BAIRRO AGRA DO AMIAL

ATRAVÉS DA COR

FCPA I - 2025|26

Dinis Pais Pereira | Ellen Costa | João Moura e Sá, |Juana Moncada |Lisana Levy


O bairro social de Agra do Amial, localizado na freguesia de Paranhos, da cidade do Porto, circunda-se de movimento.

Movimentam-se gruas; crescem edifícios; movem-se autocarros, automóveis, bicicletas e pessoas. Faculdades, autoestradas, metros e casas densificam os arredores.

Não residimos lá, e o percurso, bem como o habitar deste espaço, por nossa parte, aconteceu de modo forçado, investigativo e por assim dizer, à primeira vista, distante. Porém, há qualquer coisa de familiar em todo o ser humano e suas rotinas de habitar, e nesse sentimento ambíguo de estranheza e familiaridade que se registra o que há de mais complexo neste espaço: o ordinário.

No habitar, se ultrapassa a arquitetura, apropria-se de seus elementos para adaptá-la aos anseios humanos, e assim identificam-se personalidades pelos acasos, conhecem-se calçados. Mesmo com suas particularidades, existe um senso de unidade muito forte quando se adentra o bairro, algo que fala primeiro, antes de notar os diferentes vãos, caixilhos e apropriações, nota-se a cor.

O rosa, uma força unificadora capaz de harmonizar toda a individualidade trazida pelos residentes, uma presença, é o personagem da nossa narrativa, aquele que conversa com tudo e com todos, nos guiando para que nos aproximemos do espaço. O criador desta atmosfera de pertencimento, uma via de mão dupla, em que a arquitetura também contamina o indivíduo, e suas escolhas, seja nas roupas, toalhas ou lençóis, o rosa predomina.