A TELA DE UMA HISTÓRIA QUE NÃO SE ACENDE

por Ana Pereira

 

Ana Pereira (Moçambique, 1974) concluiu Mestrado em Comunicação Audiovisual, especialização em Fotografia e Cinema Documental, pela ESMAE - Instituto Politécnico do Porto. Entre os vários artigos que escreveu destacam-se: "Um Rosto na Escuridão" para a publicação ARCHIVO, assim como o ensaio "Novos formatos editoriais, velho, novo, velho" para a coleção "Reflex".  Nos seus textos aborda a evolução do retrato fotográfico, no âmbito da fotografia documental assim como a evolição das estruturas narrativas na fotografia documental. Foi convidada para várias conferências  Participou em diversas exposições individuais e colectivas. Foi docente da disciplina de Imagem e Som na Escola Artística Soares dos Reis, Porto, docente na licenciatura de Design Gráfico e Publicaida na ESEIG/IPP e docente na licenciatura de Tecnologia de Comunicação Audiovisual, no IPP. É actualmente "chief photographer" para a Mademoiselle Photo - reportagens fotográficas. No seu trabalho, a prática da fotografia de cena em contexto de teatro, teve e continua a ter importância.
 
 
synopsis
 
Um trabalho fotográfico sobre as salas de cinema da cidade do Porto, encerradas ou com actividades paralelas à exibição de filmes. Procurar as imagens, os fantasmas, as memórias e particularidades de cada sala. Abertas as portas e acessas as luzes a vida volta a encher estes espaços como aquelas cenas dos filmes em que se acende a luz do parque de festas e lentamente começa a ouvir-se o som dos carrosséis e das pessoas ao fundo. Assim que as luzes se acendem a vida volta, sem marcas da ausência das pessoas. Sentem-se os cheiros, são visíveis as marcas das histórias que se viveram, nas imagens, nos recados, nas fotografias, em todas as provas de memória. Sempre que me sentava numa das cadeiras a olhar para a tela, quase que conseguia sentir o ruído das pessoas a chegar para a próxima sessão. Como se estes momentos em que estou a fotografar, fossem apenas pequenos intervalos de tempo, entre sessões, entre filmes, entre histórias.

 

artist's statement

Sim as palavras pesam.

Têm volume, dimensão, cor.

As palavras são quase toda a matéria do que estabelecemos com o outro.

As imagens são a materialização do mundo de dentro.

São também a prova fatual do que é, do que foi, do que poderia ser.

Interessam-me as coisas bonitas.

Na beleza há ausência de conflito e eu gosto dessa ausência de dualidade.

Como não encerra conflito, a beleza é calma.

Bolha de descanso, bóia de navegação pacífica.

Um dia destes cruzei-me com uma frase do Chuck Palahniuk mais ou menos assim:

“Toda a tua vida é a descoberta de quem já foste!”

Pareceu-me bem para um cético.

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