Primeira sessão de apresentação dos projetos de fotografia da FAUP reuniu estudantes, formandos e convidados no Pavilhão Carlos Ramos

 

Primeira sessão de apresentação dos projetos de fotografia da FAUP reuniu estudantes, formandos e convidados no Pavilhão Carlos Ramos

A primeira sessão de apresentação pública dos projetos desenvolvidos no âmbito da formação e do ensino da fotografia aplicada à arquitetura, à cidade e ao território decorreu no dia 12 de junho, no Pavilhão Carlos Ramos, reunindo estudantes das unidades curriculares de fotografia da FAUP e formandos do Curso de Formação Contínua Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano. Esta sessão contou com a participação do convidado Sérgio RolandoESMAD | IPP —, sendo que a próxima sessão, a ter lugar no dia 19 de junho, terá como convidados João LealESMAD | IPP — e Cristina FerreiraFBAUP.

A sessão, que contou com uma participação expressiva, ficou marcada pelo entusiasmo dos estudantes e formandos, pela qualidade geral dos trabalhos apresentados e por um ambiente de partilha ativa em torno da fotografia enquanto instrumento de leitura crítica do espaço construído. Ao longo da tarde, as apresentações deram a conhecer diferentes processos de investigação, observação, edição e comunicação visual, desenvolvidos a partir da relação entre fotografia, arquitetura, cidade e território.

Os projetos foram apresentados através de diversos meios e suportes, incluindo a projeção de trabalhos fotográficos e vídeos em ecrãs de grande formato, bem como, no caso dos alunos da unidade curricular FCPA II, a construção, nas salas do piso superior do Pavilhão Carlos Ramos, de conjuntos de atlas de imagens organizados in loco. Estes atlas foram constituídos a partir das páginas e spreads das publicações em formato de jornal, que integravam o elemento central da entrega dos estudantes de Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura II — FCPA II.

Cada apresentação serviu de ponto de partida para uma troca de ideias e para um debate crítico em torno dos projetos desenvolvidos. Tendo como território de estudo, no caso de FCPA II, diferentes bairros sociais e os espaços urbanos onde estes se inserem, e, no caso de FIIRAEU, diferentes espaços da cidade e as suas arquiteturas, os trabalhos permitiram discutir questões centrais das unidades curriculares e do curso de formação contínua, nomeadamente o papel da fotografia na interpretação do espaço urbano, na construção de narrativas visuais e na comunicação do processo de projeto de arquitetura.

Ocupando duas salas do piso superior do Pavilhão Carlos Ramos, a iniciativa criou um espaço vivo de encontro, reflexão e debate, cruzando experiências de estudantes, formandos, docentes e convidados. Os participantes do Curso de Formação Contínua tiveram ainda a oportunidade de ouvir, em primeira mão, as considerações de Sérgio Rolando — fotógrafo, docente e formador da ESMAD | IPP — sobre os trabalhos apresentados, em diálogo com Ana Miriam Rebelo, formadora do curso.

Após a discussão dos trabalhos das unidades curriculares, Pedro Leão Neto, regente das unidades curriculares de fotografia da FAUP e responsável científico do curso de formação contínua FIIRAEU, acompanhou também algumas das apresentações realizadas pelos seus formandos. Este cruzamento permitiu reforçar a troca de perspetivas entre os diferentes contextos pedagógicos envolvidos, promovendo uma maior consciencialização sobre a diversidade de abordagens, metodologias e resultados apresentados.

Pedro Leão Neto e Ana Miriam Rebelo tiveram oportunidade de partilhar uma breve impressão geral sobre esta iniciativa, sublinhando o contentamento de ambos pela forma como decorreram as apresentações e destacando o interesse, a participação e a qualidade geral dos trabalhos apresentados. Ambos salientaram ainda a importância desta iniciativa no contexto mais amplo do Observatório Fotografia, entendido, nesta fase, como uma linha de investigação pedagógica e de cultura visual integrada no Grupo de Investigação Arquitetura, Arte e Imagem — AAI / CENP / FAUP, dedicada ao ensino, investigação, experimentação e disseminação da fotografia enquanto instrumento de leitura crítica da arquitetura, da cidade e do território.

