1 PHOTOGRAPHER: SEBASTIANO RAIMONDO

por Hugo Oliveira

 

HO: Onde foram tiradas estas fotografias?

SR: As fotografias foram registadas no território de Castelvetrano, na Sicília, Itália. No meu trabalho é muito comum o uso de imagens juntas em díptico ou em tríptico. A primeira mostra a obra da câmara municipal (desenhada pelo arquitecto Santo Giunta, 2005-2008) e a segunda o templo "E" na área arqueológica de Selinunte (460-450 AC).

HO: Quando foram tiradas?

SR: A primeira na primavera de 2007, a segunda na primavera de 2011.

HO: Há algum aspecto técnico sobre o processo que queriras referir?

SR: São tiradas em película, como a maioria do meu trabalho, e depois digitalizadas e impressas por mim.

HO: Como foi feito o acesso aos locais?

SR: O primeiro acesso aos locais foi após pedido de trabalho. Trabalhei como arquiteto no escritório que projetou o edifício da câmara municipal de Castelvetrano e visitei muitas vezes a área arqueológica onde fica o templo e que fica próxima. As duas arquiteturas têm uma clara colocação na paisagem e uma relação com o espaço público, ainda que também de formas muito diferentes.

HO: Havia alguma coisa que querias contar com a confrontação destas duas imagens?

SR: Acho que o díptico pode sugerir ao observador - arquiteto o não - uma reflexão atual sobre o conceito de ruína e de tempo.

As duas fotografias, sem pessoas, tiradas no mesmo território, fixaram um fragmento da evolução dos dois edifícios; o poder da sequência está na ilusão de que os dois edifício podem avançar face à forma acabada de um projeto pré-existente, algo que já existe de outra forma representado, ou face à ruína de todos os artefactos que voltam devagarinho - com a ajuda da natureza e do sentido cultural atribuído - a uma forma também capaz de ser pré-visualizada.

Qualquer que seja o destino de uma e de outra, a imagem fotográfica fica no cruzamento das duas linhas temporais e, como manifestação da experiência do autor, é uma ponte com infinitas possibilidades de leitura por parte de qualquer observador.

HO: Houve algo que tivesses descoberto através deste díptico?

SR: Descobri que a obra fotográfica existe para além do objecto representado; a sua existência é concreta, mutável, e vive também para além do seu autor.

 
Sebastiano Raimondo é arquitecto e fotógrafo italiano.
 
A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial  “1 Photo(grapher)”.