire, but as critical memory. To recognize in photography not only a means of representation, but a form of thought. To understand that every image is a stance—and that all architecture communicates, even when it intends to silence its effects.

This manifesto affirms that Manplan's relevance lies precisely in his refusal of indifference. In his ability to expose discomfort, to make visible the flaws of the system, and to insist that quality of life is a collective issue. Today, as then, architecture only makes sense if it is conceived from concrete life, its fragilities, and its urgencies.

Expanding one's field of vision is, therefore, a commitment to the present. An invitation to critical action. A demand for disciplinary responsibility. Between archive and present, between image and project, between architecture and society, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT argues that there is no habitable future without an attentive, informed, and profoundly human look at the city we build.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

More information coming soon on the SR-NRT, CNEP - FAUP and CCA channels.

 

Exposição “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” inaugura na Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos

 
 
 

Wide-Angle View: A ARQUITETURA COMO ESPAÇO SOCIAL NA SÉRIE MANPLAN 1969–70

Inauguração DA EXPOSIÇÃO na Ordem dos Arquitetos Secção Regional Norte NO DIA 27 de fevereiro, pelas 18h30

VISITA GUIADA por Valeria Carullo (curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects - RIBA)

PT/ENG

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos acolhe, no próximo dia 27 de fevereiro de 2025, pelas 18h30, uma mostra inédita em Portugal, que revisita a série de fotografias “Manplan” publicada pelo periódico The Architectural Review em 1969–1970, e que marcou profundamente a forma como arquitetura, planeamento e sociedade passaram a ser representados visualmente.

Resultado de uma parceria internacional entre o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitetos (SR-NRT), a Associação Cultural Cityscopio (CCA) e o CENP/FAUP – Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) e do projeto editorial e científico Sophia Journal, a exposição propõe uma leitura crítica sobre a forma como a arquitetura, a cidade e a vida quotidiana foram — e continuam a ser — representadas e pensadas.

Produzida num contexto de crise das promessas do pós-guerra, a série Manplan marcou uma rutura profunda na cultura editorial da arquitetura ao deslocar o foco do edifício enquanto objeto para a arquitetura enquanto espaço social vivido. Através de narrativas visuais sequenciais, inspiradas no fotojornalismo e na fotografia de rua, Manplan abordou temas fundamentais como a habitação, a saúde, o trabalho, a educação ou o lazer, colocando as pessoas e os seus contextos no centro da reflexão arquitetónica.

A exposição Wide-Angle View apresenta uma seleção de fotografias e materiais originais provenientes do arquivo da Architectural Press / RIBA Collections, impressos digitalmente para esta mostra, incluindo imagens que nem todas chegaram a ser publicadas. O título remete para a utilização da lente grande-angular enquanto dispositivo técnico e conceptual, simbolizando uma forma de olhar que amplia o campo de visão e aproxima o observador da realidade social da cidade.

Mais do que uma exposição histórica, Wide-Angle View afirma-se como um dispositivo de reflexão contemporânea, particularmente relevante num momento marcado pela crise da habitação, pela mercantilização do espaço urbano e pelas desigualdades sociais. Ao estabelecer pontes entre o legado crítico da Manplan e as investigações atuais desenvolvidas no âmbito da FAUP e de Sophia Journal, a mostra sublinha o papel da fotografia e da imagem como instrumentos de pensamento crítico e de questionamento disciplinar.

A inauguração contará com intervenções institucionais, seguidas de uma visita guiada pela curadora Valeria Carullo, curadora de fotografia no Royal Institute of British Architects (RIBA), e da apresentação de uma futura conferência internacional associada ao projeto Sophia Journal. A exposição estará patente na sede da Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte até maio de 2026, sendo acompanhada por um programa paralelo de visitas guiadas, conversas públicas e ações educativas, dirigido a arquitetos, estudantes, investigadores e ao público em geral.

Ao acolher Wide-Angle View, a Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte reafirma o seu papel enquanto espaço ativo de reflexão crítica e de diálogo entre arquitetura, imagem e sociedade, sublinhando a atualidade e a urgência do pensamento inaugurado pela Manplan.