A unidade curricular Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura II tem como objetivo aprofundar a compreensão das relações entre arquitetura, arte, imagem e comunicação de projeto, explorando diferentes instrumentos de representação envolvidos nos processos de conceção arquitetónica. Através da construção de um Atlas de Imagens, os estudantes são incentivados a recolher, selecionar, organizar e relacionar fotografias, desenhos, textos, diagramas, maquetas, referências artísticas e outros fragmentos visuais, transformando esse arquivo de trabalho num Atlas-Livro capaz de documentar e comunicar criticamente o processo de projeto.

Por sua vez, o Curso de Formação Contínua Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano procura capacitar os participantes para a utilização da fotografia como ferramenta de interpretação, representação e investigação da arquitetura e do espaço urbano. Dirigido a uma comunidade multidisciplinar, o curso promove a aquisição de competências técnicas, críticas e comunicacionais, incentivando a construção de narrativas visuais sobre as dinâmicas contemporâneas de produção, apropriação e transformação do espaço urbano.

Esta sessão prossegue no dia 19 de junho, dando continuidade à apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos no âmbito das unidades curriculares FCPA I, FCPA II, FACT e do curso de formação contínua FIIRAEU.

Com esta iniciativa, a FAUP reforça o papel da fotografia como prática pedagógica, instrumento crítico e forma de produção de conhecimento visual, valorizando o diálogo entre ensino, investigação, cultura arquitetónica e comunicação pública dos processos de projeto.

 

Research group:  Architecture, Art and Image AAI

 

Projetos de fotografia da FAUP apresentados à comunidade a 19 de junho

 

By Ana Catarina Silva, Bárbara Machado, Rita Carvalho, Tânia Silva , Marcelo Valente

Projetos de fotografia da FAUP apresentados à comunidade a 12 e 19 de junho

Nos dias 12 e 19 de junho de 2026 terão lugar na FAUP sessões de apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos no âmbito da formação e do ensino da fotografia aplicada à arquitetura, à cidade e ao território, reunindo projetos realizados por alunos do 𝗖𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗙𝗼𝗿𝗺𝗮çã𝗼 𝗖𝗼𝗻𝘁í𝗻𝘂𝗮 𝗙𝗼𝘁𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗜𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗽𝗿𝗲𝘁𝗮çã𝗼 𝗲 𝗥𝗲𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮çã𝗼 𝗱𝗮 𝗔𝗿𝗾𝘂𝗶𝘁𝗲𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗲 𝗱𝗼 𝗘𝘀𝗽𝗮ç𝗼 𝗨𝗿𝗯𝗮𝗻𝗼 e das unidades curriculares Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura I — FCPA I, Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura II — FCPA II e Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território — FACT.

As sessões terão lugar no Pavilhão Carlos Ramos e na Casa Cor-de-Rosa e contam com a participação de convidados da área da fotografia, que comentarão os diferentes trabalhos, promovendo a partilha e o diálogo em torno do potencial deste meio na leitura e compreensão do espaço construído. No dia 12 de junho, às 15h30, com 𝗦é𝗿𝗴𝗶𝗼 𝗥𝗼𝗹𝗮𝗻𝗱𝗼 (ESMAD | IPP), e no dia 19 de junho, às 10h00, com 𝗝𝗼ã𝗼 𝗟𝗲𝗮𝗹 (ESMAD | IPP) e 𝗖𝗿𝗶𝘀𝘁𝗶𝗻𝗮 𝗙𝗲𝗿𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮 (FBAUP).

