INSDUSTRIE - LA VALLÉE

 

INSDUSTRIE - LA VALLÉE

BY JENNIFER NIEDERHAUSER SCHLUP

 

Jennifer Niederhauser Schlup, lives and works in Lausanne. She holds a Bachelor in Photography from Massachusetts College of Art and Design, Boston and a Master in Art Direction from the Universuty of Art and Design, Lausanne (Ecal). Her work has been shown in various exhibition and publications.

In 2014 she was a FOAM Talent as well as a Vfg nachwuchsförderpreis laureate and shortlisted for the Voies Off Prize. Her work has been included in exhibitions at Atelier Néerlandais — Paris, East Wing Gallery — Dubai, BEARSPACE gallery — London among others.

She is also the Editor-in-Chief and Creative Director of Adventice Editions (AE), which she founded in 2011 together with graphic designer Florine Bonaventure. AE is an independent publishing house which releases annually the eponymous publication Adventice.

 

Synopsis

La Vallée postulates photography as a creator of stories, whether they fall under pure invention or are rooted in a certain reality. Photography becomes here the
vector of a very personal vision and tends to fiction. Taking the aspect of a fictional study, the project considers la Vallée de Joux and its geographic, demographic and industrial characteristics, emphasizing the heterogeneous aspects of the region. Indeed, this area is a microcosm where traditions, rigor, industry and luxury come together. These notions, sometimes paradoxical, are the result of its location as a remote valley of the Jura and its importance as one of the birthplaces of the watch industry.

La Vallée shows an unconventional perspective on this unique socio-geographic context and contradicts prejudices deeply rooted in the imagination of the foreigner. The photographs, in the guise of documentary and objective images are manipulated, retouched and composed so as to create a manufactured substantiality and disturb the viewer. The whole consists of various series each adopting a specific aesthetic and re-interpreting various photographic genres.The story becomes emblematic and exposes the importance of imagination in creating a site-specific identity.

The series presented here is Industrie.

 

Editor's note

Our aim is to disseminate and bring to light telling work of emergent or young photographers.

 

FORMA

 

FORMA

POR ANA MIRIAM

Sobre os limites da nossa perceção e do nosso entendimento. Sobre o momento em que parece que podemos agarrar, compreender, mas a verdade nos escapa. Sobre o movimento hesitante que acompanha esse momento, sobre esse mistério. Um peso, uma estranheza, uma solidão. Também um encantamento, um silêncio bom e uma promessa de algo que se esconde, algo que está longe, que é demasiado grande ou demasiado pequeno. Sobre a nossa perceção e entendimento do espaço. O que é o vazio, o que existe entre as coisas, o que as separa ou as une. Tentando mostrar o espaço, imaginando-lhe formas. À procura desse vazio, encontrei outras coisas difíceis de ver, coisas opacas, abismos, escuridão e demasiada luz. Continuo à procura, na noite, na neve, no nevoeiro.

SOBRE O AUTOR:

Ana Miriam estudou Artes Plásticas no Porto e em Bordéus e frequenta o Mestrado em Criação Artística Contemporânea, na Universidade de Aveiro. O seu trabalho fotográfico explora diferentes aspetos da vivência do espaço em contextos e escalas distintos, do urbano ao rural e da casa à paisagem. Trabalha como freelancer no âmbito da fotografia de arquitetura e é formadora na área da fotografia.

 

FORJA

 

FORJA

BY VASCO NOBRE LOPES

Vasco Nobre Lopes completed his M.Arch at UAL University (Lisbon) in 2007 and collaborated with several Portuguese architectural offices. In 2012 he established the "Forja Project" - Research/Post-Crisis/Resilient/Solutions. 

Synopsis

FORJA - def.:

Construct, contrive, create, devise, fabricate, fashion, form, frame, hammer out, invent, make, mould, shape, work  

2    coin, copy, counterfeit, fake, falsify, feign, imitate.

There is an old saying that goes "ignorance is no excuse". Well, at this point one could take it a stop further and say ignorance can be fatal. A young person today must have the technology and the know-how. Never before has self sufficiency and education been so important and they are virtually inseparable from survival.

All photographs were made in the working process of the architectural studio forja.

Editor´s note

The presented project was selected from a spontaneous submission made by Vasco Lopes. Our aim is to disseminate and bring to light telling work of emergent or young photographers.

 

FICTIONS

 

FICTIONS

BY FILIP DUJARDIN

Filip Dujardin (Ghent, Belgium, 1971) is an Art Historian (University of Ghent) specialized in Architecture and Photography (Academy of Ghent). He was technical assistant of Magnum-Photographer Carl De Keyzer and collaborated with Frederik Vercruysse.

He has published his work in national and international books and magazines, participated in several individual and group exhibitions since 2007, and has collaborated several times with scopio Editorial Line: invited author in the section Projects of scopio magazine aboveground architecture, speaker at the congress ON THE SURFACE: Public Space and Architectural images in debate and invited photographer to integrate the jury of the international photography contest aboveground territory.

His significant and inspiring work is mostly characterized by an artistic strategy that uses the tools of digital imaging as an opportunity for a postmodern project that unveils the pretence of photographic objectivity, making us more attentive to the architecture that surrounds us and to where we live and work.

Filip Dujardin uses the power of digital manipulation not to mask or denature a profound reality, but to call our critical attention to it, and his work is used, not to blur our ontological distinctions between the imaginary and the real, but to sharpen our critical attitude towards the existing architecture of today.


