OS DIÁLOGOS DA CIDADE

Claudia Ricciuti

Para começar um diálogo, é preciso estar próximos.

Próximos o bastante para permitir que o outro nos ouça e nos veja, e para que nós possamos igualmente ouvi-lo e vê-lo.

Da mesma forma, a proximidade traz consigo a necessidade de estabelecer um diálogo ou de decidir conscientemente que não o queremos.

Por isso, qualquer pessoa envolvida num diálogo partilha um certo espaço, muitas vezes indefinido e variável, no qual ocorre alguma forma de comunicação.

Em antropologia, a proxémica é o estudo do espaço de proximidade ou distância entre os indivíduos, estreitamente ligado à sua comunicação e perceção.

Uma dimensão oculta, como a define Edward T. Hall, não rígida e que varia consoante o comportamento e o contexto cultural ou social de cada pessoa.

O objectivo do projecto é transpor o estudo da proxémica para o ambiente construído e analisar o que acontece quando um edifício se encontra ao lado de outro.

Se é verdade que a arquitectura é feita à medida do corpo e dos sentidos humanos, então procura-se também o comportamento humano entre as construções da paisagem urbana.

O projecto pretende explorar as diversas características do espaço entre os edifícios e, na ausência desse espaço, as relações que se estabelecem quando uma construção entra em contacto com outra.

Muitas vezes, esses espaços intersticiais são inacessíveis ou inatingíveis, mas visíveis das ruas da cidade como se fossem cenários teatrais. Noutros casos, a relação com o vizinho é representada por uma superfície de fachada, pela forma como a cor ou os elementos decorativos são utilizados ou pelos vestígios do contacto com edifícios que já não existem.

As imagens não pretendem constituir um catálogo científico de situações possíveis, mas visam evocar um conjunto variado e complexo de todos aqueles compromissos e desejos que começam a intervir no momento em que entramos em diálogo com o outro.