As sessões integram-se no conjunto de iniciativas associadas ao Observatório Fotografia, linha de investigação pedagógica, editorial e de cultura visual integrada no Grupo de Investigação Arquitetura, Arte e Imagem — AAI / CENP / FAUP, dedicada ao ensino, investigação, experimentação e disseminação da fotografia enquanto instrumento de leitura crítica da arquitetura, da cidade, do território e do espaço construído.

Entendida como meio de observação, interpretação, representação, comunicação e produção de conhecimento, a fotografia assume aqui um papel central na compreensão das transformações da arquitetura, dos territórios e dos modos contemporâneos de habitar.

Através da apresentação dos projetos desenvolvidos ao longo do ano letivo, a iniciativa pretende promover a partilha de processos, metodologias e resultados, dando visibilidade ao trabalho dos estudantes e reforçando o diálogo entre ensino, investigação, produção visual e cultura arquitetónica.

O Observatório Fotografia articula um conjunto de atividades curriculares, extracurriculares e de formação contínua, integrando as unidades curriculares Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território — FACT, Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura I — FCPA I, Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura II — FCPA II, e o Curso de Formação Contínua Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano — FIIRAEU.

Em articulação com o AAI / CENP / FAUP, a SCOPIO Network e a scopio Editions, esta linha de investigação procura consolidar um espaço permanente de articulação entre ensino, produção visual, investigação, arquivo, edição e disseminação pública do conhecimento, contribuindo para reforçar a relação entre fotografia, arquitetura, cidade e território.

Com esta iniciativa, valoriza-se o papel da fotografia como prática pedagógica, instrumento crítico e forma de produção de conhecimento visual, promovendo o diálogo entre ensino, investigação, cultura arquitectónica e comunicação pública dos processos de projecto.

As apresentações de 12 e 19 de junho constituem, assim, uma oportunidade para dar a conhecer à comunidade académica e ao público interessado o trabalho desenvolvido no contexto da FAUP, valorizando a fotografia como prática pedagógica, instrumento crítico e forma de produção de conhecimento visual.


O.FF — Observatório Fotografia

Observatório Fotografia constitui uma linha de investigação pedagógica, editorial e de cultura visual integrada no Grupo de Investigação Arquitetura, Arte e Imagem — AAI / CENP / FAUP, dedicada ao ensino, investigação, experimentação e disseminação da fotografia aplicada à arquitetura, à cidade e ao território.

Enquanto observatório, assume a fotografia como instrumento de atenção crítica, leitura, interpretação e produção de conhecimento sobre o espaço construído, os territórios e os modos contemporâneos de habitar. A sua missão é observar, documentar, investigar, publicar e partilhar práticas fotográficas que contribuam para uma compreensão mais profunda da arquitetura e das suas transformações culturais, sociais e urbanas.

Integrado no ecossistema científico, pedagógico e editorial constituído pelo Grupo de Investigação Arquitetura, Arte e Imagem — AAI, pela SCOPIO Network e pela scopio Editions, o Observatório Fotografia visa consolidar uma estrutura permanente de articulação entre ensino, produção visual, investigação, arquivo, edição e disseminação pública do conhecimento.

A fotografia é aqui entendida simultaneamente como instrumento de observação, representação, interpretação, comunicação e investigação visual, assumindo um papel central na construção de conhecimento crítico sobre a arquitetura, a cidade e o território.

Neste contexto, o Observatório Fotografia agrega e articula um conjunto de atividades curriculares, extracurriculares e de formação contínua, promovendo a circulação de conhecimento entre estudantes, docentes, investigadores, fotógrafos, instituições culturais e redes editoriais.

Integram este observatório e linha de investigação:

Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território — FACT;
Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura I — FCPA I;
Fotografia e Comunicação de Projeto de Arquitetura II — FCPA II;
Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano — FIIRAEU.

O Observatório Fotografia pretende afirmar-se como uma referência nacional e internacional no ensino, investigação e cultura editorial da fotografia aplicada à arquitetura, à cidade e ao território, contribuindo para o desenvolvimento de metodologias críticas de investigação visual e para a valorização da cultura fotográfica no contexto das escolas de arquitetura.