Pedro Leão Neto

 

ESCULTURA DO INCONSCIENTE

 

ESCULTURA DO INCONSCIENTE

POR TATEWAKI NIO


Tatewaki Nio nasceu em Kobe, Japão em 1971. Vive e trabalha em São Paulo desde 1998. Formado em sociologia pela Universidade de Sophia (Tóquio, Japão) estudou fotografia no SENAC (São Paulo, Brasil). Com várias exposições individuais e colectivas, prémios e colecções é representado pela Fauna Galeria. 

Synopsis

Escultura do Inconsciente investiga a paisagem de uma urbe em transformação, resultado da especulação imobiliária e da construção de grandes empreendimentos comerciais avassaladores, que transpõem a construção espontânea da Região Metropolitana de São Paulo do Brasil. Através deste projecto, Nio trata da efemeridade dos espaços em (des)construção a partir do registo dos vestígios e do resultado deste conflito. Terrenos baldios e prédios prestes a serem demolidos são alguns dos temas tratados. Os vazios registados são compostos por uma estranha presença sobre – humana. O uso de uma câmera de grande formato, permite que uma maior quantidade de detalhes dessa paisagem moldem enormes criaturas nas cidades. Num ato demorado e atento - oposto ao ritmo vertiginoso de transformação da paisagem -, este projecto demonstra a importância desses objetos, esculturas que esboçam fragilidade na eminência de sua extinção.

Iniciado em 2006 e continuado até hoje o projeto Escultura do Inconsciente contém mais de 70 imagens concluídas.

Editor´s note

The presented project was selected from a spontaneous submission. Our aim is to disseminate and bring to light telling work of emergent or young photographers.

 

EDUCAÇÃO PARA TODOS

 

EDUCAÇÃO PARA TODOS

POR GUILHERME BERGAMINI

 

Guilherme Bergamini (Belo Horizonte, Brasil), formado em jornalismo, trabalha com fotografia há quase duas décadas. Premiado em concursos nacionais, participou de festivais e exposições coletivas e individuais, além de ter fotos publicadas em diferentes veículos de comunicação brasileiros.

 

Sinopse

Educar é conquistar novos horizontes, novas possibilidades de vida, mais digna e justa. Conhecimento abre portas e rompe fronteiras, permitindo que nossos sonhos e desejos sejam realizados. Não investir em educação é perpetuar a ignorância, o domínio de uma minoria perante a maioria. Informação é poder de escolha, é saber definir quem irá proporcionar o crescimento de uma nação, a igualdade entre os povos e a soberania de um Estado. O País que não educa permanece estagnado, sem horizontes e fadado ao fracasso. Estudar é alcançar novos mundos, com a certeza de um horizonte justo, igualitário e fraterno. Uma democracia consolidada para todos.

 

Nota do Editor

O projecto apresentado foi seleccionado a partir de uma candidatura espontânea de Guilherme Bergamini. O nosso objectivo é divulgar e trazer à luz o trabalho de jovens fotógrafos emergentes.

 

DEGENERATION

 

DEGENERATION

BY ALEXIS STANISLAUS CURRIE

 

Having grown up in the North of England, amidst a once great swathe of heavy industry, I have been fascinated by the terminal decline of an industrialised society and its tumultuous move towards the post-industrial, and ultimately globalised, society that we inhabit today. This has been a gradual and at times painful transition towards the latter part of the 20th century. Now in the 21st century, we live in a technological age reliant upon ever increasing levels of globalisation and homogenisation, fraught with its own societal complexities and nuances.

My photographic practice is concerned with exploring and documenting these urban and industrial environments. Often overlooked or ignored, these places impact heavily upon the individual subconscious. It is within this construct that a greater understanding of the human psyche is sought, and how the implications of the modern world reflect upon our everyday being. By documenting the architecture and infrastructure of the hidden and banal, the possibility arises to meditate upon, not just the space that we inhabit, but also the space within ourselves.

 

Synopsis

In the post-war era Britain's population was faced with massive housing shortages. The existing housing stock was often disgracefully inadequate for even the most basic of needs. Modernist architecture with its close links to left wing ideology reflected a progressive solution to the practical and social issues of the time.

At its height in the 50’s Social Housing was unquestionably a central pillar of Britain's regeneration following the devastation of the Second World War. Modern, and affordable, it represented an advancement in society; where the working classes were for the first time given the opportunity to live in a decent home. These projects and buildings were often striking exercises, bold and futuristic in their character and breathtaking in the scale of their ambition.

Of course not everything proposed and executed by the town planners was to be warmly received. The high level philosophy and design of Corbusier was all too frequently brought crashing down to earth by the constraints of both economy and ability. 

Beyond the physical our psychological relationship towards these estates and buildings was quickly and profoundly altered. Far from being symbols of hope and egalitarianism, estates became places to avoid. The notoriety increased exponentially through the 80's and 90's. Names such as Moss Side or Red Road taking on almost mythic proportions, becoming as much feared and despised as the very slums and tenements which they replaced.

The rampant excesses of the housing market in the late 1990’s, which lead to an Englishman's home becoming not only his castle but his retirement fund, all but finished the job started almost thirty years earlier. The unabashed pursuit of wealth and self-interest seeming to prove that there really was no such thing as society after all.

Housing Estates today have come to be associated with high levels of social stigma; they are seen as places of social exclusion. Homes to the forgotten under-classes. They provide the stage backdrop to our broken society neuroses. As compelling and titillating as any of Hogarth's scenes.

But in the midst of all the media hyperbole and theorising what are these places? Even today are they not people's homes? Places where children play and belong, where treasured childhood memories are formed however repellant this may seem to middle class observers?

What do we see when we look at these images of neglect and decay? How strikingly the physical neglect and abandonment of these homes and proud ambitions seems to reflect the disintegration and malaise of our society as a whole and perhaps even ourselves as individuals.

