O projeto CONTRAST participa do Imagens do Real Imaginado (IRI) - Ciclo de Fotografia, Cinema e Multimédia | Rastreados (2021)

 
 
 

O projeto CONTRAST participa do Imagens do Real Imaginado (IRI) - Ciclo de Fotografia, Cinema e Multimédia | Rastreados (2021)

“CONTRAST: A FOTOGRAFIA NO ENSINO SUPERIOR"

Apresentação do projeto e publicações Contrast, bem como das redes associadas ao projeto e anúncio de nova plataforma

Olívia Silva, Coordenadora ESMAD

Pedro Leão Neto, Coordenador do grupo de investigação Arquitectura, Arte e Imagem (AAI)

4 NOV. | 18h00 | AUDITÓRIO LUÍS SOARES | ESMAD

O projeto Contrast marca presença no Imagens do Real Imaginado (IRI) - Ciclo de Fotografia, Cinema e Multimédia com o tema Rastreados que terá lugar na ESMAD entre os dias 2 e 8 de Novembro.

Irá realizar-se no Auditório Luís Soares da ESMAD no dia 4 de novembro, pelas 18h00, a apresentação do projeto e publicações Contrast, bem como das redes associadas ao projeto e anúncio de nova plataforma com a Olivia Silva (ESMAD) e o Pedro Leão Neto (AAI-CEAU-FAUP). 

Sobre o projeto CONTRAST

CONTRAST é um projeto de dinamização cultural interdisciplinar focado na criação duma rede de iniciativas artísticas e reflexão crítica incentivando o debate sobre temas transversais à Arte, Arquitectura e Design através do mundo da Criação, do Editorial, e do Ensino da Fotografia em diversas áreas disciplinares, reforçando a oferta artística e editorial, o acesso e participação nas artes. 

Esta rede conta com a parceria estabelecida em diversas áreas científicas e artísticas, entre nove escolas de ensino da fotografia em Portugal: ARCO - Centro de Arte e Comunicação Visual; DARQ - Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; DCAM - Departamento de Cinema e Artes dos Media: Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Lisboa; ESAP - Escola Superior Artística do Porto; ESMAD | Escola Superior De Media, Artes e Design, Vila Do Conde; FAUP- Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto; FBAUL - Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa; FBAUP Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; IPT - Instituto Politécnico de Tomar e três escolas fora de Portugal: Liverpool School of Architecture (LSA), Zaragosa Unidad Predepartamental de Arquitectura da Universidade de Zaragoza (UNIZAR) e Barcelona Universitat Politècnica de Catalunya BarcelonaTech (UPC).

Sobre a edição 2021 do Imagens do Real Imaginado (IRI) - Ciclo de Fotografia, Cinema e Multimédia

Rastreados

“A inteligência artificial e as tecnologias digitais, sendo tremendas conquistas da Humanidade e janelas para o futuro, nem por isso deixam de produzir efeitos cujos contornos permitem figurar ameaças a uma escala maior. Na verdade, só nas mais ousadas distopias fruto da imaginação criadora, caso do inevitável 1984 de George Orwell, a privacidade foi tão eficazmente posta em causa como agora. Refletindo sobre a sociedade conectada em rede, bem como as complexas relações de poder dela emergentes, Ignacio Ramonet deu a uma das suas obras mais recentes este título: O Império da Vigilância. A vigilância, evidentemente, não é um fenómeno novo. Sempre existiu. Ainda antes da explosão da Internet já câmaras de filmar ocultas registavam amplamente gestos e hábitos dos cidadãos. Foram utilizadas pelos serviços de inteligência, na segurança pública, no controle de fronteiras, em hospitais, prisões, escolas, superfícies comerciais, em suma, na observação dos mais diversos aspetos da vida quotidiana, a pretexto da prevenção. Com as redes sociais, porém, atingiu-se um novo patamar na concretização da profecia orwelliana, com uma diferença: a informação e a vigilância são agora totalmente imateriais. O rastreador é invisível, o rastreado, na maioria dos casos, inconsciente da sua vulnerabilidade. Computadores e smartphones, garantes da ampliação do espaço de liberdade em potência, são, igualmente, ferramentas de regulação sistémica, albergue de fake news, veículos de construção de realidades paralelas, detonadores do consumismo e a mais poderosa alavanca de negócios alguma vez concebida. As mais das vezes, o rastreado não tem noção do papel totalitário do algoritmo. Os seus dados pessoais – opções políticas, credo religioso, orientação sexual, situação familiar, em suma, tudo quanto lhe diga respeito –, apesar das políticas de privacidade, são facilmente acessíveis. Quem beneficia? À cabeça, os cinco grandes conglomerados que dominam a Rede: Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft. Do mesmo modo, o poder político-militar, ao ponto de um estado poder interferir nos atos eleitorais de outros estados, condicionando o sentido de voto, e de ser possível, mesmo entre aliados, proceder à devassa da vida dos dirigentes. Em ambos os casos pontificam peritos rastreadores. Obviamente, o rastreamento autoriza múltiplas declinações, de sinal contrário, e até incursões favoráveis aos rastreados em áreas como, por exemplo, a ciência e a saúde. A resposta à crise pandémica aí está para o demonstrar. Mas, a leitura deste admirável mundo novo não poderá ser feita exclusivamente através das ferramentas analíticas do passado. Exige o pensamento complexo, transdisciplinar, de que fala Edgar Morin. E exige o trabalho de criação capaz de interpelar o presente, abrindo portas a um real imaginado, acutilante e prospetivo. Esta edição do IRI vai nesse sentido.”

Jorge Campos

+ info : https://www.esmad.ipp.pt/documentacao/iri-cartazete