Biografias

Pedro Leão Neto é arquiteto licenciado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP, 1992), mestre em Planeamento e Projeto do Ambiente Urbano (FAUP-FEUP, 1992), doutor em Planning and Landscape (Universidade de Manchester, 2002) e pós-doutorado (FAUP, 2018). Professor e Investigador na FAUP, regente das unidades curriculares de Fotografia e Comunicação de Projecto de Arquitetura (FCPA I&II) e de Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território (FACT) e responsável Científico do curso de formação contínua Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano (FIIRAEU). É coordenador do grupo de investigação Arquitetura, Arte e imagem (AAI) e das Edições scopio, sendo Editor-in-chief da revista científica Sophia Journal. O seu campo de investigação é focalizado no universo da Arquitetura, Arte e Imagem, nomeadamente em volta da interseção entre a fotografia documental artística e a arquitetura.


Ana Miriam Rebelo é fotógrafa, investigadora e docente na área das artes visuais e da cultura visual. Licenciada em Artes Plásticas (2005), Mestre em Criação Artística Contemporânea (2019) e Doutorada em Design (2025). É membro colaborador do Instituto de Investigação em Design Media e Cultura (FBAUP) e do Centro de Estudos Nuno Portas (FAUP), no qual integra o grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI). Leciona o curso de formação contínua “Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e do Espaço Urbano” (FAUP).  A sua produção artística e científica, divulgada através de comunicações, publicações e exposições, centra-se na produção, perceção e representação do espaço urbano, com ênfase nas dinâmicas informais de produção e utilização do espaço público.

 

Research group:  Architecture, Art and Image AAI

 

FAUP - Exposição | ANUÁRIA'21 | Novas práticas | FACT e CAAD I& II

 

Anuária 2020/2021 | FACT, CAAD I e CAAD II

23 de setembro - 29 de outubro de 2021, 2.ª - 6.ª feira (encerra aos feriados), 17h00-20h00, FAUP

Exposição dos exercícios curriculares dos cursos da FAUP.


A edição de 2021 propõe uma reflexão sobre o processo de adaptação dos cursos da Faculdade aos novos desafios contemporâneos. Regista a diversidade de experiências de ensino-aprendizagem que a escola integra, desde aquelas vividas no espaço físico da escola até às condições particulares de utilização de meios de comunicação digital à distância que a circunstância pandémica impôs. Questiona o modo como o analógico e, sobretudo o digital, se reflectiram directamente nos processos académicos e que, perante novos desafios e exigências da sociedade, permitem situar-nos em novos tempos.

A exposição ANUÁRIA'21 é dedicada ao Professor José Quintão (1940-2021).

Da formação em Arquitetura: Por uma pedagogia integrativa no ensino de Comunicação de Projeto de Arquitetura e de Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território

Pedro Leão Neto

 

1.1     Nota introdutória

O desenvolvimento deste texto tem como base os estudos na área da comunicação do projeto de arquitetura e do espaço urbano nas disciplinas de Projeto de Arquitetura Assistido por Computador (CAAD I e II), que agora propomos a nova denominação Fotografia e Projeto de Arquitetura Assistido por Computador (FCAAD I e II), articulados com a regência da disciplina de Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território (FACT). Foi assim possível desenvolver um estudo aturado sobre o trabalho didático na área da fotografia e da sua prática, bem como consolidar um trabalho de investigação com maior profundidade e sentido critico sobre diversos métodos de representação da arquitetura, cidade e território, onde a fotografia se afirma como um elemento transversal a estas áreas de interesse.[1]

1.1     Contextualização e fundamentação dos conteúdos pedagógicos

As tecnologias digitais ligadas à Fotografia, Imagem e Comunicação do Projeto de Arquitetura são cada vez mais utilizadas, conjuntamente com outros suportes, sistemas computacionais e média, com origem quer no universo analógico, quer no digital[2].