 

CINETEATRO

 

CINETEATRO

BY ESTELA IZUEL

 

Estela Izuel (Argentina, 1966) is an award winning photographer who works in personal-essay photography.

She graduated from the Universidad Nacional de La Plata and has received the National Art Fund Grant in 2012, a Grant for artistic creation from the Antorchas Foundation, and participated at the Fotofest portfolio review (Houston). Estela has received the 1º Chandon Cultural Award from the Caraffa Art Museum, the 2º Prize from the “VI Klemm Foundation for Visual Arts Award”.

Izuel's work was presented at ArteBA, by Fundación del Banco Provincia de Buenos Aires. She has exhibited at the Salón Nacional de Artes Visuales, Buenos Aires Photo: Petrobras Award, Fundación Andreani Award, Museo Caraffa, Senado de la provincia de Buenos Aires, Museo de Arte Moderno (MAMBA), Centro Cultural Ricardo Rojas.

Her works have been acquired by Museo Caraffa, Museo de Bellas Artes de Buenos Aires, Fundación Federico Klemm, Museo de las Américas (Denver) and private collections from Argentina, Chile and USA.

 

Synopsis

"Faced with a threatened existence, the record of images is basic. Hence the picture is the right way to fix a far away time. 

To Estela Izuel, theaters are not only the reason. The images shown do not refer to life as theatre, we only found a speculative, distant registration. Inside them, recorded with objective eye, focuses on the relationship between space use and men who are gone. The absence of people is strange, is that we have never seen an illuminated and empty theater. No event, no action, only the state of things. The void left when customs change. 

Images are not the record of physical space. They are traces of social habits that have passed; and that she photographs. Empty rigorously environments that surround us and invite to look at them again.

But the axial gaze is diverted; and subjectivity emerges. This marks the tension between public space, private space and dramatic space. Because a foreshorten view shows a private look.

The theatre is not in the dramatic action that happens but in architecture. A frozen scene leads us inevitably to the narration of the events that happened."

Dardo Arbide

 

BARCELONA

 

BARCELONA

BY XAVIER RIBAS

Xavier Ribas is a photographer and lecturer at the University of Brighton, and visiting lecturer at the Universidad Politécnica de Valencia. He studied Social Anthropology at the University of Barcelona (1990) and Documentary Photography at the Newport School of Art and Design (1993). Currently lives and works in Brighton and Barcelona.

His photographic works investigate notions of place, memory and the city. Trained as an anthropologist, his work is also informed by former professional experience in the fields of urban planning and architecture.

Xavier Ribas has received numerous international commissions from organisations such as the Fonds National d’Art Contemporain - FNAC (France), the International Photography Research network – IPRN (Uk), the Barcelona Museum of Contemporary Art – MACBA (Spain), the Zoneattive / Rome International Photography Bienale (Italy) and the Goethe Institut (Germany). Two monographs of his work are published: Xavier Ribas (University of Salamanca, 1998) and Sanctuary (Editorial Gustavo Gili, 2005).

Ribas' photographs of the marginal spaces on the periphery of Barcelona, taken between 1994-1997, and published as a monograph in 1998, focus on the dichotomy between the urban definition, or indefinition, of public spaces and the character of everyday practice. His images suggest that while the notion of the super-modern 'non-place' (Marc Augé) implies the idea of alienation, the residual vacant plot and the open ground of the city's edge can be thought as spaces of freedom.

This project was published in scopio magazine, aboveground: territory. 


Pedro Leão Neto

 

AMERICA IN A TRANCE

 

AMERICA IN A TRANCE

BY NIKO J. KALLIANIOTIS


Niko J. Kallianiotis is a photographer and educator based in Pennsylvania. Originally from Greece, he started his career as a newspaper photographer, first as a freelancer at The Times Leader, in Wilkes-Barre, Pennsylvania, and then as a staff photographer at The Coshocton Tribune in Coshocton, Ohio, and The Watertown Daily Times in Watertown, New York. He is currently an Assistant Professor of Photography at Marywood University in Scranton, PA and an Adjunct Assistant Professor at Drexel University in Philadelphia. He is also a contributing photographer for The New York Times.
 


Synopsis

In November of 1935 Walker Evans made a photograph about Bethlehem titled “A Graveyard and Steel Mill in Bethlehem, Pennsylvania”.   A large cement cross sits in the foreground overlooking a perfectly composed scene of American life and industry.  A cemetery competes with brick homes and porches that are knitted together in a plateau, fluctuating between past and present.  Just when your eye comprehends the few inches of greenery, you look up only to see a changing landscape of hard factory life.  Like any brilliant photograph, it speaks in a dichotomy of quiet and busy; charging rapidly towards the future yet relentlessly becoming a prophecy of the uncertain. According to a 2009 article in the Morning Call, there were 350,000 people employed in the mill, 850 job trades and 35,000 people from the city of Bethlehem.  Almost half of the population of the city worked at the mill.  The mill closed and parts of it have been turned into a casino.  The irony?  When the casino was being build they could not find construction steel.


For America in a Trance, I’m exploring and respond as I travel through towns and cities across the state of Pennsylvania, a once prosperous and vibrant region where the notion of small town values and sustainable small businesses thrived under the sheltered wings of American Industry. A mode to promote American values, industrialism provided a place where immigrants from tattered European countries crossed the Atlantic for a better future. An immigrant and naturalized citizen myself, I had always perceived the U.S. differently, mostly from the big screen Hollywood experience and the adventures of “Harley Davidson and the Marlboro Man”.

