BAIRRO DE CONTUMIL

“BARREIRAS” FÍSICAS E TEMPORAIS

FCPA I - 2025|26

Ana Garrido Oliveira | Beatriz Pinto | Emília Naranjo | Francisca Castro | Inês Magalhães | Maria Cosme


Esta sequência fotográfica tem como objetivo a criação de uma barreira pictórica que pretende estabelecer uma analogia com a história do Bairro de Contumil, um território cuja presença foi progressivamente camuflada pela inovação da cidade e das suas infraestruturas. Estamos, portanto, perante um percurso fotográfico concebido como um exercício de observação contínuo, no qual cada imagem funciona como um ponto de referência na construção de uma linha física e cronológica do espaço.

A linha física é formulada através do “trajeto”, resultando numa narrativa que orienta o olhar do observador numa direção constante e coerente. A repetição de elementos a partir de diferentes perspetivas contribui para a construção dessa sensação de continuidade.

wParalelamente, a linha temporal surge de forma subtil através das transformações evidentes que ocorrem no espaço, nomeadamente as alterações de luz e sombra, a presença ou ausência de habitantes, o desgaste, entre outros fatores.

Esta linha-barreira constrói-se no tempo e no espaço, funcionando simultaneamente como elemento de união e de isolamento (Walia, 2025). Fronteiras que criam cidades dentro de cidades; espaços indesejados e espaços valorizados. Através deste percurso visual, reconhecemos as bordas que compõem a nossa cidade.

O trabalho fotográfico de Paulo Catrica dialoga naturalmente com a ideia de barreira, sobretudo porque o autor se dedica à representação de espaços urbanos e suburbanos onde as fronteiras — físicas, sociais ou simbólicas — se tornam parte integrante da própria paisagem.

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