Como é demonstrado por diversos autores, projetos e/ou trabalhos oriundos de diversas unidades curriculares de cursos de Arquitetura e outras áreas disciplinares afins, a Imagem e a Fotografia são instrumentos significativos de análise e representação do território e dos seus espaços e vivências[3], constituindo a Fotografia uma área de estudo que permite compreender de forma crítica a prática e disciplina de arquitetura[4], bem como um instrumento que pode ser utilizado de diversas formas no processo de comunicação e conceção do projeto de arquitetura:

·       no registo documental e ficcional dos lugares, permitindo compreender e comunicar a identidade desses lugares e integrar esse conhecimento e ideação no desenvolvimento do projeto de arquitetura;

·       na produção de imagens de síntese que combinam fotografia com modelação 3D, utilizando técnicas de fotomontagem e colagem, permitindo explorar diversas ideias de projeto, bem como idealizar de forma prospetiva novos espaços e intervenções nos lugares;

·       na exploração livre dos espaços e das formas, utilizando técnicas de edição de imagem quer analógica como em laboratório digital e combinando diversos métodos de representação e desenho;

Interessa assim uma coordenação vertical e horizontal das UCs de forma a assegurar a melhor cooperação e complementaridade possível entre si e com a investigação desenvolvida pelo grupo Arquitetura, Arte e Imagem (AAI), onde a Fotografia, o Editorial e o universo AAI está presente de forma significativa. É assim consolidado um trabalho de investigação com maior profundidade e sentido critico sobre diversos métodos de representação da arquitetura, cidade e território, onde a fotografia se afirma como um elemento transversal a estas áreas de interesse.[5]

1.1     O universo teórico das UC falando dos autores, trabalhos e teorias que constituem o fundamento das UC

1.1.1      Processo de comunicação e representação em projeto de arquitetura: fotografia e desenho

Relativamente à UC do primeiro ciclo FCAAD I, II onde o universo do Processo de Comunicação e Representação em Projeto de Arquitetura é nuclear é importante referir que a UC seja capaz de abrir horizontes para um campo de possibilidades (infinito e em constante evolução), combinando os vários modos de expressão e instrumentos analógicos e digitais para a comunicação do projeto de arquitetura.[6]

Neste contexto, a análise crítica e prospetiva do território de estudo através da fotografia e a comunicação do projeto e as ideias que as fundamentam são aspetos nucleares do ensino da UC, bem como são a capacidade de integrar os aspetos técnicos e artísticos e de utilizar os diversos instrumentos de representação como dispositivos mentais que levam a uma nova perceção crítica sobre o espaço de cidade, as suas vivências e o projeto de arquitetura.[7]

É assim introduzida no primeiro semestre uma significativa componente de fotografia de arquitetura, cidade e território que explora este modo de expressão e instrumento para questionar e problematizar, a diferentes escalas, o território em estudo, permitindo aos alunos desenvolverem uma capacidade informada e independente de pensamento, no sentido em que fala Victor Burgin[8].

Interessa-nos logo neste início do Processo de Comunicação e Representação em Projeto de Arquitetura explorar o potencial da narrativa visual fotográfica num suporte de livro/caderno. A produção do livro é na verdade um gerador para diversas reuniões de trabalho colaborativo e um instrumento mental e artefacto capaz de materializar determinado conhecimento, nomeadamente dar suporte a ideias de fotografia na arquitetura e arte.[9]

Numa fase posterior que é a do segundo semestre é possível aprofundar o desenvolvimento da narrativa visual criada anteriormente e enriquecer o Processo de Comunicação e Representação de Projecto de Arquitectura.  A componente de fotografia é assim articulada com a componente de fotomontagem, com o objetivo da ideação e exploração de ideias de arquitetura e construção de um atlas / laboratório de imagens.[10] Os alunos devem estar conscientes da relação entre perceção e visão, explorar esses dois universos, procurando mostrar como os dois se interligam e influenciam a nossa relação e compreensão do mundo real[11].