Programa da Exposição

Parceiros | Organização

  • SR-NRT – Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte

  • RIBA – Royal Institute of British Architects

  • Cityscopio Associação Cultural (CCA)

  • CENP–FAUP — Centro de Estudos Nuno Portas, através do grupo de investigação AAI, e Sophia Journal

Programa da inauguração

27 de fevereiro de 2025 — Sede da SR-NRT

18h30 — Sessão de abertura
Intervenções:
- Andreia Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos

- Avelino Oliveira, Presidente do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos

– José Pedro Sousa, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto
– Pedro Leão Neto, Associação Cultural Cityscopio

19h00 — Visita guiada
Por Valeria Carullo, curadora de fotografia no RIBA

Permanência e atividades paralelas

De março a maio de 2026, a SR-NRT acolherá:

  • visitas guiadas temáticas

  • conversas com investigadores e curadores

  • atividades educativas

Público-alvo

Estudantes, profissionais e público interessado em:
Arquitetura, fotografia, urbanismo, artes visuais, história da cidade, estudos culturais e políticas urbanas.

Entrada livre.
Mais informações em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

MANIFESTO
Da Manplan à crise da habitação: ampliar o campo de visão

A arquitetura nunca foi neutra. Nunca foi apenas forma, técnica ou estilo. É um campo de forças onde se inscrevem conflitos sociais, escolhas políticas e visões do mundo. A série Manplan (1969–1970) tornou essa condição explícita num momento em que as promessas do modernismo entravam em crise e a realidade urbana expunha, de forma incontornável, as falhas de um projeto social incompleto. Cinquenta anos depois, essa lucidez crítica não perdeu atualidade — tornou-se urgente.

Hoje, perante uma crise global da habitação, a financeirização do território, a exclusão crescente e a fragmentação das cidades, importa recuperar e atualizar o gesto radical de Manplan: olhar a arquitetura a partir da vida, e não o inverso. Colocar as pessoas no centro da representação e do pensamento arquitetónico. Reconhecer que cada decisão espacial produz efeitos reais sobre corpos, relações, desigualdades e possibilidades de futuro. “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT uma mostra inédita em Portugal que revisita a influente série Manplan, afirma-se nesse território de continuidade crítica.

Não como uma exposição nostálgica, mas como um dispositivo de leitura do presente. O arquivo não é aqui um lugar fechado, mas um campo ativo de investigação, capaz de iluminar as tensões contemporâneas. As imagens de Manplan — cruas, próximas, incómodas — continuam a interpelar-nos porque revelam uma verdade persistente: a cidade é vivida antes de ser desenhada, e a habitação é um direito antes de ser um produto.

A lente grande-angular que dá título à exposição é mais do que um recurso técnico. É uma posição ética e política. Ampliar o campo de visão significa recusar leituras simplificadas da realidade urbana, rejeitar soluções rápidas para problemas estruturais e confrontar a disciplina com as consequências sociais do seu próprio fazer. Significa aceitar que a arquitetura participa ativamente na produção de desigualdade, mas também que pode — e deve — ser instrumento de reparação.

Entre a Manplan e o presente estende-se uma linha de continuidade: a compreensão da arquitetura como prática inevitavelmente política. A crise da habitação não é um acidente, mas o resultado de escolhas acumuladas — de modelos económicos, de legislação, de planeamento e de cultura disciplinar. Perante isso, não basta projetar mais edifícios; é necessário repensar os modos de habitar, os regimes de propriedade, as formas de cooperação e os imaginários urbanos que sustentam a cidade contemporânea.

Wide-Angle View convoca arquitetos, estudantes, investigadores e cidadãos a assumir uma posição. A olhar para o arquivo não como repertório formal, mas como memória crítica. A reconhecer na fotografia não apenas um meio de representação, mas uma forma de pensamento. A compreender que toda a imagem é uma tomada de posição — e que toda a arquitetura comunica, mesmo quando pretende silenciar os seus efeitos.

Este manifesto afirma que a relevância de Manplan reside precisamente na sua recusa da indiferença. Na sua capacidade de expor o desconforto, de tornar visíveis as falhas do sistema e de insistir que a qualidade de vida é uma questão coletiva. Hoje, como então, a arquitetura só faz sentido se for pensada a partir da vida concreta, das suas fragilidades e das suas urgências.

Ampliar o campo de visão é, por isso, um compromisso com o presente. Um convite à ação crítica. Uma exigência de responsabilidade disciplinar. Entre arquivo e atualidade, entre imagem e projeto, entre arquitetura e sociedade, “Wide-Angle View: Architecture as social space in the Manplan series 1969–70” | SR-NRT  afirma que não há futuro habitável sem um olhar atento, informado e profundamente humano sobre a cidade que construímos.

Pedro Leão Neto

Maria Neto

Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.

 

Workshop com Todd Hido | Porto, fevereiro de 2026

 

Workshop com Todd Hido | Porto, fevereiro de 2026

Nos dias 5, 6, 7 e 8 de fevereiro de 2026, a Leica Akademie Portugal acolhe no Porto o workshop internacional “Critical Decisions: Perspectives on the Creative Process”, orientado por Todd Hido, um dos autores mais influentes da fotografia contemporânea.