This project is an ongoing observation of the fading American dream so typified in the northeastern Pennsylvania landscape but widespread across the United States. My subject choices derive from intuition and the desire to explore the unknown and rediscover the familiar. Through form, light, and color, I let the work develop organically, and become a commentary of place and also of self. The hues work as the constituent of hope, not doom. The work is a product of love, for both the state and country I have called home for the last two decades. While my interest is not in the depiction of desolation, at times it becomes necessary to the narrative. I search for images that reflect, question, and interpret life in the towns and cities across the Keystone State, and the yearning for survival and cultural perseverance. My interest is in the vernacular and the inconsequential, that which becomes metaphorical and a connotation to a personal visual anthology for the photographer as well as the viewer.

 

ARQUITECTURA E FOTOGRAFIA

 
 

ARQUITECTURA E FOTOGRAFIA - MAPEAMENTO FOTOGRÁFICO: APROPRIAÇÃO, PERCEPÇÃO, MOMENTO

POR SOFIA F. AUGUSTO

Palavras-­chave: espaço/arquitectura, apropriação, percepção, momento, tempo

ARQUITECTURA E FOTOGRAFIA - MAPEAMENTO FOTOGRÁFICO: APROPRIAÇÃO, PERCEPÇÃO, MOMENTO (AF-MF) é um caso de estudo que está integrado num projecto mais vasto de investigação visual subordinado ao título “Mapeamento de Fotografia Documental e Artística: Um olhar Contemporâneo sobre Arquitectura e Espaços de Referência no Porto (MFDA-ARP).” 

AF-MF tem como objectivo a exploração de uma obra de Arquitectura através da Fotografia, neste caso o edifício da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e pretende constituir-se como o primeiro caso de estudo do projecto MFDA-ARP, projecto este que irá integrar uma série de outros casos de estudo e diversos autores focalizados em várias obras arquitectónicas de referência na cidade do Porto.


AF-MF é um projecto de fotografia contemporâneo que toma como seu objecto artístico a Arquitectura e que, por isso, não se integra  na categorização convencional das imagens de Arquitectura que, na maior parte das vezes, se apresentam como meras produções da chamada “fotografia de arquitectura”. Pretende-se, ao contrário dessas estratégias de representação mais main stream ou comerciais, aprofundar e explorar novas formas (artísticas) de olhar e compreender o espaço construído, bem como a forma como ele é apropriado.

O Estado da Arte para este projecto fotográfico engloba diversos trabalhos, referências e autores relacionados com Fotografia Contemporânea considerados de interesse para este estudo. Todos eles têm em comum o facto de tomarem a Arquitectura como objecto artístico e se interessarem pela forma como as pessoas se apropriam dos espaços construídos – tanto a nível privado como público. Para além disso, revelam também um interesse significativo pelos valores culturais e económicos que caracterizam o mundo contemporâneo traduzidos nas  formas, materiais e diferentes formas de apropriação da Arquitectura e dos seus espaços. Autores como Paul Graham, Jeff Wall, Thomas Struth ou ainda David Claerbout são fotógrafos importantes como referência para este trabalho e que não vêm do campo disciplinar da Arquitectura e, por isso, nos oferecem novas perspectivas críticas e poéticas sobre este universo. Pretende-se assim que a fotografia seja utilizada não só como um meio de registo, mas também como um instrumento de procura, análise e exploração do espaço. Ou seja, utilizar a fotografia como um instrumento documental e artístico capaz de criar uma narrativa crítica e poética que permite uma nova leitura do real e da forma como o espaço pode ser  percepcionado e compreendido e, dessa forma, criar um “novo espaço”.

Neste contexto, decidiu-se adoptar para o caso de estudo uma estratégia capaz de estruturar o trabalho quer em termos espaciais como conceptuais e, partindo da ideia de percurso, idealizou-se uma “promenade arquitectónica" que passa por quatro momentos distintos que constituem a matriz base deste trabalho fotográfico: aproximação à obra, entrada, promenade (momentos de apropriação) e saída. Estas quatro situações constituem os marcos de referência da estrutura conceptual do trabalho, ou seja,  definem os momentos/espaços-chave e a lógica, para a construção de uma narrativa, (que se repetirá em outros edifícios, sendo assim um denominador comum que unificará a estratégia de trabalho nos futuros casos de estudo que adoptem este método).

É importante referir que é nos momentos de apropriação, que pressupõem acção e a presença humana, que o registo de imagens se singulariza e nos traz uma nova percepção - o tempo, o espaço e o significado transformam-se. Desta forma, idealizou-se uma estratégia artística que fizesse uso de várias câmaras fotográficas sincronizadas, que registassem o mesmo momento a partir de diferentes pontos-de-vista. Era assim introduzida uma nova dimensão no trabalho, passando a ter mais um tema de exploração – o momento –,  a partir de percepções diferentes do mesmo espaço e do mesmo instante, explorando assim o lado caleidoscópico da perspectiva.


No início do trabalho, com o objectivo de  contextualizar o caso de estudo e ficar mais familiarizada com os conceitos e história da relação entre Arquitectura/Espaço  e Fotografia, foi necessário efectuar uma pesquisa a partir de teses (de Mestrado em Arquitectura pela FAUP) que abordam esta relação, bem como o estudo da própria História da Fotografia, desde as experiências pioneiras até à actualidade, contando com o trabalho de autores contemporâneos e as narrativas que constroem.


Ao longo deste tempo dedicado à pesquisa foi muito importante a realização de um levantamento de um conjunto significativo de obras fotográficas de diversos autores, cujo critério se baseou em perspectivas, conceitos, formas de aproximação e estratégias consideradas de interesse e pertinentes para esta investigação. Por conseguinte, foi uma etapa de trabalho essencial e embrionária que permitiu construir algumas bases teóricas para o cumprimento dos objectivos desta investigação e que possibilitou a criação de uma significativa base de referências (teórica e visual) focalizada nas temáticas da investigação e caso de estudo. Este conjunto de referências engloba não só fotógrafos portugueses como estrangeiros, bem como trabalhos fotográficos específicos de arquitectura e outros de outra natureza que se podem incluir pelo tipo de narrativa visual e estratégia artística adoptada (questões de apropriação, vivências do espaço, e outras questões similares).