Interessa aos alunos revisitarem de forma critica e atenta obras e autores cujos trabalhos têm como objeto de estudo e artístico a arquitetura, cidade e território, bem como identificar o território-lugares-projeto através de um livro - mapa visual capaz de representar a múltipla complexidade, heterogeneidade e problemáticas que o território de estudo e projeto contém.O livro-atlas a criar será assim um mapa-registo temporal do progresso do trabalho e será constituído por desenhos, fotografia, texto e atlas / mapas visuais.[12]

Interessa dar aos alunos a consciência de que a nossa perceção das obras de arquitetura e do espaço em geral está ligado ao sentido de percurso que envolve movimento e deslocação e que um ponto de vista implica uma seleção que vai delimitar o que se mostra e o que fica invisível e que uma imagem constrói uma direção do olhar e uma série de imagens podem construir um percurso, mesmo que pré-determinado e mais abstrato do que um conjunto de imagens em movimento.[13]

É assim desenvolvido em suporte de livro um projeto visual que questiona o universo AAI e tem um entendimento da Imagem como "cosa mentale[14]" capaz de ampliar uma prática de arquitetura ou teoria como instrumentos do pensamento e imaginação.

1.1.1      Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território

O objetivo da UC do segundo ciclo é, por um lado, aprofundar o estudo e prática adquiridos em FCAAD I, II sobre a utilização da fotografia e do seu potencial para questionar e problematizar o universo da Arquitetura, Cidade e Território. Por outro lado, levar os alunos a desenvolver uma narrativa visual fotográfica com maior maturidade, capaz de comunicar novas perspetivas sobre o espaço e a realidade urbana e que possa constituir uma base para a sua dissertação final do MIARQ.

Interessa neste segundo ciclo despertar nos alunos a consciência para a existência de diversas estratégias e métodos de comunicação visual aquando da utilização de fotografia documental e artística como um instrumento de investigação. Ou seja, tomarem conhecimento sobre diversos métodos e instrumentos de investigação – qualitativos – onde a imagem de fotografia é utilizada como um significativo instrumento de pesquisa sobre arquitetura e a forma como as pessoas vivem e se apropriam dos espaços.[15]

É assim muito importante pensar e utilizar a fotografia como um instrumento de investigação livre com o objetivo de descobrir novas perspetivas sobre o espaço público e a sua arquitetura. Este potencial da fotografia para (re)descobrir novas realidades espaciais e arquitetónicas e assim influenciar a forma como percecionamos e percebemos os nossos espaços e cultura é algo que está presente no trabalho de muitos autores e em contextos muito distintos (Sugimoto 2003; Bandeira 2007; Costa 2009). Isto interessa-nos, acima de tudo, porque uma didática deste género leva os alunos a explorar e problematizar o potencial da fotografia e da imagem como forma de representar e questionar a realidade urbana e permite-lhes alcançar, durante o tempo da UC, um bom domínio artístico e técnico sobre a imagem e fotografia.

Resumindo, acreditamos que o mais importante é oferecer aos alunos um espaço pedagógico que os leve a construir a sua própria consciência social, sempre ligada ao espaço, através do conhecimento da riqueza multifacetada de perspetivas que existem sobre estas temáticas.  As narrativas visuais finais devem assim ser capazes de denunciar, por um lado, a postura visual crítica e a metodologia própria adotadas por cada grupo e/ou aluno relativamente aos espaços e vivências que eram comunicados e, por outro lado, uma atitude independente e um pensamento próprio.