Ao longo de quatro dias de imersão intensiva, este workshop propõe uma reflexão profunda sobre a relação entre imagem, espaço, memória e experiência humana, explorando temas como território, corpo e vida coletiva.

Reconhecido internacionalmente pela sua abordagem crítica e sensível ao ambiente construído, à paisagem suburbana, à habitação, à luz e à atmosfera emocional dos espaços, o trabalho de Todd Hido questiona a forma como habitamos, observamos e interpretamos o mundo. As suas imagens revelam dimensões invisíveis do quotidiano, tornando este workshop especialmente relevante para profissionais e estudantes ligados à arquitetura, urbanismo, planeamento, artes visuais, ciências sociais e práticas culturais.

Mais do que um workshop técnico, trata-se de um laboratório de pensamento visual, onde serão explorados: processos de decisão criativa; leitura crítica do território e do espaço construído; construção de narrativa visual; sequenciação, memória e impacto emocional da imagem; diálogo entre prática artística, pensamento crítico e contexto social.

Esta é uma oportunidade única de enriquecimento cultural e intelectual, promovendo um olhar mais atento, sensível e crítico sobre o mundo que projetamos, analisamos e cuidamos diariamente.

Mais informações e inscrições:

https://pt.leica-camera.com/loja/workshop-critical-decisions-perspectives-on-the-creative-process-com-todd-hido/

 

Recensão de Iñaki Bergera na Arquitectura Viva sublinha o alcance crítico do Prémio Luis Ferreira Alves

 
 
 

Recensão de Iñaki Bergera na Arquitectura Viva sublinha o alcance crítico do Prémio Luis Ferreira AlveS

PT/ENG

A revista Arquitectura Viva (AV) publicou recentemente a recensão Un pulso visual, assinada por Iñaki Bergera, dedicada à publicação Prémio Luis Ferreira Alves | Edição 2025. O texto oferece uma leitura crítica e informada sobre o primeiro Concurso Internacional de Fotografia Luis Ferreira Alves, contextualizando-o no panorama contemporâneo da fotografia de arquitetura e reconhecendo-o como um contributo relevante para a reflexão sobre o ambiente construído.

Partindo da necessidade de dotar a fotografia de arquitetura de um espaço próprio de reconhecimento, simultaneamente interno à disciplina e aberto ao debate cultural mais amplo, Bergera destaca a visão curatorial da scopio Editions e o modo como o prémio homenageia o legado de Luis Ferreira Alves, figura central na construção do imaginário da arquitetura portuguesa do último quarto do século XX. A recensão sublinha ainda a solidez do processo concursal, evidenciada pela composição do júri — que integrou Eduardo Souto de Moura, Hélène Binet e Paulo Catrica — e pelo número expressivo de candidaturas recebidas.

Ao analisar os trabalhos distinguidos, Bergera evidencia a diversidade geográfica, temática e conceptual das séries premiadas, salientando a forma como estas se afastam de uma lógica meramente documental para assumirem leituras holísticas, transversais e críticas do território, da cidade e da arquitetura. A fotografia emerge, assim, não como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de reflexão, capaz de revelar as tensões, fragilidades e paradoxos do mundo construído contemporâneo.

A publicação desta recensão na Arquitectura Viva reveste-se de um significado particular, não apenas pelo prestígio internacional da revista, mas também pela ligação de longa data de Iñaki Bergera à comunidade da Sophia Journal e da scopio Editions, bem como ao grupo de investigação Arquitetura, Arte e Imagem (AAI), sediado no Centro de Estudos Nuno Portas (CENP) da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Ao longo dos anos, Bergera tem participado ativamente neste ecossistema académico e editorial, contribuindo para o aprofundamento do debate crítico sobre as relações entre arquitetura, fotografia e paisagem.

A sua leitura do Prémio Luis Ferreira Alves | Edição 2025 reforça, assim, uma afinidade intelectual e metodológica construída no tempo, marcada por uma atenção rigorosa à imagem enquanto instrumento de conhecimento, interpretação e questionamento cultural. A recensão confirma também a projeção internacional do prémio e da publicação, afirmando-os como plataformas relevantes no diálogo contemporâneo entre arquitetura e fotografia.

A obra, de caráter bilingue (português–inglês) e distribuição internacional, resulta de uma parceria editorial entre a scopio Editions e a editora espanhola Turner, consolidando a ambição de ampliar públicos, geografias e campos disciplinares, e de estimular uma leitura crítica da imagem arquitetónica no contexto global atual.