É importante referir que, até ao presente momento e após pesquisa bibliográfica e na Internet, apenas se descobriu um projecto fotográfico que adoptasse a FAUP como seu objecto artístico ou que adoptasse uma estratégia documental e ficcional de teor mais autoral neste espaço. Falo do trabalho “A Declaration of Time” (2013/2014) de Cláudio Reis, onde, numa assumida referência ao trabalho de Guido Guidi, o autor explora a passagem do tempo através da mutabilidade das sombras projectadas no complexo edificado da FAUP. Desta forma, Reis explora uma faceta menos óbvia da materialidade do construído e das suas possíveis expressividades e peculiaridades, mesmo que estas sejam efémeras, justificando a necessidade de um olhar  atento.

Existem no entanto outros trabalhos como, por exemplo, os de Giovanni Chiaramonte, Nelson Garrido ou de Duarte Belo que, embora tenham o seu traço autoral, não são trabalhos que tenham como objectivo a construção de narrativas visuais onde o registo e a ficção sejam explorados de forma propositada para construir uma nova leitura crítica e poética do real.

Assim, destacam-se como principais referências os trabalhos iniciais de Thomas Struth (1954, Alemanha) nos anos 70, que nos revelam, através de diversas séries fotográficas, ambientes urbanos banais onde se advinha a contingência da vida e o quotidiano das pessoas que vivem e trabalham nesses espaços. As imagens de Struth são o resultado de uma estratégia artística que, por um lado, adopta uma tomada de vista aparentemente neutral e, por outro, se interessa por um registo “objectivo” dos espaço desses ambientes urbanos. Tudo isto lhe permite retratar e mostrar a identidade de quem habita e percorre aqueles espaços diariamente, de forma mais profunda e real. Parece-nos que o facto de orientar a captura das imagens através de um olhar mais liberto de uma ideia preconcebida sobre essas identidades (tomada de vista aparentemente neutral) permite a Struth retratar a identidade e até mesmo a história destas comunidades, expressas no espaço urbano, de forma mais real. As suas imagens são pois o resultado de uma tomada de vista objectiva e de composições simples mas profundas, onde não existe nenhum tipo de encenação, conseguindo assim obter um registo genuíno e espontâneo do quotidiano e das pessoas que diariamente fazem parte daqueles espaços públicos urbanos.

Ao contrário da estratégia artística mais sofisticada de Candida Höfer, (também ela pertencente ao grupo de autores fotógrafos com origem na Escola de Dusseldorf  e aluna de Bernd e Hilla Becher), a tomada de vista de Struth é propositadamente “despida” de artefactos, ou seja,  como se fosse o ponto-de-vista de um observador comum (como o de um mero transeunte), reforçando ainda mais desta forma a naturalidade com que regista as suas imagens. Outra característica das suas fotografias sobre o espaço urbano é a de possuírem uma escala humana. Isto é, o seu olhar não pretende ser um “voo de pássaro” ou um olhar totalizador, mas sim um olhar humano assumindo as limitações que o assistem – este aspecto facilmente se depreende ao verificarmos que o autor corta o topo dos edifícios nos enquadramentos das suas fotografias, veja-se o exemplo de “53rd Street at 8th Avenue, New York, 1987”.

Struth é pois uma referência significativa para este trabalho, não só pela sua aproximação mais “humanista” aos espaços urbanos, mas também pela forma “neutral” como os regista. Estas características outorgam a nosso ver maior autenticidade às suas imagens, evitando assim certo “ruído”, que decerto estaria presente, caso fosse adoptada uma subjectividade assumida e menos neutral - embora o grau zero da escrita, como refere Roland Barthes, não exista.

A questão dos pontos-de-vistas múltiplos faz com que o trabalho específico “Sections of a Happy Moment” (2007) de David Claerbout (1969, Bélgica) seja também uma referência importante para esta investigação.

Esta obra de Claerbout, que em momento expositivo se apresenta como uma instalação de vídeo com a duração de 26 minutos, descreve um único momento através de 180 fotografias tiradas de diferentes ângulos e posições, que vão surgindo de forma cadenciada.

Este trabalho retrata um momento íntimo de uma família chinesa, onde duas crianças brincam com uma bola, estando rodeadas pela família, surgindo pontualmente eventuais transeuntes.

O vídeo da instalação proporciona ao observador uma experiência quase que virtual, pois o momento captado não está propriamente a decorrer de forma contínua. Isto é, trata-se de um instante que é congelado e dissecado, pois é perceptível de variados e múltiplos pontos de vista. Isto leva-nos também a questionar o que é o real através desta experiência sensorial da percepção (subjectiva e infinitamente variável).

Desta forma, David Claerbout explora a noção de tempo, através da manipulação do seu fluxo. Como o artista diz “photographs are films that keep their mouth shut” e, apesar da fotografia ser uma imagem estática, o autor consegue reinventar o significado de “continuidade”. Ou seja, o autor consegue bloquear/trancar o decorrer do tempo (e portanto, a noção de continuidade), explorando a dualidade dos conceitos de intimidade e observação.