1.1     Síntese conclusiva e prospetiva: docência, investigação, internacionalização e abertura da Escola de Arquitetura e U. Porto à sociedade

A pedagogia integrativa é assim uma das componentes estratégicas deste programa de ensino e resulta da significativa ligação das UCs à investigação focalizada em Arquitetura, Arte e Imagem (AAI) que é o universo nuclear de toda a investigação desenvolvida no AAI, onde os vários projetos estão integrados assim como diversas ações pedagógicas com elas relacionadas. Acreditamos que esta articulação próxima entre UCs e investigação reforça e dá condições de estímulo ao início da atividade científica e desenvolvimento de sentido crítico, criatividade e autonomia dos estudantes através da sua integração em equipas de projetos de I&D[14]. Na verdade, todas estas ações permitem aproximar cada vez mais, a investigação da docência e a integração dos alunos de unidades curriculares da FAUP e de outras instituições parceiras ligadas ao universo da Arquitetura, Arte e Imagem, através de estágios académicos, reforçando e dando condições de estímulo ao início da atividade científica e desenvolvimento de sentido crítico, criatividade e autonomia dos estudantes através da sua integração em equipas de projetos de I&D. Para além disso, estas diversas atividades partem de uma compreensão estratégica da imagem e do uso da fotografia enquanto meio de representação de ideias, explorando a arte digital e diversas estratégias de comunicação que permitem novas formas de interagir com diversos espaços e públicos.

Por fim, interessa chamar a atenção para o trabalho de inovação pedagógica que já foi iniciado, através do projeto de investigação VSC e da sua plataforma colaborativa utilizada pelas UC de FCAAD I, II e FACT na FAUP, da UC de Projeto do Mestrado em Design da Imagem (MDI) da FBAUP e da UC de Fotografia II da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD).

Este trabalho de inovação pedagógica tem como objetivo aproveitar o potencial dos estudantes de arquitetura e das Artes para a utilização e exploração de um ambiente de trabalho colaborativo e de operadores específicos para as UC que exploram o uso da imagem e da fotografia para observar, analisar e teorizar diferentes dimensões do espaço com base em pesquisas visuais e evidências visuais e através de exercícios de análise e representação da arquitetura e do espaço urbano. Acreditamos que a evolução deste projeto de inovação pedagógica poderá contribui para alargar os horizontes tanto para o ensino académico como para a aprendizagem e investigação. Um projeto que pode ser a base para desenvolver um programa de aprendizagem especificamente concebido para a produção, organização e comunicação de informação visual relacionada com a transformação e apropriação da arquitetura e espaços públicos.

 

Referências

[1] A este propósito podemos indicar como projetos, trabalhos e iniciativas ligas à investigação que se abrem para as unidades curriculares, entre outros, o projeto CONTRAST, com trabalhos de 9 Escolas de Ensino da Fotografia no Superior, Cityzines, a coleção de publicações alternativas que está sediada na biblioteca da FAUP, a publicação periódica internacional revista por pares SOPHIA: Journal on  Architecture, Art and Image, a publicação periódica internacional scopio International Photography Magazine e o livro “Álvaro Siza: Fotografia Documental e Artística - Um Olhar Contemporâneo sobre a Arquitetura Portuguesa, bem como o projeto de investigação financiado pela FCT VSC (http://visualspacesofchange.com/vsc/?page_id=136&lang=pt)

[2] Neto, Pedro; Neto, Maria. 2016. "(Re)descobrir os espaços de cidade: a fotografia como um dispositivo mental que pode levar a uma nova perceção sobre o espaço e a sua arquitetura", Branca – Revista de Arquitetura da Universidade da Beira Interior 1, 1: 30 – 37;

[3] Nuno Faria em Sobre o Olim: “Feito de pequenos acontecimentos que se sucedem sem cronologia nem hierarquia, OLIM descende diretamente da linhagem do livro-atlas, o livro como caixa de ressonância, (I) que opera circulações entre mundos, (II) que não se encerra em si mesmo, (III) que não se fixa em nenhum tempo histórico.“ https://www.scopionetwork.com/blog/2020/05/06/olim-by-camilo-rebelo-pt?rq=OLIM

[4] Neto, Pedro (2018). Um Outro Olhar sobre Obras de Álvaro Siza Vieira: Fotografia Documental e Artística: Um Olhar Contemporâneo sobre a Arquitectura Portuguesa, scopio Editions

[5] "Com o objetivo de defender a arte como uma ocupação liberal era negar o papel desempenhado pela execução manual na sua criação. A pintura é uma ocupação mental" (pittura è una cosa mentale) escreveu Leonardo da Vinci.

