Mesa-redonda promove reflexão sobre cidade, espaço público e fotografia na arquitetura
conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”.
Realizou-se no passado dia 29 de maio a mesa-redonda e conversa pública integrada no programa paralelo da exposição “Wide-Angle View: A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70”, uma iniciativa que proporcionou um espaço de reflexão e debate em torno das relações entre arquitetura, fotografia, cidade e espaço público.
A sessão teve início com a abertura oficial assegurada pela arquiteta Adriana Floret, uma vez que, por motivos de ordem particular, o presidente da Ordem dos Arquitectos, arquiteto Avelino Oliveira, não pôde estar presente.
A conversa, moderada por Pedro Leão Neto e Maria Neto, partiu do diálogo entre a exposição Wide-Angle View e o projeto de investigação científica “50 anos do 25 de Abril: as geografias das dinâmicas sociais, económicas e políticas”, procurando discutir de que forma a imagem, a arquitetura e a investigação científica podem contribuir para uma compreensão mais crítica das transformações urbanas e territoriais das últimas décadas.
Nas intervenções introdutórias, os moderadores destacaram a atualidade do legado da série Manplan, sublinhando a importância de recentrar a arquitetura na experiência quotidiana das pessoas e de compreender a cidade como um espaço social, político e democrático. A reflexão incidiu igualmente sobre o papel da fotografia enquanto instrumento crítico capaz de tornar visíveis as relações entre território, habitação, desigualdades e cidadania.
A mesa-redonda reuniu Teresa Sá Marques, Olívia Marques da Silva, Attilio Fiumarella e Adriana Floret, cujos contributos permitiram abordar o tema a partir de perspetivas complementares. A partir da geografia e do ordenamento do território, Teresa Sá Marques destacou os desafios colocados pelas profundas transformações sociais e territoriais ocorridas em Portugal nas últimas décadas, chamando a atenção para as desigualdades que persistem no acesso à habitação, aos serviços e às oportunidades urbanas.
Por seu lado, Attilio Fiumarella refletiu sobre a capacidade da fotografia de revelar dimensões frequentemente invisíveis da cidade contemporânea, defendendo a imagem como um instrumento de questionamento crítico sobre a forma como os espaços são vividos, apropriados e representados. Também Olívia Marques da Silva sublinhou a importância da fotografia documental enquanto prática de conhecimento e de construção de narrativas sobre a realidade social, destacando o seu potencial para ampliar a compreensão das experiências urbanas e dos fenómenos que tendem a permanecer fora dos discursos dominantes.
A partir da sua experiência profissional na área da reabilitação urbana e do património, Adriana Floret abordou os desafios atuais do habitar e da transformação das cidades, defendendo a necessidade de preservar a dimensão social da arquitetura e de promover intervenções capazes de conciliar memória, sustentabilidade e qualidade de vida.
Ao longo da sessão foi possível confrontar diferentes experiências, disciplinas e pontos de vista sobre a cidade e o espaço público, estabelecendo um diálogo particularmente enriquecedor entre os dois projetos que serviram de base à iniciativa. As várias intervenções convergiram na defesa de uma visão da cidade centrada nas pessoas, na importância do espaço público enquanto lugar de encontro e cidadania e na necessidade de desenvolver formas de representação capazes de tornar mais visíveis os desafios sociais e territoriais do presente.
A assistência contou com público em geral, arquitetos, investigadores, docentes e estudantes, incluindo alunos das unidades curriculares ligadas ao ensino da fotografia da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, com especial destaque para os estudantes de Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura (FCPA I e II).
O debate, aberto à participação do público, constituiu um dos momentos mais dinâmicos da sessão. Entre as diversas intervenções, destacou-se a participação dos estudantes da FAUP, que partilharam as suas experiências no desenvolvimento de projetos fotográficos realizados no âmbito das unidades curriculares de FCPA. Os testemunhos evidenciaram a importância da fotografia como instrumento de observação e interpretação da realidade urbana, permitindo uma experiência concreta da cidade e uma aproximação mais crítica às suas dinâmicas sociais, espaciais e culturais.
A qualidade das intervenções, a diversidade de perspetivas e o envolvimento dos participantes contribuíram para fazer desta conversa pública um momento particularmente rico e estimulante, reafirmando a atualidade das questões suscitadas pela série Manplan e a pertinência do diálogo entre arquitetura, fotografia, investigação e sociedade na reflexão sobre os desafios contemporâneos da cidade.
Mais informação em breve nos canais da SR-NRT, CNEP - FAUP e CCA.