Este trabalho é pois uma construção: embora seja apenas um único e mesmo instante retratado, a montagem das várias imagens em vídeo parecem transmitir uma sensação de continuidade, apesar da fragmentação que se sente, pois o que se lê são fotografias/ imagens estáticas. Segundo o autor, as pessoas/personagens, devido à sua posição estática, parecem estátuas ou parte integrante da arquitectura em redor. Tornam-se em objectos, tal como os edifícios em seu redor.

No seu método de trabalho, Claerbout estudou não só a posição das câmaras (através de esboços em desenho para possíveis enquadramentos), como também ensaiou em estúdio as posições e acções dos personagens retratados. Todos os detalhes foram controlados e criados propositadamente para recriar a acção/ cena até ao pormenor, sendo pois um trabalho de teor ficcional em busca da representação do real e das suas possíveis facetas.

Esta estratégia remete-nos, inevitavelmente, para o trabalho (ficcional) de Jeff Wall (1946, Canadá), vejam-se obras como “Morning Cleaning“ (Mies van der Rohe Foundation, Barcelona, 1999) ou “A View from an Apartment” (2004/05). Na base da sua metodologia de trabalho está sempre a encenação completa do espaço – ficções. É curioso remeter esta estratégia para o fotógrafo da era moderna, Julius Shulman, e o seu “dressing the scene”, estratégia essa que absorveu do arquitecto Richard Neutra com quem trabalhou.

É, portanto, no método de trabalho e no conceito de múltiplas perspectivas (e percepções), que esta obra de Claerbout é uma clara e óbvia referência nesta investigação, pois pretende-se explorar a apropriação do espaço pelo ser-humano e as diferentes percepções possíveis de um mesmo instante.

Por fim, uma última referência: Paul Graham (1956, Reino Unido), pela forma como este autor contemporâneo combina paisagem urbana e a presença humana. Claramente influenciado por autores como Robert Adams, o projecto “A Shimmer of Possibility” é uma série fotográfica (em doze short stories) feita a partir de muitas viagens pelos EUA, entre 2004 a 2006.

De certa forma, este projecto fotográfico retrata diversos momentos banais que fazem parte de um quotidiano aparentemente normal, apresentando-os em sequências. Desde um homem que corta relva enquanto caem pequenas gotas de chuva, passando por uma mulher que degusta uma refeição de fast-food no passeio, todas elas são narrativas “serenas” que não têm a pretensão de um embelezamento do mundo ou da sua construção em imagens perfeitas.

Na verdade, uma das características que atravessa o seu corpo de trabalho, são estes momentos de aparente insignificância e banalidade que, quando analisados numa leitura mais profunda, nos podem de facto contar histórias da sociedade contemporânea onde estamos inseridos (veja-se, a título de exemplo, o trabalho “Beyond Caring” de 1984-85).

Os temas retratados por Graham são, pois, a referência para esta investigação. Os momentos ou situações aparentemente banais do quotidiano, que neste caso se situarão no universo do edifício da FAUP, são um dos leitmotiv das imagens que se pretendem criar, estruturando e organizando esse registo por subséries.

Embora a estratégia adoptada para esta pesquisa visual do espaço e vivência na FAUP passar por separar situações diversas (espaços diversos), que funcionam de forma autónoma, estas possuem a sua maior força quando se percebe que os vários conjuntos funcionam como um todo para a criação de uma narrativa mais geral.

Trazendo de novo o enfoque para o trabalho fotográfico desta pesquisa e caso de estudo, este projecto distingue-se e é inovador pela forma como aborda um espaço construído que, a partir da ideia corbusiana de promenade architecturale, nos dá uma leitura pessoal e multi-facetada com a introdução da perspectiva “caleidoscópica” e que é oferecida nos momentos de apropriação. E é precisamente esta característica que define a especificidade desta forma de aproximação como parte estruturante e definidora deste caso de estudo: a exploração do conceito de momento, de instante. Nesse campo temos autores teóricos como Philippe Dubois que já escrutinaram esse “corte” espaço-temporal do acto fotográfico: “(…) toda a fotografia é um corte, todo o acto (de tomada de vistas ou de olhar a imagem) é uma tentativa de “fazer um corte”; (…)”. (2011, p.163,164)

Dubois fala-nos do gesto do corte como acção associada ao próprio acto fotográfico. A imagem fotográfica interrompe o tempo, imobilizando um instante. O mesmo acontece a nível espacial –isola e recorta. A fotografia é pois uma impressão de espaço-tempo.

Dentro da ideia de corte temporal diz-nos que a imagem fotográfica não recorda um “percurso temporal”, mas sim o corte de uma continuidade temporal (e a sua consequente cristalização). Como se o movimento se pudesse recortar em diversas imobilizações, desfragmentando-o. Inevitavelmente se associa esta ideia a trabalhos pictóricos de experiências de representação do movimento como “Nú descendo uma escada n.º2” (1912) de Duchamp (1887-1968) ou até mesmo as sequências fotográficas de movimento (do cavalo, por exemplo) de Eadweard James Muybridge (1830-1904). Assim, entende-se que durante o movimento, os corpos têm uma posição diferente no espaço a cada instante (o movimento só existe quando lido entre dois pontos espaciais de forma contínua), e a fotografia permite-nos uma maior aproximação e consciência de cada fragmento de tempo.

Tudo isto nos remete para a noção (paradoxal) de instante:

"(…) o acto fotográfico reduz o fio do tempo a um ponto.(…) o fragmento de tempo isolado pelo gesto fotográfico, desde que é arrebatado pelo dispositivo, (…), passa imediatamente e em definitivo para o “outro mundo”. E dispõe uma temporalidade contra uma outra." (Dubois, 1992, p.169)

Ou seja, entra para uma nova temporalidade (simbólica)– a temporalidade da fotografia enquanto objecto físico, consumível e palpável. Aqui, o tempo é infinito, pois não se esgota na sua imobilidade, na sua fixação (falamos da imutabilidade da imagem). O acto fotográfico transpõe o tempo real, isto é, proporciona uma passagem para a perpetuação do instante.

