BAIRRO DE SÃO VITOR
”recortes de são vítor”
FCPA I - 2025|26
Aline Trindade | Beatriz Sipraki | Beatriz Vieira | Pedro Pachá ` Zara Lemos
O bairro de São Vitor é uma obra do arquiteto Álvaro Siza Vieira, projetada como primeira obra do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) em 1975. Pensado inicialmente para realocar os moradores das ilhas do Porto, a princípio tinha cerca de 360 famílias, com 32 fogos em sua 1º fase e 20 fogos na 2º fase. Porém, foram construídas apenas 12 casas, que mantiveram o tecido urbano das ilhas e suas ligações comunitárias existentes. Entretanto, o bairro não é apenas o que foi projetado por Siza, mas uma verdadeira soma disso com as envolvências e com tudo que se é apropriado para criar um ambiente.
Com este trabalho, representamos as diversas formas de apropriação, expressas a partir de vestígios da ocupação humana. Os varais, tapetes, esculturas e plantas que tomam conta da arquitetura estabelecem um paralelo a autores como Maho (Majd Hojati), em “Frequent Whites”, na forma como representa a presença humana pelas bandeiras, placas e elementos que ocupam e dão significado ao espaço construído. O trabalho de Marta Ferreira em “Mapeamento de Fotografia Documental e Artístico: um olhar contemporâneo sobre a Arquitetura Portuguesa” também nos ensina, pela forma como constroi uma narrativa visual a partir de pequenos deslocamentos e enquadramentos na Piscina das Marés, a operar com a ideia de percurso. Por fim, Ricardo Nunes, em “For sale”, traz-nos a ideia de como o abandono em infraestruturas, espaços e objetos, também pode caracterizar determinado lugar. Em São Vítor, esse encontro com sua ruína introduz uma nova esfera de poesia, para a qual procuramos olhar: nas paredes descascadas, na vegetação que cresce nas trincas do solo, em todas as camadas temporais que coexistem naquele espaço.
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