[6] Gerber, A., et al. (2018). Handbook of Methods for Architecture and Urban Design, Triest Verlag.

[7] Burgin, V., Ed. (1982). Thinking Photography. Photographic Practice and Art Theory. London: Palgrave, Macmillan Press Ltd.

[8] Cityzines (2015). Pedro Leão Neto (ed.), Ana aragão, Elias Redstone, Ivo Poças Martins, Joaquim Moreno, Nuno Grande, Pedro Leão Neto, José Luís Neves. Scopio Editions. ISBN 978-989-976-99-3-9

[9] Galofaro, Lucas (2015). An Atlas of Imagination. Damdi. ISBN13 9788968010378; Eduardo Souto de Moura: atlas de parede, imagens de método/ ed. por André Tavares e Pedro Bandeira, Dafne Editora, Porto, 2011, sp.

[10] Rémy Zaugg: The Question of Perception Cat. Museum für Gegenwartskunst Siegen  Exhibition catalogue, edited by Eva Schmidt and Javier Hontoria texts (English) by Mathilde de Croix, Javier Hontoria, Eva Schmidt and texts by Rémy Zaugg: https://www.snoeck.de/book/336/R%C3%A9my-Zaugg%3A-The-Question-of-Perception

[11] Krasny, Elke (2004). The Force Is in the Mind. Birkhäuser Architecture; 1st edition. ISBN-10 : 376438980X

[12] Diversos exemplos poderiam ser aqui referenciados, estas publicações dizem respeito a trabalhos de alunos de Proyectos Arquitectónicos 1 de la Universidade de Zaragoza: Inaki Bergera et al. (2017). Lo doméstico, narrativas visuales, Prensas de la Universidad de Zaragoza, ISBN: 978-84-16935-88-8; Inaki Bergera et al. (2019). Objetos, arquitecturas e imágenes. Prensas de la Universidad de Zaragoza, ISBN: 978-84-1340-017-4; ; Inaki Bergera et al. (2018). Más por Mies. Casa Farnsworth. Prensas de la Universidad de Zaragoza, ISBN: 978-84-17633-30-1

[13] Podemos indicar diversos departamentos ou unidades curriculares em instituições internacionais e nacionais consideradas de interesse para este estudo como, por exemplo, só para mencionar algumas, a USC School of Architecture – California; Massachusetts Institute  of  Technology:  School  of  Architecture  and Planning; College of Arts and Architecture – Penn State, IUAV, Veneza; EPFL-Lausanne e ETH Zurich. A nível nacional podemos referir o projeto editorial CONTRAST que reúne docentes e trabalhos de 9 instituições de ensino superior onde a fotografia é ensinada, entre elas FAUP e DARC

[14] Iuliano, M., et al. (2012). Cambridge in Concrete: Images from the RIBA British Architectural Library Photographs Collection, Paparo; Bergera, Iñaki (2017). Photography and architecture: From technical vision to art and phenomenological (re)vision. In: Vision Technologies. The architectures of sight. Routledge (Francis & Taylor Group), London, New York. pp. 105-118. English. ISBN 978-1-4724-5496-6. Book edited by Graham Cairns.

[15] Neto, Pedro (2018). Um Outro Olhar sobre Obras de Álvaro Siza Vieira: Fotografia Documental e Artística: Um Olhar Contemporâneo sobre a Arquitectura Portuguesa, scopio Editions