"All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt." (Sontag, 1997, p.15)

Já na ideia de corte espacial, o enquadramento é per se um corte. O espaço fotográfico não é construído, é subtraído do mundo, permitindo ao fotógrafo manipular a percepção dos espaços.

Na verdade aquilo que não se mostra numa fotografia é tão importante como aquilo que se dá a ver, assim como no campo da arquitectura , e transportando a ideia de Fernando Távora da sua teoria “Da Organização do Espaço”, o espaço que se desenha, enquanto forma, é tão importante como o espaço sobrante , isto é, “o espaço que separa e liga as formas é também forma” (1999, p.12). Ou seja, o espaço ausente do campo de representação, apesar de excluído do enquadramento, sabemo-lo presente – “relação do campo com o fora-do-enquadramento”. (Dubois, 1992, p.182), pois há uma relação de contiguidade entre eles. Este aspecto dá ambiguidade à leitura das imagens, imprimindo-lhes uma outra camada, profundidade e até pregnância.

A representação fotográfica coloca ainda “fora-de-campo” o próprio tempo. O movimento desaparece, pois há uma paragem (da deslocação das personagens). É precisamente isso que se explora neste trabalho: o espaço representado passa a espaço de representação.

"(…) in terms of a politics of representation, imagery offers us ways of comprehending phenomena and experiences; photographic perceptions influence ways of seeing. For this reason what is represented, how it is represented, and who has the power to represent constitute contested terrain." (Wells, 2011, p.6)

Neste trabalho visual, pode-se também perceber que os espaços e a sua apropriação são entendidos como produto social, pois algumas destas imagens dizem-nos algo acerca da construção cultural (paisagem) deste sítio, assim como das suas transformações.

Quando um arquitecto projecta um espaço ou edifício, ele prevê os seus usos, paisagem e o ambiente social que poderá ser construído, e são estas intervenções que fazem de um espaço um lugar, e que aqui se pretendem realçar através da representação sincronizada de um momento.

Concluindo, uma fotografia é uma “imagem-acto” (Dubois, 1992, p.11), pois não se limita a uma folha de papel, a uma reprodução “consumível” enquanto objecto físico. A fotografia, enquanto acto, é uma experiência, não só de quem a regista como também de quem a recebe/observa /contempla. Esta não é apenas uma simples e mecânica reprodução/imitação objectiva do real, podendo questionar algo muito mais profundo e ontológico. Daí se diferenciar o mero acto de “tirar uma fotografia” do de “criar uma imagem”.

O século XX trouxe esta possibilidade de transformação do real pela fotografia, pois esta já não é vista como um veículo da realidade empírica (daí se questionar a sua validade enquanto documento científico), tendo sempre em aberto a possibilidade de se assistir a algo novo. Já para não falar de que o spectator (o observador, na linguagem barthesiana) tem sempre uma experiência (reacção) subjectiva com a fotografia que observa – e isto prende-se também com outros factores externos (e que não são controlados pelo fotógrafo) tais como a forma como a imagem é apresentada, o background do observador, etc.

Todavia, o fotógrafo, enquanto operator, está sempre presente nas imagens que cria – “a sua realidade primeira é uma afirmação da existência” (Dubois, 1992, p.47) – podendo criar narrativas visuais acerca da realidade que o rodeia, despertando novas percepções e pontos-de-vista (inesperados ou não) a quem visualiza e percepciona as suas imagens. E foi este o resultado final: um trabalho fotográfico que revela um olhar curioso, atento e criativo sobre a FAUP, trazendo à luz uma forma autónoma, exploratória e menos convencional de leitura da arquitectura e das relações que esta proporciona.

BIBLIOGRAFIA

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MESQUITA, Pedro, Realidade re-imaginada : a fotografia no movimento de arquitectura moderna, (dissertação de Mestrado), Prof. responsável Pedro Leão Neto, Porto : Faup, 2014

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VIEIRA, Siza, Álvaro Siza : obras y proyetos,1954-1992, ed. José Paulo dos Santos ; intr. Peter Testa y Kenneth Frampton ; trad. Carlos Sáenz, Ana Rosa de Oliveira, Barcelona : Gustavo Gili, 1993

VIEIRA, Siza, Edifício da Faculdade de arquitectura da Universidade do Porto=the building of the Faculty of architecture at Oporto University : percursos do projecto=course of the project, sel. Álvaro Siza, Adalberto Dias ; fot. Giovanni Chiaramonte [et al.], Porto : Faup Publicações, 2003

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WELLS, Lizz. (1997). On and beyond the white walls – Photography as Art. In Liz Wells (ed.), Photography: A Critical Introduction (pp.199-247). London: Routledge.


WEBGRAFIA

Cláudio Reis - A Declaration of Time

David Claerbout, AASchoolArchitecture, 2013

David Claerbout - Sections of a Happy Moment

Duarte Belo - Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto

Gabriele Basilico, o fotógrafo de quem a luz era amiga - artigo no Público

Jeff Wall - Morning Cleaning; A view from an Apartment

Nelson Garrido - Carlos Ramos Pavillion

Paul Graham - artigo no The Guardian

Paul Graham - Shimmer of Possibility

Porto Poetic book

Thomas Struth - Shinju ku (Skyscrapers)

 

ARQUITECTURAS MAIS OU MENOS

 

ARQUITECTURAS MAIS OU MENOS

BY RUI PEDRO BORDALO


Tirando partido da formação em Arquitectura (FAUP) e em Fotojornalismo (CENJOR), procura relacionar-se através da fotografia com um conjunto de interesse e em torno da ideia de Espaço, documentando as dimensões formais e simbólicas da Arquitectura, da Cidade e do Território.
Fotografa muros, edifícios, ruas, estradas, lugares e não-lugares, vazios, “más” arquiteturas, espaços banais, abandonados e residuais, com uma perspectiva crítica-inclusivista que lhe permite considerar a diversidade, a complexidade e a contradição como fonte de substância para a compreensão dos fenómenos do espaço disíco organizado.
O seu trabalhoé estruturado, maioritariamente, em séries fotográficas, sendo que a primeira, a série das séries sem fim à vista, se trata de uma colecção disciplinada de imagens documentando ESPÉCIES DE ESPAÇOS.


Sinopse

Arquitecturas mais ou menos são o resultado de processos complexos, de planos de contingência, de decisões de compromisso e d eescolhas condicionadas, caracterizando uma parte significativa da paisagem urbana portuguesa.

Arquitecturas mais ou menos fazem a Cidade na periferias, nos centros e entre as periferias e os centros. A Cidade que, enquanto organismo vivo, as inclui, integra, funde, dilui e legitima, expandindo-se democraticamente em diversidade, complexidade e contradição.

Arquitecturas mais ou menos são mais ou menos anónimas, mais ou menos alinhadas, mais ou menos dissonantes, mais ou menos feias e sem brilho, organizam espaços, cumprem funções sociais, garantem abrigo, estabelecem relações com o espaço público, resistem às intempéries e perduram no tempo e no espaço.
Arquitecturas mais ou menos são muitas vezes e para muitos arquitecturas de sonho onde se vive de forma mais ou menos feliz.

 

ARCHITECTURE REVISITED

 

ARCHITECTURE REVISITED

BY PAOLO ROSSELLI


Paolo Rosselli was introduced to photography by Ugo Mulas at the age of 20. After the degree in Architecture he chooses photography. Since then, his approach to architecture through photography evolves in many directions, to contemporary architecture for the architecture quarterly Lotus and the monthly Domus and Abitare; towards masters of modern architecture as Giuseppe Terragni, and in the direction of the past, the Renaissance architecture in Italy. Beside this activity, he has pursued specific researches on contemporary urban landscape and on the interiors of the home. He was invited to the Venice Biennial in three editions: in 1993 he exhibited a group of works on messages found in the cities, in 2004 an exploration on the interior of the home and in 2006, he showed images of contemporary cities. In the books Sandwich digitale and Scena Mobile, 2009 and 2012, he has collected a group of texts on photography and about the changes in the perception of the real world in the digital age. In all, he is author of around twenty books. Paolo Rosselli was teacher of photography at the Milan Polytechnic. He lives and works in Milan.


synopsis

As we know, since the beginning of photography, architecture has become a major subject for photographers. Framing architecture allows a photographer to accurately show the real condition of a specific place. Moreover, through architecture, a photographer is able to express his personal view of the world. It’s a different understanding of the space, which gradually introduces perceptions that are not connected with the standard notion of the photographic record.

This "new perception" occurs when the photographer stops or suspends his analytical look and indulges in a wider and more tolerant perception of what exists around him: in that moment the gaze towards architecture becomes also a personal experience of a place. This is one of the sides of architectural photography; the side that is less focused on the construction of a building and more open to suggestions and implications that a building establishes with the everyday life of a city as Tokyo, Barcelona, Beijing, Milano - it doesn’t matter where this city is. (Milan, 7.2015).


editor's note

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ARCHEOGRAPHY

 

ARCHEOGRAPHY

BY NUNO MATOS DUARTE 

Nuno Matos Duarte graduated in architecture at Oporto School and received post-graduation degree in “Photography, Project and Contemporary Art” at the IPA-Atelier de Lisboa He works as an architect mainly as author of public building projects in Alentejo, Portugal. Self-taught practitioner of several art forms, his visual works were exhibited in collective and individual shows. In 2004 he was shortlisted for the II Lexmark European Art Prize.


Bring ethic dimension back to image urges, for we can fight against the cloud of indifference that haunts it. On one hand, if today work of art creation using photographic techniques shouldn't ignore the teachings of conceptualist pioneer photographers, on the other hand, it is no longer viable tout court adoption of the proto-conceptual and conceptual methodologies that established the starting point of all photography since Ed Rucha and the Bechers (either by convergence or divergence). Nuno tries to imbue his photographic œuvres with a multidisciplinary spirit that tends to express itself through subtle and complex systemic games that, although faithful to visible, are able to prevail over its immediacy.
While inquiring into the conflict between new and duration in art, Adorno wrote: "(...) through duration art protests against death. (...) Art is the semblance of what is beyond death' s reach (....)"1. From all the artistic disciplines architecture might be the one that more appears to our eyes as evidence of this protest. Paradoxically, the aim at eternity that characterizes architectural form, human as it is, carries the ineluctable awareness of that impossibility. Right from the first sketches, architecture always exhibits the insigne mark of nostalgia and also the peculiar melancholy of a future time that still is not its, and of another time from which it will no longer be a part of. Memorable images of architecture are those that allow contamination by the fragrance of this kind of nostalgia, and by the desire that manifests itself through representation of impossible timelessness and unreachable spatiality. Thus, Archeography shows the specific phase of a construction site in which the form, while already revealing architectural intentions in the raw rudeness of materials, is standing closer to the melancholic emptiness of ruin, than to the finalized inhabited building in its functional plenitude. Much of its allure elapses not only from this fact but also from a certain evocation of the timelessness of monument transpiring from the given evidence of the ephemeral.